
O Dia Mundial do Rim, que é comemorado em 9 de março, teve uma ação conjunta em Barra de São Francisco durante todo o dia de sábado, 18, na Clínica Med.Álise, no bairro Irmãos Fernades. O evento, idealizado pelo nefrologista da clínica, Rafael Ângelo Ferreira Fonseca, teve parceria da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), Faculdade Unopar e Laboratório Labolmed e atendeu mais de cem pessoas.
Logo pela manhã a servidora municipal da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Marinalva Tomaz, 52 anos, o pintor Antônio Francisco Gonçalves, também de 52 anos e a agricultora Roseli de Paula, 50 anos, do distrito de Vargem Alegre, foram atendidos pela equipe com problemas e questões diferentes.
Marinalva, por exemplo, contou que quando descobriu que tinha Doença Renal Crônica (DRC), já tinha perdido um rim. “Agora, o outro está funcionado em apenas 32%. Hoje, vim buscar mais orientações e recebi aconselhamento sobre coisas que não posso consumir e o que fazer para adiar a entrada na hemodiálise”, conta ela.
Quem também esteve logo cedo, na abertura da ação, foi o secretário municipal de Saúde, Elcimar de Souza Alves. Ele destacou que 40% da população mundial é propensa a ter DRC e a ação deste sábado busca justamente prevenir a doença. “Fizemos essa parceria com a Med.Álise e outros parceiros para alertar as pessoas para o problema, que é mundial. Aqui, após toda a rotina de atendimento, nós encaminhamos para exames mais complexos, aqueles que estão com quadro de alterações renais”, destacou.
O pintor Antônio Francisco Gonçalves, morador da Vila Luciene, por sua vez, disse que tomou conhecimento da ação através da agente de saúde do seu bairro. “Ela me falou desta ação e eu vim conferir como está a saúde dos meus rins, uma vez que, no ano passado comecei a ter pedras nos rins. Já retirei quatro e ainda tem uma”, relata ele.
Gonçalves, no entanto, ficou feliz de saber que o problema, apesar de causar muita dor, não tem DRC grave. “Fui aconselhado pela nutricionista a mudar minha dieta radicalmente e beber muita água, pois isso ajuda a eliminar os cálculos renais”, conta.
O nefrologista Rafael Ângelo, que idealizou o Dia D, disse que uma em cada dez pessoas têm ou terá DRC, seja provocada por comorbidades como hipertensão, diabetes ou questões hereditárias.
“A gente idealizou essa ação em comemoração ao Dia Mundial do Rim, porque o objetivo da clínica e de todos os envolvidos é evitar que as pessoas tenham que fazer hemodiálise, um tratamento sem volta e que acontece três vezes por semana, em sessões que duram várias horas. É uma doença silenciosa e, se não houver prevenção, as pessoas acabam indo parar na hemodiálise”, explicou.
A agricultora Roseli de Paula, do distrito de Vargem Alegre, informou que teve constatadas alterações nas funções renais e, por isso, terá que fazer exames mais complexos para verificar o nível de lesão renal.
“Estou muito feliz por esta ação. A clínica e a Secretaria de Saúde estão de parabéns, acho importante prevenir e, se não fosse por esta ação, que é totalmente gratuita, talvez eu tivesse problemas renais sérios em breve.”
A coordenadora do curso de Enfermagem da Unopar em Barra de São Francisco, Cheila Sangi, disse que a instituição educacional aderiu ao Dia D como forma de estimular os estudantes a conhecerem as doenças que vão enfrentar após a formação.
A Unopar levou cerca de 25 estudantes do 6º e 7º período de Enfermagem para contribuir na ação, com cadastramento, pesagem e outras atividades durante o evento.
A assistente social da Med.Álise, Neuza Fernandes da Silva, por sua vez, relatou que a doença não escolhe classe social e elogiou o grande número de mulheres presentes, mais de 80% das pessoas que compareceram.
“É importante (a ação) não só para Barra de São Francisco, mas para toda a região. Nunca achava que isso aconteceria lá em casa, que meu marido ia ter uma doença dessas e, no entanto, ele está já há algum tempo fazendo hemodiálise”, conta ela, falando sobre o marido, advogado Mauly Martins, que recentemente transferiu o tratamento de Colatina para Barra de São Francisco.
Sobre a DRC
Segundo estimativa do Ministério da Saúde, no Espírito Santo, há atualmente 306.262 pessoas portadoras de Doenças Renais Crônicas (DRC). Quando se fala em DRC, entende-se como um termo geral para alterações heterogêneas que afetam tanto a estrutura quanto a função renal, com múltiplas causas e múltiplos fatores de risco. Entre as DRC’s mais comuns têm-se o cálculo renal, a infecção renal e o câncer de rim.
Atualmente, 2,9 mil realizam a diálise no Estado – procedimento responsável por remover toxinas e excesso de água do organismo quando os rins não funcionam de forma adequada. E em relação às internações hospitalares realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), o Estado registrou 5.208 internações em 2022.
Cuidados e prevenção
De acordo com a nefrologista e referência técnica da Gerência de Políticas e Organização de Redes de Atenção à Saúde (Geporas), da Secretaria da Saúde, Alice Pignaton Naseri, as principais causas para evolução de problemas nos rins são hipertensão e diabetes.
“Essas duas doenças são consideradas no Brasil as principais causas para as Doenças Renais Crônicas, uma vez que elas comprometem a atividade de diversos órgãos, como por exemplo os rins. Além disso, fatores como obesidade, histórico familiar, insuficiência cardíaca, hepática, insuficiência renal crônica, além do uso de medicamentos nefrotóxicos sem prescrição médica podem ocasionar e agravar o estado clínico do paciente”, explicou Alice.
Como medidas de prevenção, a nefrologista ressalta que é necessário adotar cuidados e mudanças no estilo de vida, como consumir alimentos saudáveis; diminuir o consumo de sal; beber bastante água; realizar exames de rotina e controlar os fatores de riscos das doenças.
Como verificar o funcionamento adequado dos rins
Para avaliar o funcionamento dos rins, é fundamental realizar, de forma regular, a dosagem de creatinina no sangue, sendo por meio dela estimada a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) renal. A creatinina é produzida normalmente pelo corpo e é eliminada na urina, e vai acumular no sangue caso os rins não consigam eliminá-la. Por isso, realizar a dosagem da creatinina no sangue é a melhor forma para descobrir precocemente se os rins estão funcionando bem.
Se o resultado do exame apontar que os níveis dessa substância estão acima do considerado normal, isso pode ser um sinal de lesão de regiões dos rins, responsáveis pela produção da urina.
Como explica a coordenadora do serviço de Nefrologia do Hospital Estadual Dório Silva (HDS), localizado na Serra, a médica nefrologista Lívia Maria Maia, considera-se portador de Doenças Renais Crônicas todas as pessoas que, independentemente da causa, apresente, por pelo menos três meses, a Taxa de Filtração Glomerular inferior a 60ml/min, que é calculada por meio da dosagem de creatinina.
A nefrologista alerta que as DRC são doenças consideradas assintomáticas, dificultando a identificação precoce. Entretanto, ressalta que a população fique atenta a algumas mudanças no organismo, que podem indicar problemas no funcionamento dos rins.
“É importante ficar atento a alguns sinais que podem indicar possíveis doenças renais, como urina espumosa, sangramento na urina, fadiga, perda de peso, náuseas, hipertensão arterial de difícil controle, entre outros. Ao identificar sinais como esses, o cidadão deve procurar ajuda médica o quanto antes para ser avaliado pelo médico e encaminhado aos tratamentos adequados de acordo com o quadro clínico”, ressaltou Lívia Maia. (Da Redação com Secom/ES)

























