Weber Andrade
Barra de São Francisco tem uma família inteira dedicada à Medicina. O médico Antonio Fernando Calvão, a esposa e psicóloga Vera Luce Kruger Calvão e os jovens Antonio Calvão Neto, 33 anos e Henrique Kruger Calvão, o Kiko, 32. Os dois cursaram Medicina na UFMG, em Belo Horizonte, onde o pai também se formou.
Dr. Antonio e Dra. Vera, como são mais conhecidos os pais, vieram para Barra de São Francisco ainda bem jovens, no final da década de 1980 – ele recém-formado em Medicina, ela em Psicologia – e aqui nasceram os dois filhos, hoje casados. Eles contam que os filhos seguiram o caminho da Medicina naturalmente, sem interferência.
“O Neto sempre quis ser médico desde muito criança, já o Kiko era mais de aventura, mas lembro que ele ficou muito impactado com um filme – Sete Vidas com o Will Smith – e mais tarde passou a se interessar mais pela Medicina”, conta Vera.
Já o pai, Antônio Calvão, que sempre foi um dos médicos mais conceituados de Barra de São Francisco, observa que os filhos tiveram liberdade de escolher o que queriam e, muito provavelmente, se interessaram pela Medicina porque ouviam coisas boas sobre a profissão em casa.
“Mas, para ser bom médico, é preciso cursar uma boa faculdade, além de gostar da Medicina, de lidar com pessoas”, observa Dr. Antônio.
Vera vai além e afirma que sempre ensinou os filhos a fazer pelos outros o que gostariam que fizessem por eles e também os valores cristãos de fazer o bem para o próximo.
Já Antonio Calvão destaca que sempre buscou passar para os filhos a importância de interagir com os pacientes, ouvir e não apenas ascultar, porque isso faz muita diferença para a cura. Ele salienta ainda que a Medicina vem se modernizando e os meios digitais estão acabando com esse convívio direto médico/paciente.
O primogênito do casal, Antonio Calvão Neto, primeiro a retornar a Barra de São Francisco, já exercendo a profissão, hoje atua no atendimento a pacientes do SUS, pela Secretária Municipal de Saúde (SEMUS) e também no Hospital Estadual Dr. Alceu Melgaço Filho (HDAMF).
“Minha opção pela Medicina foi mesmo natural, pela vontade de ajudar o próximo em momentos de necessidade, princípio que vem de família, e por isso, a vontade de seguir a carreira”, comenta.
“Decidi voltar para Barra de São Francisco porque nasci aqui, meus pais vivem aqui e eu quero retribuir tudo que o município me proporcionou, sou muito grato”, afirma.
No mesmo caminho, o caçula Henrique, o Kiko, conta que demorou um pouco mais a se decidir pela Medicina, mas o fez pensando no trabalho voluntário que ele admirava, como o dos médicos da Cruz Vermelha.
“Eu vinha desenvolvendo um trabalho relevante em Belo Horizonte, mas percebi que aqui no interior a vida é mais tranquila, na cidade grande os contatos às vezes são muito superficiais”, compara.
Kiko também destaca que, aqui na região, são pouquíssimos os especialistas em Pneumologia o que torna seu trabalho ainda mais relevante para a sociedade.
Pandemia
A família revela que ninguém esperava viver uma pandemia como a da Covid-19 e os dois filhos tiveram atuação destacada durante o auge da contaminação.
Neto Calvão chegou a atuar na UTI do HDAMF no ano passado, no período em que o hospital se encontrava lotado de pacientes e muita gente morrendo de Covid-19.
Na época, a UTI teve que ser totalmente isolada para cuidar apenas de pacientes de Covid-19. A medida, segundo Neto, prejudicava, de início, o atendimento a outros pacientes não portadores da Covid-19, mas “foi um mal necessário”.
Já o jovem Kiko, lembra que recebeu, em Belo Horizonte, o primeiro paciente da nova doença: “Eu estive no centro do furacão, no meu último ano de formação, foi muito difícil, mas a pandemia ainda não acabou. Hoje, temos muita gente com sequelas, como falta de ar, doenças musculares e outras”, finaliza.

O papel do médico
O papel do médico, como profissional responsável pela promoção da saúde da população, incentivo a uma vida saudável e prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, é imprescindível em nossa sociedade, por isso, nada mais justo do que dedicarmos um dia em sua homenagem. O Brasil comemora o Dia do Médico em 18 de outubro, data em que também é celebrado o Dia de São Lucas, o santo protetor dos médicos, mas a data pode variar ao redor do mundo.
A origem do Dia do Médico no Brasil
A escolha do dia 18 de outubro para homenagear os médicos no Brasil tem origem cristã. Nessa data, a Igreja Católica comemora o Dia de São Lucas, um santo que em vida foi médico e, por isso, é considerado o protetor dos médicos pelos católicos.
O estabelecimento do Dia do Médico no Brasil é atribuído a Eurico Branco Ribeiro, um conhecido médico paranaense. Entretanto, não existem informações exatas sobre quando a data foi estabelecida no país.
O idealizador do Dia do Médico no Brasil nasceu em Guarapuava, em 1902, se formou em Medicina pela Faculdade de Medicina de São Paulo, em 1927, foi professor de cirurgia e fundou o Sanatório São Lucas, em São Paulo. Além de médico, ele foi escritor e filantropo e também era um cristão devotado. Assim, surgiu seu interesse pela vida de São Lucas, levando-o a pesquisar sobre essa figura cristã, o que resultou em alguns livros a respeito do santo.
primeiro foi lançado em 1969. “Médico, Pintor e Santo” é uma obra de quatro volumes com mais de 600 páginas. Nela, Ribeiro cita que a Universidade de Pádua, na Itália, começou o seu ano letivo de 1463 em um dia 18 de outubro para homenagear São Lucas, que foi anunciado patrono do “Colégio dos Filósofos e Médicos”.
O médico paranaense ainda lançou mais duas obras sobre São Lucas: “O Livro que Lucas não Escreveu”, em 1969, e “Lucas, o Médico Escravo”, em 1974. Seus estudos e publicações fizeram com que fosse considerado um dos maiores entendedores de São Lucas em todo o mundo.
Dia do Médico e São Lucas
São Lucas, padroeiro dos médicos na religião católica, foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Em ordem cronológica, seu evangelho é o terceiro, após os evangelhos de Mateus e Marcos. Ele também escreveu o “Ato dos Apóstolos”, que serve como complemento do evangelho. Embora Lucas não tenha convivido pessoalmente com Jesus, seus textos são baseados nos depoimentos de pessoas que foram testemunhas da vida e da morte do Messias cristão.
Além de médico, acredita-se que São Lucas também era pintor, historiador e músico. Considerado patrono dos médicos desde o século XV, ele teria estudado Medicina na Antioquia, cidade onde também teria nascido. A Antioquia era uma cidade que hoje está localizada em um território sírio. Na época de Lucas, a cidade foi um dos centros mais importantes da civilização helênica na Ásia Menor. O médico não era hebreu e sim gentio, denominação dada a todo aquele que não seguia a fé judaica, tendo posteriormente se convertido ao cristianismo. Ele teria vivido no século I d.C., mas não se sabe com exatidão a data de seu nascimento, bem como a data de sua morte.
Na verdade, não há informações precisas sobre a vida de São Lucas, mas acredita-se que ele morreu aos 84 anos. Não se sabe com clareza se a data 18 de outubro se refere ao seu nascimento ou à sua morte.
Mesmo sem provas documentadas, para a Igreja, existem provas indiretas de que ele foi médico, sendo possível encontrar as principais delas na própria Bíblia. A primeira está na epístola aos colossenses, quando São Paulo se refere a ele como “Lucas, o amado médico”. Lucas e Paulo teriam sido grandes amigos. Referências históricas também dizem que Lucas foi um médico bondoso, abnegado e que se dedicava aos seus pacientes.
Outro indício de sua profissão está na terminologia usada por ele mesmo em seus escritos. Em algumas passagens, Lucas usa termos e palavras que mostram certa familiaridade com a linguagem médica da época. Esse indício se tornou objeto de estudos críticos comparativos entre os textos dos evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas, sendo indicado pela Igreja Católica como relevante na comprovação de que São Lucas foi mesmo médico.
Diversos países da América Latina, como Argentina, Uruguai, Cuba e Paraguai, celebram o Dia Internacional del Médico em 3 de dezembro, em homenagem ao médico de origem cubana Dr. Carlos Finlay, responsável por comprovar a teoria de que a febre amarela se propaga através do mosquito Aedes aegypti, salvando milhares de vidas no continente e impulsionando as pesquisas médicas na América tropical. A data foi estabelecida pelo Pan American Medical Congress, em 1933, em Dallas, nos Estados Unidos. O evento coincidiu com o centenário do nascimento do médico (3 de dezembro de 1833).
A Venezuela celebra el Dia del Médico Venezolano desde 1955 no dia 10 de março, data de nascimento de José María Vargas, que, além de médico, foi presidente da República, inovador da medicina no país e o primeiro reitor da Universidade Central da Venezuela.
Já o México comemora em 23 de outubro el Dia del Médico. A data foi escolhida como forma de celebrar a inauguração do Establecimiento de Ciencias Medicas, em 1833, uma instituição de ensino superior responsável por desenvolver a medicina nacional.
Importância do Dia do Médico
A comemoração do Dia do Médico é uma forma da sociedade como um todo reconhecer e homenagear o trabalho desse profissional, que dedica a sua vida ao bem-estar e à minimização dos sofrimentos da população. É uma data simbólica, que nos permite agradecer os sacrifícios e a dedicação de cada médico que já cuidou de nós.
Além da grande responsabilidade que essa profissão exige, muitos médicos enfrentam muitas dificuldades todos os dias, como a falta de recursos e de estrutura em muitos hospitais do Brasil. Mais do que um reconhecimento da importância dessa classe, o Dia do Médico é também uma data para se pedir mais investimentos na área da saúde e por condições de trabalho adequadas.
























