‘Moqueca é capixaba, o resto é peixada’. Será? A frase conhecida em todo o Brasil é de autoria do jornalista e escritor do Espírito Santo Cacau Monjardim. É na data do seu aniversário, 30 de setembro, que foi instituído e passou a ser comemorado o Dia da Moqueca Capixaba. Tão famoso quanto o prato é a polêmica sobre quem tem a melhor iguaria do país.
Cacau morreu em 2022 aos 93 anos e criou a expressão depois de uma viagem ao Estado da Bahia, onde provou o prato baiano e depois fez o elogio ao prato capixaba ao compará-lo com o do vizinho.

Moqueca mineira
Mas, se o Dia da Moqueca foi criado em razão de uma capixaba, e a disputa da ‘melhor moqueca’ é entre capixabas e baianos, em Minas Gerais, o prato também tem suas peculiaridades e chama a atenção pelos peixes. Em Governador Valadares, por exemplo, a moqueca de cascudo (peixe de água doce) ou de robalo (também de água doce) são as preferidas.
A moqueca mineira é muito parecida com a capixaba – não leva dendê nem leite de coco e nem pimentão – mas os peixes geralmente são de água doce o que a diferencia muito da capixaba.
Em Barra de São Francisco, na divisa com Minas Gerais, a moqueca de cascudo também é um das preferidas. O empresário Janildo Rocha, por exemplo, diz apreciar muito moquecas com peixe de água doce.
Moqueca capixaba x baiana
A principal diferença entre os pratos do Espírito Santo e da Bahia é que os baianos não abrem mão do leite de coco, pimentão e do azeite de dendê enquanto a receita dos capixabas não conta com os três ingredientes e costuma ter tintura de urucum, peixe, gotas de limão, tomate, cebola, coentro e azeite.
Na moqueca capixaba, o peixe e outros frutos do mar são cozidos sem água juntamente com os vegetais.
Por inúmeras vezes, essa ‘rivalidade’ entre as moquecas capixaba e baiana ganhou repercussão. Em 2017, uma disputa bem-humorada entre os perfis do Facebook do Governo do Estado do Espírito Santo e da Prefeitura de Salvador, na Bahia, debateu qual das duas regiões faz a melhor moqueca. No ano de 2020 as receitas de cada Estado foram confrontadas em um duelo virtual.
O Dia da Moqueca Capixaba foi instituído ao calendário da cidade de Vitória em 2012, por meio da Lei Municipal 8.813.
Além disso, a Lei Estadual 7.567 de 2003, instituiu a moqueca capixaba como comida típica do Estado do Espírito Santo.
Receita de moqueca capixaba
1,5 kg de peixe (badejo, robalo, papaterra, dourado, namorado ou cação)
3 maços de coentro
3 maços de cebolinha verde
1 cebola média
3 dentes de alho
4 tomates
pimenta malagueta
azeite de oliva
urucum
óleo de soja
Modo de preparo
Tempo: 1h30min
Corte o peixe em postas;
Lave bem com limão e deixe descansando em um prato com água de sal fraca;
Soque o alho, três rodelas de cebola, um maço de coentro picado, um maço de cebolinha verde e sal;
Esfregue no fundo da panela de barro um pouco de óleo de soja (duas colheres) e azeite de oliva (uma colher);
Adicione à panela a massa obtida no socador, passando-a no seu fundo;
Retire as postas de peixe do prato com água e sal;
Vire as postas de um lado para o outro nos temperos da panela;
Arrume-as de modo que não fiquem umas por cima das outras;
Corte o resto do coentro, da cebolinha verde, do tomate e da cebola e coloque nesta ordem por cima das postas de peixe que estão na panela;
Regue com um pouco de azeite e suco de limão;
Deixe tudo descansando por uns 20 a 40 minutos
Derreta em um pouco de óleo três colheres de urucum
Na hora de levar ao fogo para cozinhar, despeje um pouco deste caldo por cima da moqueca;
Quando começar a abrir fervura, verifique o sal;
Não ponha água, não vire as postas e cozinhe com a panela aberta;
Vá verificando o paladar do sal e do limão;
Deixe no fogo forte por uns 20 minutos;
Balance de vez em quando a panela com o auxílio de um pedaço de pano grosso, para que as postas de peixe não agarrem no fundo;
Vai bem com arroz branco e pirão.
(Da Redação com g1 Espítito Santo e site Tudo Gostoso)





















