As seleções de Inglaterra, País de Gales, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Suíça anunciaram em comunicado conjunto que não vão usar as braçadeiras de capitão coloridas em seus jogos do Mundial 2022, depois de a FIFA ter ameaçado que os capitães de equipe poderiam receber cartão amarelo por entrarem em campo com as cores da comunidade LGBTQIA+.
“A FIFA deixou muito claro que imporá sanções desportivas se os nossos capitães usarem as braçadeiras em campo”, refere a nota das federações.
“Não podemos colocar os nossos jogadores numa posição em que possam enfrentar sanções desportivas, incluindo cartões amarelos, por isso pedimos aos capitães que não tentem usar as braçadeiras nos jogos do Mundial”, seguiu a nota.
As seleções estavam dispostas a pagar multas, mas reconhecem que não podem sujeitar os jogadores a “receber um cartão amarelo ou até mesmo serem forçados a deixar o campo”.
“Estamos muito frustrados com a decisão da FIFA, que acreditamos ser sem precedentes – escrevemos à FIFA em setembro para informar sobre o nosso desejo de usar a braçadeira One Love para apoiar ativamente a inclusão no futebol, e não tivemos resposta”, conclui a nota.
Ainda sobre o tema, a federação holandesa usou seu site oficial garantindo que fará “uma análise crítica” à relação com o organismo que tutela o futebol mundial.
Vale lembrar que nesta segunda-feira três países que usariam a braçadeira estreiam na Copa do Mundo do Catar. A Inglaterra encara o Irã às 10h00, a Holanda joga contra o Senegal às 13h00 e o País de Gales fecha os jogos do dia diante dos Estados Unidos, às 16h00.
A questão vem gerando polêmica e se transformou em queda de braço entre a Fifa e algumas seleções do continente. Segundo o jornal “The Telegraph”, após tentativas de diálogo, a Fifa disse à Football Association (federação inglesa) que o regulamento não permite o uso da braçadeira nas cores do arco-íris. O clima, no entanto, é de pouca clareza e indefinição.
Confira a tabela completa da Copa do Mundo
No último sábado, 19, a Fifa anunciou uma campanha em parceria com a ONU que prevê a exibição de mensagens humanitárias nas faixas usadas pelos capitães das 32 seleções que disputam a Copa. O problema é que tal ação foi entendida por algumas seleções como uma tentativa de a entidade tentar sufocar o movimento “One Love”, lançado alguns meses atrás, que conta com uma braçadeira com as cores do arco-íris como uma mensagem de protesto contra as leis anti-LGBTQIA+ do Catar.
Também no sábado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, deixou claro que gostaria de ver sua campanha em campo na Copa do Mundo, e não a dos países europeus.
“As faixas são dadas pela Fifa aos times, e teremos várias campanhas de inclusão. Temos que achar tópicos sobre os quais todos concordam”, respondeu.
A Fifa chegou a abrir conversas com as seleções para tentar resolver a crise antes de estas seleções entrarem em campo. O regulamento da Copa do Mundo diz que a faixa de capitão faz parte do equipamento fornecido pela Fifa para as seleções – como garrafas de água que ficam nos bancos de reservas, os coletes usados pelos reservas, as bolsas que os médicos usam quando entram em campo para atender jogadores lesionados.
Ainda de acordo com o “The Telegraph”, há uma preocupação das seleções europeias com um possível cartão amarelo para os capitães caso eles estejam usando a braçadeira. O pagamento de multas também já era previsto pelas equipes. O jornal destacou, ainda, que a Fifa garante que precisa aprovar qualquer mudança de equipamento usado pelos jogadores em campo.

Das seleções que pretendiam aderir à campanha pró-LGBTQIA+, a primeira a ir a campo será a Inglaterra. Capitão da equipe, o atacante Kane afirmou, no último domingo, que deseja usar braçadeira com as cores do arco-íris na estreia da sua seleção na Copa do Mundo. Segundo Kane, a decisão foi tomada em conjunto por jogadores e comissão técnica.
“Foi uma decisão do time, comissão técnica e organização que queremos usar a braçadeira. Eu sei que a FA (federação inglesa) está falando com a FIFA e tenho certeza que para o nosso jogo de amanhã eles já terão uma decisão. Mas deixamos claro que queremos usar”, disse Kane.
O País de Gales tem a mesma posição de usar a braçadeira na estreia diante dos Estados Unidos. Capitão da Holanda, Van Dijk também afirmou que deseja levar as cores do arco-íris no braço contra Senegal.
“Eu vou usar a braçadeira do “One Love”. Nada mudou do meu ponto de vista. Se eu receber um cartão amarelo por causa da braçadeira, então teremos que discutir sobre isso, porque eu não gosto de jogar com cartão amarelo” – disse o jogador.
O Catar recebe críticas pelo seu histórico de problemas relacionados aos direitos humanos – como no caso dos trabalhadores imigrantes e da posição do país sobre os direitos das mulheres e de pessoas LGBTQIA+. O país-sede tem leis LGBTfóbicas, e a violação de direitos preocupa ativistas relacionados à causa.
O Código Penal do Catar proíbe a homoafetividade para homens e mulheres e prevê, como pena máxima, até o apedrejamento. Apesar de prever em seu estatuto, no artigo 3, a proteção dos direitos humanos, a Fifa tem evitado se posicionar sobre a questão. Entidades que lutam por direitos da população LGBTQIA+ esperavam que a entidade pressionasse por uma reforma na lei do país, o que não ocorreu. (Da Redação com ge)


























