O valor global da cesta básica estipulada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para a sobrevivência de uma família de quatro pessoas, teve um aumento de 5,53% entre novembro e dezembro do ano passado, em Barra de São Francisco, passando de R$ 511,37 para R$ 539, 66. (Veja as tabelas)
Mas o comportamento anual dos preços foi ainda pior. Entre janeiro e dezembro de 2020, a cesta acumula aumento de 27,21%. No início do ano passado, o custo da ração mensal da família brasileira era de R$ 424,21, um acréscimo de R$ 115,45 ao longo do ano.
O preço da cesta ultrapassou pela primeira vez de R$ 500,00 em Barra de São Francisco no mês de outubro.
Entre novembro e dezembro, a batata inglesa (34,25%), o tomate (17,91%) e feijão (9,86%), foram os produtos que mais subiram.
Dos 13 produtos da cesta básica do Dieese, apenas 8 tiveram aumento e 6 tiveram redução nos preços em Barra de São Francisco, no mês passado. O arroz manteve o preço médio estável em relação a novembro.
No ano – De janeiro a dezembro de 2020, 11 produtos tiveram alta nos preços e apenas dois registraram redução. O arroz é, de longe, o produto que mais encareceu: Passou de R$ 13,94 a sacola de 5k, em janeiro para R$ 24,90 em dezembro, um aumento de 78,62%.
Em seguida, vem o óleo de soja, que passou de R$ 4,47 a embalagem padrão de 900 ml para R$ 7,70 no final de dezembro, uma elevação de 72,26%. A batata (53,12%), a carne (47,89%) e o tomate (36,67%) são os que mais contribuíram para o aumento total do custo da cesta.

Vitória – Na capital capixaba, após um aumento de 9,72% de outubro para novembro, o custo total da cesta básica teve redução de 1,04% em dezembro, caindo de R$ 606,59 para R$ 600,28.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, o valor da cesta teve aumento de 20,24%. O óleo de soja foi o produto que mais encareceu, com aumento de 105,96%. Em seguida vem a batata (89,82%), o arroz (76,835) a banana (59,72%) e o feijão (55,40%).
Brasil – Os dados da pesquisa do Dieese indicaram que, em 2020, os preços do conjunto de alimentos básicos, necessários para as refeições de uma pessoa adulta aumentaram em todas as capitais. As maiores altas foram registradas em Salvador (32,89%) e Aracaju (28,75%). Em Curitiba foi observada a menor elevação (17,76%).
Entre novembro e dezembro de 2020, o custo da cesta foi maior em nove cidades e menor, em oito; com destaque para as elevações de João Pessoa (4,47%), Brasília (3,35%) e Belém (2,96%).
As maiores diminuições foram registradas em Campo Grande (-2,14%) e Salvador (-1,85%).
Em São Paulo, capital onde foi realizada coleta presencial desde o início da pandemia, a cesta custou R$ 631,46, com alta de 0,36% na comparação com novembro. Em 2020, o preço do conjunto de alimentos subiu 24,67%.

Salário mínimo – Com base na cesta mais cara que, em dezembro, foi a de São Paulo, o Diesse estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.304,90, O que corresponde a 5,08 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.045,00. O cálculo é feito levando-se em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.
O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta para o conjunto das capitais, considerando um trabalhador que recebe salário mínimo e trabalha 220 horas por mês, foi, em dezembro, de 115 horas e 8 minutos, maior do que em novembro, quando ficou em 114 horas e 38 minutos.
Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (alterado para 7,5% a partir de março de 2020, com a Reforma da Previdência), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em dezembro, na média, 56,57% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em novembro, o percentual foi de 56,33%. (Weber Andrade com Dieese)


























