*José Caldas da Costa
Fomentada pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a Ferrovia Litorânea Sul, ligando Santa Leopoldina a Ubu passou a ser um sonho mais distante do Espírito Santo – pelo menos na modelagem desenhada de um compromisso da Vale como parte do pagamento da antecipação da renovação das outorgas da Vitória-Minas e da Estrada de Ferro Carajás.
A atual gestão federal considerou danoso para a União o acordo do governo Jair Bolsonaro e notificou a Vale a pagar R$ 25,7 bilhões pelo direito de uso das duas ferrovias, conforme registra Abdo Filho no portal A Gazeta. Na negociação anterior, a Vale pagaria R$ 11,8 bilhões e faria a Ferrovia da Integração Centro-Oeste (Fico). O ramal da Vitória-Minas até Ubu (Anchieta) era apenas um “compromisso” e não uma obrigação contratual.
Os valores acordados estão muito abaixo do que realmente vale a concessão, na avaliação do ministro Ranan Filho, dos Transportes. Se antes as autoridades capixabas falavam em projeto, licenciamento,desapropriações, construção e entrega do ramal Sul até 2030, agora tudo isso pasaa a ser um sonho etéreo.

Diante disso, aumenta – e muito – a expectativa em relação à Ferrovia do Norte do Espírito Santo, um complexo privado projetado pela Petrocity Ferrovias para integrar ao Vale do Aço e ao Cerrado Brasileiro o Terminal de Uso Privativo de Urussuquara, em São Mateus, da Petrocity Portos, que está lançando também o projeto de um porto marítimo no Pará.
O complexo da Petrocity é composto de quatro ferrovias, cujos contratos de autorização foram firmados com a Agência Nacional de Transportes Terrestres. A autorização é válida por 100 anos e a empresa tem 10 anos, a partir de 2022, para entregar os 2,1 mil quilômetros prontos. “Estamos cumprindo os prazos”, garante José Roberto Barbosa da Silva, presidente da Petrocity Group.
Uma ferrovia sai de Urussuquara e segue pelo Noroeste do Espírito Santo e Leste de Minas até Santana do Paraíso (região de Ipatinga). Integrada através de uma Unidade de Transbordo e Armazenamento de Cargas (UTAC), de Barra de São Francisco sai outra ferrovia, a Juscelino Kubitschek, até Brasília, passando pelo Nordeste e Norte de Minas.
Em Unai, integrada também por uma UTAC, sai a EF Brasil Central até Campos Verdes (GO), com um ramal de 50 quilômetros saindo de Corumbazinho de Goiás até Anápolis. Estes projetos estão orçados em R$ 23 bilhões, totalmente em recursos privados. A execução ficará por conta da Odebrecht Engenharia, que também construirá o porto de São Mateus, estimado em R$ 3,2 bilhões.
O CEO da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva, terá duas oportunidades para atualizar o mercado capixaba sobre seus projetos: dia 22 de fevereiro, em Pinheiros, convidado pelo pessoal do agronegócio, através da Frente Parlamentar do Desenvolvimento Econômico e Social do Noroeste e Extremo Norte do ES; e no dia 1o de abril como debatedor do seminário “Infraestrutura Logística do Espírito Santo”, na Findes.
No ano passado, aproveitando a agenda do presidente Lula no país oriental, uma semana antes do Chefe da Nação, o CEO José Roberto foi à China apresentar o porto e as ferrovias e atrair capital chinês para os investimentos.






















