*José Caldas da Costa
Quando veio a pandemia, sugeri a um prefeito amigo duas ideias: primeira, o bosque da memória; segunda, o bosque da vida. A primeira iideia tinha um caráter temporário, a segunda seria para a posteridade.
O bosque da memória tinha o objetivo de homenagear as vítimas da pandemia de Covid, que matou quase 300 pessoas em Barra de São Francisco, na região Noroeste do Espírito Santo.
Acolhida a ideia imediatamente, o bosque foi implantado e está em pé dentro de uma reserva municipal no perímetro urbano da cidade.
No dia da solenidade, muita emoção: as famílias das vítimas da Covid receberam uma muda de árvore nativa, que foi plantada, coletivamente, por eles. Em cada árvore o nome do familiar homenageado. Assim, ao cuidar da árvore, a família sente como se seu ente querido estivesse vivo.
O bosque da vida tem um sentido similar, porém, inverso.
A ideia é adquirir uma área, preferencialmente, degradada nas cercanias das cidades. A cada criança que nascer na cidade os pais ganham uma muda de uma espécie nativa e plantam no bosque. É a árvore da vida do filho, que será cuidada pela própria família.
Na medida em que a criança for crescendo, vai ser levada para ajudar a cuidar da árvore de sua vida.
A ideia é que, a partir dessa iniciativa, a criança crie um vínculo de cuidado com a planta e internalize o conceito de que árvore é vida.
De acordo com dados do IBGE e da Transparência do Registro Civil, o Brasil registra, diariamente, 6,9 mil nascimentos, ou 321 por hora.
Em Barra de São Francisco, há 4.023 crianças com idade até 6 anos. Isso significa que, uma vez adotado, o Bosque da Vida hoje teria aproximadamente 4 mil árvores plantadas e sendo cuidadas. Teríamos já plantados cerca de três campos de futebol, no mínimo.
Agora, imagine comigo: se o bosque da vida for adotado em cada um dos 5.571 municípios brasileiros, teremos uma média de 2.518.500 árvores plantadas por ano em nosso País. Plantadas e sendo cuidadas. Em dez anos, serão quase 26 milhões de árvores sendo plantadas e cuidadas.
Isso significa 25 mil hectares de novas florestas sendo plantadas no Brasil, de forma sistemática, por ano. Em dez anos, seriam 250 mil hectares.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Florestas, o Brasil precisaria plantar 1,2 trilhão de árvores para contribuir com a contenção do aquecimento global.
Os bosques da vida significariam muito pouco perto da necessidade real, mas seria um passo – ou uma gotinha de água no incêndio, para lembrar a história do Beija-Flor querendo apagar o fogo na floresta.
Por outro lado, os bosques da vida muito poderiam significar para o engajamento futuro de nossa população na preservação do meio-ambiente. Educação que viria de berço.
O tempo, inevitavelmente, vai passar. Melhor com árvores do que sem elas.
*José Caldas da Costa é jornalista, geógrafo e escritor
























Mto boa a proposta das dos dois plantios. O primeiro foi implementado no total. Pena que o local escolhido foi muito nivelado com área de leito de cheias do Rio e boa parte foi varrida na primeira enchente, que pude constatar embora não tenha tido a oportunidade de constatar o replantio.
A proposta é muito louvável e merece toda a ação de perenidade.