Weber Andrade*
“É de grão em grão que a galinha enche o papo”, ou “aquele sujeito é muito papudo”. São algumas das expressões que ouvimos no dia-a-dia, nos ‘bate-papos’ da vida.
Mas, quem sabe realmente o que é o papo? Nas aves, o esôfago apresenta uma dilatação em forma de saco designada por papo. Os alimentos são aí armazenados temporariamente, permitindo uma diminuição da frequência de refeições porque os alimentos permanecem no papo e só depois é que passam a um ritmo adequado para o pro-ventrículo.
Nos seres humanos, o papo, fora da linguagem figurada, é uma espécie de patologia chamada pelos médicos popularmente, de bócio.
O bócio é o nome dado à glândula da tireoide quando esta encontra-se aumentada de tamanho. Considerado normal com volume de até 15 cm³, o bócio é caracterizado por valores acima desta medida e podem ou não estar relacionados com alterações hormonais.

O médico de Pescoço e Cabeça, Hélio Emerich Neto, que é referência em cirurgias de bócio, e atua no Hospital de Barra de São Francisco conta que já fez várias cirurgias de bócio na região, inclusive operou uma mulher que esperava a cirurgia há 15 anos.
Um dos projetos dele é dar aulas sobre problemas de cabeças e pescoço para médicos e enfermeiros em geral aqui em Barra de São Francisco e até me outros municípios da região.
“É um projeto que tenho, sem ônus para o município, bastaria agendar uma data com eles, eu levaria um pen-drive e daria a aula no power point. Com certeza, seria muito útil para essas profissionais aprenderem a identificar quando pedir uma consulta especializada com o médico de pescoço e cabeça, evitando gastos desnecessários”, informa.
“Eu tenho que agradecer e elogiar a iniciativa do prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos e do seu secretário de Saúde, Elcimar, pelo grande apoio que têm dado ao nosso trabalho aí no município, um exemplo a ser segido por muitas outras prefeituras da região que acabam ‘esquecendo’ as pessoas com doenças de cabeça e pescoço, enviando-as para grandes centros, onde esperam anos por uma cirurgia”, observa o médico.
“Esse (veja abaixo) é o fluxograma que poderia ser colocado em todos as unidades de saúde das regiões. Explica quais exames pedir, quando pedir a biópsia, como fazer e inspeção do pescoço, e quando encaminhar ao cirurgião de cabeça e pescoço. Diminui gastos de exames desnecessários, além de diagnosticar e encaminhar o paciente o mais breve possível”, detalha.

Sobre o Bócio
“Existem dois tipos de bócio: nodular e difuso. No nodular o aumento da tireoide é causado por nódulos de diversos tamanhos. O difuso é quando o aumento ocorre sem a presença de nódulos. Em alguns casos, o bócio pode causar muita problemas, como dificuldade de se alimentar e até de respirar”, explica Emerich Neto.
O difuso é somente um aumento benigno. Já no multinodular, cada nódulo deve ser investigado com cuidado, pois pode acontecer de nódulos benignos se transformarem em malignos com o tempo.
De acordo com a médico, existem causas bem definidas para o aparecimento do bócio, como a deficiência de iodo na alimentação ou um tipo específico de hipertireoidismo, chamado de Doença de Graves.
“Ambas as causas geram bócios difusos. Já os bócios nodulares ou multinodulares, podem ter diversos fatores envolvidos, como alterações genéticas e a deficiência de iodo também. No entanto, a origem genética ainda não está totalmente esclarecida”, comenta.
Com relação aos sintomas, eles dependem de dois fatores: do volume do bócio e se tem ou não alguma alteração hormonal associada. Quanto maior o bócio, maior os sintomas de “compressão” que são: falta de ar, engasgos, dificuldade de engolir alimentos sólidos e vermelhidão no rosto ao levantar os braços. Se o bócio for causado pela Doença de Graves, o paciente terá sintomas de hipertireoidismo, que são: taquicardia, tremores, perda de peso, muito suor e cansaço.
Para se diagnosticar o bócio, no exame físico o médico irá apalpar um aumento do volume da tireoide. Se for do tipo multinodular ou difuso, ele já sentirá no toque do pescoço. Porém, segundo a endocrinologista, a ultrassonografia da tireoide é o melhor exame para medir o tamanho do bócio e a avaliar presença e as características dos nódulos.
Em casos de bócios muito grandes, que chegam a entrar na região do tórax, a tomografia de tórax pode ajudar. Esses são conhecidos como bócios mergulhantes.
Dependendo do tamanho do bócio e da presença ou ausência de nódulos, o tratamento pode ser feito de três maneiras: com medicamento (em casos mais leves), através de cirurgia (no caso de bócios muito grandes, mergulhantes e com diversos nódulos ou com suspeita de malignidade) ou com iodo radioativo.
Se o tratamento escolhido for a cirurgia ou o iodo radioativo, o bócio não volta. No entanto, em caso de bócio por deficiência de iodo, este sim pode voltar se o paciente voltar a ter essa deficiência.
*Com informações do site tireoide.org.br






















