*João Gualberto Vasconcelos
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo acompanha as grandes transformações pelas quais passou o nosso Estado e faz parte delas.
Ao acompanhar e participar de nosso processo político, a Casa registrou em seus arquivos, ao longo do tempo, os debates e as discussões sobre a formação econômica e da própria cidadania no Espírito Santo.
Podemos afirmar que ela ajudou a moldar a nossa identidade ao longo desses 190 anos, contribuindo para a representação dos cidadãos e de seus interesses.
Tanto é assim que, em seus arquivos, estão preservados documentos que contam muito da nossa história, incluindo conflitos e conquistas democráticas. São episódios que nos ajudam a compreender a trajetória da sociedade capixaba e o importante papel do seu poder legislativo.
Entretanto, quando tanta história permanece restrita aos arquivos, ou mesmo aos ambientes mais intelectuais, corre o risco de se afastar do cidadão comum. É justamente para evitar esse afastamento que a exposição em cartaz, no momento, na Assembleia Legislativa assume importância.
A mostra está aberta ao público desde o dia 26 de maio, na sede do poder legislativo, na Enseada do Suá, e materializa um amplo trabalho de pesquisa, organização documental, catalogação e interpretação histórica.
O trabalho foi realizado por uma equipe de historiadores da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenada pelas professoras doutoras Adriana Campos e Kátia Motta, contando também com uma equipe ampla, tanto na pesquisa quanto na digitalização dos documentos.
Para isso, foi criado um comitê técnico, coordenado pelo secretário de relações institucionais da Assembleia, Giuliano Nader. Sou o coordenador de conteúdo histórico.
A exposição, com o nome 190 Caminhos da Cidadania, transforma a pesquisa em experiência sensorial. O projeto expográfico é do conhecido artista plástico e designer Ronaldo Barbosa e articula acervos, imagens, recursos audiovisuais e obras de artistas contemporâneos em um percurso que aproxima memória, cidadania, democracia e futuro.
Dessa forma, com uma belíssima estética e conectando passado e presente, a arte amplia a capacidade da história de dialogar com diferentes públicos e cria novas formas de compreender a trajetória política, social e cultural do Espírito Santo.
Além disso, a pesquisa histórica é um projeto de extensão da Ufes que tem como um de seus objetivos aproximar conhecimento e grande público.
Ao abrir as suas portas para a sociedade, a Assembleia Legislativa compartilha parte significativa de sua própria história e fortalece a ideia de que a democracia se constrói por meio de acesso, da transparência e do reconhecimento da trajetória coletiva de um povo em seu território cultural.
Essa dimensão pública se amplia através do projeto educativo da mostra, voltada para estudantes – inclusive das escolas públicas –, professores e jovens visitantes.
Em um momento fortemente marcado pelo distanciamento entre instituições e sociedade no Brasil, aproximar crianças e jovens da história do parlamento capixaba significa fortalecer valores democráticos, estimular o pensamento crítico e ampliar a compreensão sobre a vida pública e o papel das instituições na construção da cidadania.
Enfim, a exposição 190 Caminhos da Cidadania convida os capixabas para um reencontro com os fatos que ajudaram a construir o Espírito Santo ao longo de quase dois séculos.
Caminhar pela história da Assembleia Legislativa é também compreender uma parte importante das transformações, tensões, avanços e desafios que ajudaram a moldar o progresso e a prosperidade capixabas.
É importante que todos visitem esses 190 Caminhos da Cidadania, que celebrem a democracia, que volta e meia é ameaçada por soluços autoritários e propostas fáceis que, no fundo, só interessam a um pequeno grupo de privilegiados.
*João Gualberto Vasconcelos é cientista político, professor emérito da Ufes
























