O acervo do ÁfricaBrasil Museu Intercontinental, instalado no Porto de São Mateus, na microrregião Nordeste do Espírito Santo, voltou a circular depois de dez anos de sua última exposição realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília. Há anos o museu está fechado à visitação pública por dificuldades de seu curador em custear sua manutenção.
Desde segunda-feira (15) as peças estão expostas a visitação pública no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde ficam até 9 de agosto, e os organizadores esperam mais de 500 mil visitantes. Uma produtora está programando futuras exposições em várias outras capixabas, como São Paulo e Salvador.

A exposição “Arte Tribal Africana”, do escritor e colecionador Maciel de Aguiar, tem visitação gratuita, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, no Palácio Tiradentes (R. 1º de Março, s/nº). A exposição conta com cem obras raras, criadas por civilizações do continente africano entre os séculos XVII e XX, que fazem parte do acervo de quase quatro mil peças do África-Brasil Museu Intercontinental, em São Mateus (ES).
“Foi uma grata satisfação ser convidado para participar da abertura da mostra, à qual compareceram outras lideranças e expoentes da cultura negra e popular, como os atores Déo Garcez e Maria Ceiça, o líder comunitário Romério Duarte, o companheiro Adriano Queiroz, o escritor Luiz Carlos Prestes Filho e o diretor artístico da exposição, Altair Veloso, dentre outros”, disse o vereador carioca Edson Santos.
CONTRIBUIÇÃO
Segundo o parlamentar, “é uma exposição importante para o Rio, que durante o tempo em que vai estar em cartaz, vai se integrar ao roteiro afro turístico da cidade. É também uma oportunidade para que os estudantes cariocas entrem em contato com um pouco da cultura do continente africando, fazendo cumprir o que preceitua a Lei nº 10.639/2003, que determina o ensino obrigatório da cultura afro-brasileira em todas as escolas brasileiras de ensino médio e fundamental”.
“As peças raras que compõem esse acervo contam parte da história do continente africano, reconhecendo sua importância, riqueza cultura e contribuição para a construção da civilização brasileira”, comentou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), que é de Campos dos Goytacazes, onde os africanos escravizados deixaram profundas marcas culturais e econômicas.
Comentando a importância da exposição, o secretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro, Gustavo Tutuca, salientou que a cultura africana tem um papel histórico fundamental no desenvolvimento do afroturismo do Rio de Janeiro.
“A influência africana está presente em diversas manifestações culturais, como a mudança e a dança, na culinária e nas tradições religiosas. Esses elementos não apenas atraem turistas, mas fortalecem a identidade cultural do Estado, proporcionando uma conexão mais profunda com suas raízes históricas”, disse Tutuca.
Segundo o curador Maciel de Aguiar, o ÁfricaBrasil Museu Intercontinental nasceu da orientação intelectual do antropólogo Darcy Ribeiro, “que defendia a criação de um espaço que pudesse congregar e difundir a arte tribal africana e estudar o processo escravocrata em nosso País”.
“Foi criado e gerido com recursos privados, após 35 anos de pesquisa, doação de colecionadores e de estudantes. Assim, após reunir o maior número possível de máscaras, esculturas e de objetos provenientes de várias etnias, entre os séculos XVII e XX, o África Brasil se converteu em um importante centro de difusão, valorização, estudo e pesquisas da arte tribal, contribuindo para sua unidade e um melhor entendimento do continente africano no processo de criação de notáveis aristas e dos movimentos que criaram e difundiram a arte moderna no Século XX”, disse Maciel. (Da Redação)






























