A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (DIPO) de Linhares, concluiu o inquérito policial que investigava um crime de racismo praticado, por meio da rede social, por uma mulher e duas adolescentes no município de Linhares.
A investigada de 19 anos foi indiciada pela prática de crime de racismo, crime com pena de 2 a 5 anos de prisão. As duas adolescentes foram indiciadas por ato infracional análogo ao crime de racismo. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça.
Após receberem informações sobre o caso, os policiais civis da DIPO imediatamente deram início às investigações. O vídeo gravado pelas jovens e todas as reportagens veiculadas na imprensa foram anexados à investigação.
As jovens foram devidamente identificadas e intimadas a comparecer na delegacia para serem interrogadas. Durante o interrogatório, as investigadas, duas de 17 anos e uma de 19 anos, foram orientadas pelos advogados a permanecerem em silêncio.
Membros do movimento negro de Linhares e pessoas da comunidade também foram ouvidas e passaram suas percepções sobre o caso.
Nas imagens, que foram postadas e excluídas pouco tempo depois, as meninas utilizam a palavra “preto” de forma pejorativa durante uma trend (brincadeira tendência na internet).
Na ocasião, as meninas participam de uma brincadeira parecida com o “eu nunca?”, mas com ataques umas às outras com histórias pessoais, que envolvem relacionamentos, amizades, entre outros temas. Quando era “atacada”, a pessoa precisaria se defender.
Foi com esta brincadeira que as supostas ofensas surgiram. Os rostos das jovens foram borrados e as vozes distorcidas porque a polícia ainda vai iniciar a investigação para averiguar se houve ou não crime de racismo.
Entre os comentários, as jovens disseram:
‘”Pelo menos eu não fui feita de palhaça por um preto”.
“Pelo menos eu não sou ‘best’ [termo para melhor amiga em inglês] de um desquerido que ainda é preto, e que na primeira oportunidade não me deu carona, para dar para uma feia”.
“Pelo menos eu não tenho que dar satisfação para um menino preto”.
“Essa amizade com preto não vale nada, não”.
O que dizem as defesas
A reportagem do site g1 Espírito Santo entrou em contato com familiares de uma das jovens nesta segunda-feira, 8, que informaram:
“Os familiares por meio da defesa se manifesta dizendo que já se apresentaram a polícia civil e em momento oportuno todos os fatos serão esclarecidos”.
Os demais advogados das outras duas garotas do vídeo não foram localizados. (Da Redação com Ascom Sesp e g1 Espírito Santo)























