Portaria publicada nesta segunda-feira, 4, reflete um Programa da Prefeitura de Barra de São Francisco, onde só passa fome quem quer. A insegurança alimentar é quando há falta (grave) ou há dificuldade (moderada ou grave) em adquirir alimentos e refeições.
Nesta segunda-feira, 4, para orientar a atenção a essa população brasileira que passa fome, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome publicou uma portaria, no Diário Oficial da União.
As ações integradas do Plano Brasil Sem Fome deverão ser pensadas com foco nas mais de 33,1 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar no país, que serão identificadas por gestores e profissionais que atuam nas redes de saúde e assistência social do país.
Em Barra de São Francisco, desde março de 2021, auge da pandemia de Covid-19, o prefeito Enivaldo dos Anjos, implantou um programa de combate à insegurança alimentar que já serviu mais de 500 mil refeições gratuitas à população.
O CAA Jesuína Destefani, primeiro restaurante municipal gratuito, funciona em um galpão cedido pela Primeira Igreja Presbiteriana de Barra de São Francisco, na rua Gumercindo Farias, na subida para o bairro Colina e fornece almoço diariamente para as pessoas carentes.
O serviço funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 11h às 13h, e atende, principalmente, às famílias cadastradas na Secretaria Municipal de Assistência Social.
Já o Programa Refeição Amiga, no bairro Irmãos Fernandes, inaugurado em maio do ano passado, atende das 18h às 20h com uma refeição mais leve.
Dos Anjos, ao inaugurar o segundo serviço de apoio alimentar gratuito na sua gestão estava visivelmente emocionado e fez um discurso que entrou para a sua rica história como um dos mais tocantes e realistas, sobre a questão da miséria, da fome e da divisão da sociedade entre ricos e pobres.
“Muita gente fala: ‘Eu acredito em Deus’, mas quando vê um mendigo na sua porta, liga pra polícia para mandar retirar”.
“Penso que Deus está em todos os lugares, sabe de todas as coisas. O mundo aderiu à questão material como sua principal base de sustentação e orgulho, mas quanto vale a solidariedade, a espiritualidade?”
“Muitas pessoas só pensam no dinheiro, na própria família, mas não deveria ser assim, porque ninguém é melhor do que ninguém. Todos somos iguais e todos vamos para o mesmo lugar, pode ser bilionário, pode ser o Bill Gates, que vai ter câncer, vai ficar doente e, mesmo se não adoecer, vai chegar uma hora em que vai morrer”, comentou o prefeito na altura.
“Quando a administração toma a decisão de prestar um serviço como esse, não estamos fazendo favor nenhum. Isso aqui é uma mão estendida e a prefeitura é obrigada a fazer isso, o prefeito não está fazendo vantagem nenhuma. Servir é obrigação e, nós, prefeito e vereadores, somos pagos para fazer isso” analisa.
E continua: “Administração não é só asfalto, calçamento, festa, futebol. Comida é saúde, quando você cuida das pessoas, quando você alimenta as pessoas que precisam, você evita a pior doença, que é a fome. O pastor – pastor Gilnei, que fez uma oração iniciando a solenidade – disse que que nós temos a obrigação de ser justos, de ajudar ao próximo.”
Dos Anjos comenta ainda que o programa federal vai contribuir para que o município possa continuar cuidando da segurança alimentar dos seus municípes. “O programa vem ao encontro dos objetivos da nossa gestão, que é reverter parte da arrecadação municipal, que é paga por todos os cidadãos, para ajudar aqueles com condições financeiras insuficientes”, disse o prefeito.
+ Sobre o Brasil sem Fome
Como destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no lançamento do Programa Brasil Sem Fome, o problema não é aparente, “a fome não é vista pelos outros, ela não vai para fora, ela vai para dentro e todo mundo sabe o que é o sofrimento de uma mãe colocar uma criança para dormir sabendo que a criança está com fome. Por isso, o governo definiu insegurança alimentar e nutricional como ‘incapacidade do acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, nos níveis leve, moderado e grave’ e acrescentou como consequências do problema a desnutrição, o sobrepeso, a obesidade e a carências de micronutrientes.
Além de definir e facilitar a identificação, o documento orienta gestores e profissionais dos Sistema Único de Assistência Social (Suas), Sistema Único de Saúde (SUS) e Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) a priorizar crianças, gestantes, idosos, população em situação de rua, refugiados, pessoas negras, domicílios chefiados por mulheres, povos originários e comunidades tradicionais em situação de potencial risco para insegurança alimentar e nutricional.
Com isso, deverão ser fortalecidas as ações de proteção social;
deverá ser ampliado o cuidado integral às pessoas com má nutrição, priorizando indivíduos e famílias cadastrados no Programa Bolsa Família; e deverá ser garantido o atendimento nos Equipamentos Públicos e Sociais de Segurança Alimentar e Nutricional (EPSANs).
A qualificação desses serviços públicos de segurança alimentar e nutricional também deverá acontecer por meio da integração das informações do Suas, SUS e Sisan, além do monitoramento e avaliação dos dados.
Foi estabelecida como prioridade no planejamento e implementação das ações integradas, a compra e oferta de alimentos da agricultura familiar regional. As medidas também deverão ser orientadas pelo Marco de Educação Alimentar e Nutricional e os Guias Alimentares criados para a população brasileira. (Da Redação com Agência Brasil)
























