
O Espírito Santo registrou, nos cinco primeiros meses deste ano, até esta segunda, 22, 55 mortes causadas pela dengue. O número corresponde a cerca de 11% das 503 mortes confirmadas no Brasil no mesmo período.
Se comparados ao ano de 2022, os casos de dengue aumentaram substancialmente e o de mortes foi 785% maior. No ano passado foram sete óbitos provocado pela doença, contra os 55 deste ano.
No Brasil, os 503 óbitos por dengue deste ano são quase a metade de todas as mortes pela doença registradas em 2022. No ano passado, ao menos 1.016 óbitos por dengue foram contabilizados, o que é considerado um recorde desde 1980.
Os dados parciais de 2023 foram divulgados pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira, 22, e vão até o dia 19 de maio, referentes à semana epidemiológica (SE) 19.
COE/SESA
A epidemia de dengue no Espírito Santo, levou a Secretaria da Saúde (Sesa), a instituir o Centro de Operações de Emergência (COE/ES) de enfrentamento às arboviroses, que tem como objetivo coordenar as ações estruturadas e articuladas, ampliando a capacidade técnica da gestão do Sistema Único de Saúde capixaba em conduzir respostas à situação epidemiológica causada, especialmente, pela dengue. A portaria Nº 025-R, de 30 de março de 2023, que formaliza o COE, foi publicada no dia 31 de março, no Diário Oficial do Estado.
O COE/ES é um mecanismo de gestão coordenada, formado por profissionais de diferentes áreas, a fim de trazer um olhar multidisciplinar. Além do olhar estratégico à dengue, o COE também coordena ações voltadas à chikungunya e à Zika.
“O manejo dessa situação epidemiológica que vivemos, como a dengue se coloca hoje para nós, demanda a concentração de esforços, insumos e articulações de importantes atores na resposta. O nosso principal objetivo, com esta coordenação é poder evitar a ocorrência de novos óbitos pelas arboviroses no Espírito Santo e todo nosso esforço, com os municípios, será guiado a isso”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Miguel Duarte, responsável pelo comando do COE.
Brasil
Segundo o boletim do Ministério da Saúde, o número de casos prováveis de dengue no Brasil em 2023 ultrapassou o limite máximo esperado, considerando a série histórica.
No perfil dos óbitos, a maioria (51,3%) era do sexo feminino e tinha mais de 69 anos (47,9%). Há ainda 372 mortes em investigação pelo Ministério da Saúde.
O cenário da dengue pelo Brasil em 2023 é este:
Regiões do Brasil com maior incidência de dengue: Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Estados com maior incidência de dengue: Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Acre e Rondônia.
Estados com maior incidência de dengue nas últimas quatro semanas: Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo.
Região Sudeste concentra maioria das mortes e dos casos de dengue grave e de dengue com sinais de alarme.
A partir da próxima semana epidemiológica, as estimativas históricas apontam para uma tendência de diminuição na incidência de dengue. Mesmo assim, a doença deve registrar novos recordes ao longo de 2023. No final do ano passado, especialistas já alertavam para uma nova epidemia da dengue que iria atingir os primeiros meses de 2023.
Nos últimos anos, as maiores epidemias de dengue no Brasil aconteceram em 2015, 2016, 2019 e 2022.
O principal vetor da dengue é mosquito Aedes aegypti. O vírus é transmitido para humanos por meio da picada da fêmea do mosquito infectado. Por isso, é importante eliminar os criadouros do mosquito e, assim, evitar que ele se prolifere. O mesmo mosquito também é responsável pela transmissão de outras duas doenças: chikungunya e zika.
Chikungunya
Em relação à chikungunya, são 105,3 mil casos prováveis em 2023 e 30 mortes confirmadas. A incidência é de 49 casos por 100 mil habitantes. Até agora, foi registrado um aumento de 17% no número de casos da doença em relação ao mesmo período de 2022.
Zika
O zika vírus já infectou ao menos 7.129 pessoas no Brasil em 2023 – um aumento de 180% se comparado com o mesmo período do ano passado. A incidência da doença é de 3 casos por 100 mil habitantes. São 397 casos prováveis em gestantes neste ano. Nenhum óbito foi confirmado até o dia 19 de maio.
O que é essencial saber sobre a dengue
O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado e possui quatro sorotipos diferentes – todos podem causar as diferentes formas da doença;
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém as pessoas mais velhas e aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm maior risco de evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte;
Os principais sintomas são: febre alta (acima de 38°C), dor no corpo e articulações, dor atrás dos olhos, mal estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, náuseas, vômitos persistentes e sangramento de mucosas;
A dengue hemorrágica, forma mais grave da doença, é mais comum quando a pessoa contrai o vírus pela segunda vez;
Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento;
Como evitar a dengue? O mais importante é não deixar água parada e acumulando por aí: o mosquito pode usar como criadouros grandes espaços, como caixas d’água e piscinas abertas, até pequenos objetos, como tampas de garrafa e vasos de planta;
E a vacina? Por enquanto, há somente um imunizante disponível no Brasil, a Dengvaxia, mas apenas no mercado privado e com restrições de uso. Ele só pode ser aplicado em quem já teve contato com o vírus da dengue.
A Qdenga, uma nova vacina autorizada pela Anvisa que poderá ser aplicada em qualquer pessoa entre 4 a 60 anos (que já teve dengue ou não) deve estar disponível no mercado privado no segundo semestre de 2023. O Ministério da Saúde diz que pretende disponibilizar o imunizante no SUS, mas ainda não há data para isso. (Da Redação com g1 Saúde e Sesa)
























