A Secretária de Saúde de Barra de São Francisco, por meio da Vigilância Ambiental em Saúde, iniciou na manhã desta segunda-feira, 24, a vacinação de bloqueio contra a raiva em animais domésticos (cães e gatos), nas propriedades rurais da divisa do Espírito Santo com Minas Gerais. A ação foi acompanhada por uma equipe da TV Gazeta, devido à forte repercussão estadual e nacional do caso de contaminação de um produtor rural de Mantena, no Leste de Minas Gerais, que está internado há uma semana em um hospital do Espírito Santo, depois de ter sido diagnosticado com suspeita de raiva.
O caso de contaminação de um animal (bezerro) e do produtor rural Mirim Nicolini com raiva, doença que pode ser letal, desencadeou imediata reação em Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, por causa da proximidade com o local onde aconteceu o caso.
De acordo com a coordenadora da Vigilância Ambiental em Saúde, Patrícia Moura, a vacinação de bloqueio nos animais de pequeno porte da divisa dos Estados busca prevenir uma possível contaminação e transmissão da doença em Barra de São Francisco.
“Nós estamos fazendo a vacinação de bloqueio nos animais de pequeno porte (cães e gatos) neste momento devido ao caso suspeito (de raiva) em Mantena. O caso também nos levou a antecipar a vacinação contra a raiva animal que, geralmente, acontece em setembro. Vamos fazer um mutirão no dia 6 de maio e continuaremos vacinando até setembro ou até o final do ano, se necessário”, informa Patrícia.
O agricultor Osvaldo Henrique Oliveira, morador do córrego Queira Deus, foi o primeiro a ser visitado na manhã desta segunda-feira. Com três cães protegendo a própria casa e a da filha, todos criados soltos, ele disse que tem muito medo da doença e que vacina os cães todos os anos.
“Este ano temos uma novidade aqui, essa cadelinha, que apareceu há uns quatro meses e a gente adotou. Ela é muito calma e ainda não tem nome”, disse sobre a cadela apelidada de Caramela pelos agentes da Vigilância em Saúde.
Caramela foi a primeira a receber a vacina, mas os outros dois cães, Leão e Boiadeiro, deram algum trabalho, mas foram imunizados.
O secretário de Saúde de Barra de São Francisco, Elcimar Alves de Souza, destacou que essa imunização preventiva se da apenas com animais de pequeno porte, já que a responsabilidade pelo controle de endemias no gado bovino e equino é feito pelo Idaf.
“Nós estamos trabalhando para evitar uma possível contaminação de animais domésticos, por isso essa vacinação na divisa, mas estamos em contato permanente com as autoridades de Saúde de Minas Gerais e também com a Sesa, para tomarmos todas as medidas necessárias à prevenção da doença”, informa.
Já o médico veterinário Sérgio Jorge Vieira Campos, que atua na Semus, ressaltou que a cobertura desse perímetro com vacinação antecipada de cães e gatos é importante para evitar que haja novas contaminações de humanos pela raiva.
Entenda o caso
O homem contaminado, Mirim Nicolini em Mantena (MG), é produtor rural e está internado em estado crítico no Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, na Serra, Grande Vitória.
Ele foi contaminado por um bezerro de sua propriedade. Segundo o CIEVS-GV, parentes relataram que dias antes de manifestar os sintomas, o paciente teve contato com um bezerro que apresentava um comportamento atípico e excesso de salivação.
“O homem achou que o animal estava engasgado e introduziu a mão/braço e antebraço em sua cavidade oral, na tentativa de desengasgá-lo. Dias depois, o bezerro apresentou piora do quadro e foi tomada a decisão de sacrificá-lo e incinerá-lo. Tal decisão foi tomada no intuito de evitar possível disseminação de doença a outros animas. Contudo, o homem não aventou a possibilidade de que poderia ser um quadro de raiva animal e deixou de procurar pelos serviços de saúde do município para profilaxia pós-exposição”, detalha um relatório da CIEVS-GV.
De acordo com as autoridades, o paciente procurou atendimento médico, no dia 7 de abril, após apresentar confusão mental. Por causa da proximidade do município com o Estado capixaba, ele foi trazido de Mantena para o Hospital Estadual Dr. Alceu Melgaço Filho (HDAMF), em Barra de São Francisco (ES) e na madrugada do domingo, 16, após a evolução do quadro, foi transferido para o CTI de uma unidade hospitalar em Serra (ES). O estado de saúde é considerado crítico.
O órgão não informou o prazo previsto para o resultado do diagnóstico. Disse que segue os passos da nota técnica atualizada sobre o protocolo de profilaxia pré, pós e reexposição da raiva humana no Brasil e alertou para que ações preventivas sejam adotadas pela população. (Da Redação)
























