Um vídeo feito por três amigos mergulhadores mostrando o momento em que uma baleia orca se aproxima de um barco, viralizou nas redes sociais. O registro foi feito na tarde de segunda-feira, 19, em Nova Almeida, na Serra, na Grande Vitória.
Nesta terça-feira, 20, ela amanheceu morta na orla de Nova Almeida. Estudiosos acreditam que ela estava doente e aconselham as pessoas a não tentarem interagir com as baleias. (Saiba mais abaixo).
Os amigos conseguem ver de longe o animal se aproximando e depois os três ficam eufóricos com a chegada do animal perto da embarcação. A baleia encosta no barco e os amigos fazem até carinho no animal.
“Doideira meu Deus do céu, olha aqui quem tá debaixo de nós, acredite se quiser, que doideira! É uma orca cara! Que barato meu Deus! Obrigada! Eu tenho medo, eu tenho pavor, ai que doideira!” comentou um dos amigos.
Em outro momento, os amigos chegam a comentar que o animal estava batendo no barco.
“Olha amigo, que massa! Ai meu Deus, vai tombar o barco. Ela gostou do carinho. Ela tá dando cabeçada no barco. Tá doido! Aí ó, ela aqui do nosso lado. É uma orca brother, o bicho mais maravilhoso do mundo mesmo”, disse outro mergulhador.
“É uma orca mesmo! Olha isso! Ai meu deus, cuidado. Ela me ama! Olha os dentes! Sacudindo o barco. Eita, agora ficou perigoso.”
Essas foram algumas frases que os três disseram ao longo do vídeo, que tem aproximadamente dois minutos e meio.
Experiência única
Fernando Rocha é um dos mergulhadores que estava no barco e disse que nunca tinha vivenciado uma experiência dessas, mesmo sendo mergulhador há 25 anos. Explicou que ele e os amigos saíram para mergulhar em alto mar, como de costume, quando encontraram o animal.
“Parecia que ela tava me pedindo carinho o tempo todo. Todos ficaram muito emocionados, na hora dava vontade de chorar, gritar, vontade de pular em cima dela, abraçar ela de alegria. Não pulei por respeitar o animal, não faz bem abraçar, pular em cima. Eu até falei que amava ela, que ela me amava”, contou Fernando.
O mergulhador explicou que ao longo da vida já encontrou outras baleias, mas nunca uma orca.
“No verão eu mergulho quase todos os dias. Eu já encontrei mãe e filho de jubarte indo para praia e consegui salvar. Orca foi a primeira, foi inesquecível, uma emoção muito grande. Nem dormi a noite só pensando nela. Parecia que ela me conhecia”, disse Fernando.
Fernando contou ainda que eles acompanharam o animal por cerca de 40 minutos, até a parte mais profunda do mar.

Sobre a orca
Segundo o diretor do Instituto Orca, Lupércio Barbosa, o animal começou a ser monitorado após o registro dos mergulhadores. Isso porque, segundo o diretor, a aparição de orcas no litoral do Espírito Santo não é frequente.
“É o segundo registro de orca aqui no estado. O primeiro foi em 2014. Parece ser um animal jovem ou quase adulto. As orcas tem características bem oceânicas, não se aproximam muito da costa. Eles se deslocam ao longo de todo o oceano, mas têm regiões preferenciais, se deslocam em função das correntes. São animais de águas temperadas e mais frias. De São Paulo para baixo é mais comum ver essas baleias. Sabemos de outros fenômenos de orcas indo atrás de veleiros, mas não sabemos explicar a razão”, explicou Lupércio Barbosa.
Relação com o animal
O diretor explica que não é aconselhável encostar em baleias por vários motivos. Nem quando elas estão vivas, muito menos mortas.
“É arriscado colocar a mão no animal. Não é aconselhável. É muito grande, pode ferir e também pode transmitir doenças, vírus, bactérias. Em uma respirada, baforada, no rosto, pode levar uma carga grande de microorganismos”, afirmou o diretor.
Baleia morta
Na manhã desta terça-feira, 20, segundo o Instituto, o mesmo animal que estava no vídeo com os mergulhadores apareceu morto na areia de uma praia de Nova Almeida.
Fernando, um dos mergulhadores que estava no barco, comentou sobre o final triste da baleia.
“Infelizmente agora acordei triste, porque a bichinha morreu”, disse o mergulhador.
O Instituto Orca, a prefeitura da Serra e a Ambipar, empresa executora do PMP-BC/ES (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e do Espírito Santo), foram acionados sobre a causa da morte da baleia.
Lupércio explicou que o comportamento da baleia de ter se aproximado e interagido tanto com o barco dos mergulhadores já apontava que o animal parecia estar dando um ‘sinal de socorro’. Além disso, a baleia apresentava alguns machucados.
“É um comportamento atípico permitir aproximação de alguém e deixar tocar. O animal deveria estar em estado bem grave, machucado. As orcas andam em grupo, mas quando um dos animais fica doente, o animal pode se desgarrar e procurar a beira da praia. Provavelmente o de hoje estava com alguma doença que atrapalha a nadar, a flutuabilidade. Lesões externas estranhas, isso tudo vai ter que ser coletado para análise “, disse o diretor.
O Instituto está analisando o que vai ser feito com o corpo do animal. Equipes estão discutindo se o animal vai ser levado para o Instituto para fazer necrópsia e descobrir a causa da morte ou se ele vai ser enterrado na praia mesmo.
“É um local de difícil acesso. Envolve uma logística para ver o que vai ser feito, se vão resgatar o animal inteiro para fazer análise. Depende de maré, acesso de máquinas”, explicou Lupércio.
Prefeitura
A Prefeitura da Serra informou que o animal encontrado morto é um exemplar de Orca, com cerca de 5 metros, animal raro de aparecer na região. Disse ainda que a fiscalização ambiental foi ao local e ainda não há definição quanto à destinação do animal, se o corpo será enterrado ou se ficará com o Instituto Orca para fins de pesquisa.
Em julho deste ano, na localidade de Sines, em Portugal, um navio naufragou e a Marinha Portuguesa foi chamada a coordenar o resgate dos cinco tripulantes. No seu comunicado, a Marinha não dá detalhes sobre o sucedido, falando apenas num “veleiro naufragado após interação com orcas”.
Mortes em Portugal
As cinco pessoas resgatadas encontravam-se na balsa salva-vidas “depois de o veleiro onde seguiam ter afundado após encontro com orcas, a cerca de 6 milhas, o equivalente a 11 quilómetros, de Sines”, explica o mesmo comunicado.
Os tripulantes, todos portugueses, foram resgatados pela embarcação de pesca “Festas André”, que se encontrava nas proximidades. “O Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (MRCC) de Lisboa recebeu contacto do veleiro pelas 00h03 que se encontrava a meter água, depois de um encontro com orcas. De imediato foram empenhadas a embarcação de pesca “Festas André”, que efetuou o resgate dos 5 elementos, e uma embarcação da Estação Salva-vidas de Sines que acompanhou o navio de pesca até ao porto de Sines, onde atracou em segurança pelas 2h43.” (Da Redação com g1 Espírito Santo e agências internacionais)





















