O suplente de vereador Renato Rosa (Podemos), conhecido como “Fenômeno”, foi morto por traficantes faccionados ao Primeiro Comando de Vitória (PCV) em Vila Valério, na região Noroeste do Estado, logo após sairem os resultados das eleições municipais de 2024. A conclusão está no inquérito da Polícia Civil, cujo resultado foi anunciado nesta segunda-feira (25.05) na Chefatura de Polícia, na capital.
O delegado Erick Esteves, que responde por Vila Valério e Jaguaré, cidades interligadas territorialmente e também na criminalidade, participou de uma entrevista ao lado do delegado-geral adjunto Fabrício Dutra e disse que todos os suspeitos já estão presos por outros crimes na região.
Renato Rosa foi morto no dia 6 de outubro de 2024. Em função de ter ocorrido no próprio dia da eleição, logo após ser divulgado o resultado, inicialmnte as investigações consideraram a possibilidade de crime político.
Dutra era superintendente regional Norte da Polícia Civil na época e disse que acompanhou o caso de perto. “Parecia um crime de pistolagem e a gente ficou preocupado com a possibilidade de essa prática estar de volta, depois de muito tempo”, observou.
O delegado-geral adjunto, entretanto, salientou o trablaho feito na região por Erick Esteves desde que assumiu, inicialmente, a Delegacia de Vila Valério, um município de 11 mil habitantes com 11 homicídios por ano e que havia vivido, em 2022, o impacto de uma chacina contra quatro membros de uma mesma família e o assassinato de um empresário à luz do dia no centro da cidade.
“Há conexões com a crimalidade de Sooretama e Jaguaré e, se a gente não age, os homicídios vão se perdendo e os criminosos continuam matando. Porém, derrubamos os números nos três municípios logo em 2023. E, agora, temos essa importante solução”, disse Dutra.
De acordo com o delegado Erick Esteve, quatro homens foram indiciados pela morte do suplente de vereador: Gabriel da Cunha Guedes, 28 anos; Elisson Victor Borges D´Ajuda, 21 anos; Kaio Rodrigues da Vitória, 23; e Marlom Nulnes Carvalho, 23.
O crime, segundo o delegado, ocorreu porque Renato Rosa enfrentava os traficantes e não concordava com “determinadas atitudes deles em relação à comunidade e incomodava”. Ele disse que cinco meses antes o tráfico já havia tentado matar Renato, que reagiu e baleou dois dos criminosos.
Analisando imagens de câmara de segurança e o modus operandi dos executores o delegado conseguiu estabelecer conexões deles com o crime contra o suplente de vereador.
“No dia da eleição, eles aproveitaram o clima e, até para confundir a Polícia, surpreenderam Renato, que tinha no corpo pelo menos 20 perfurações a bala”, disse Erick Esteves, que, ao assumir Jaguaré, criou uma operação permanente que já prendeu 35 indivíduos envolvidos com a criminalidade.
Segundo ele, a região tem faccionados do Primeiro Comando de Vitória (PCV), predominantemente, e também do Terceiro Comando Puro (TCP) e uma célula do Primeiro Comando da Capital. “Quando chegamos, havia uma guerra do PCV com o TCP que provocou seis mortes num único mês. Conversamos com o juiz e o promtor da cidade e conseguimos debelar a guerra das facções”, disse ele.
O trabalho da equipe do delegado também resolveu o emblemático caso da enfermeria que foi encontrada morta dentro do carro. (Da Redação)
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