A Bahia em um dos principais depósitos conhecidos de terras raras do Brasil. Esse tipo de mineral é hoje muito cobiçado no mundo e, no Estado, estão presentes principalmente nas região centro-sul, justamente onde ocorrem movimentos de “retomadas” de supostas terras indígenas.
Estas informações foram produzidas em 2025 pelo Serviço Geológico do Brasil, que mapeou as terras raras, que estiveram no centro de uma polêmica recente entre Estados Unidos e China. A região do Prado, onde tem havido muitas invasões de propriedades rurais, é uma das principais pesquisadas pelo órgão.
De acordo com o SGB, o Complexo de Jequié tem depósito de bauxita conhecido e recentemente tem se destacado como uma província mineral com mineralizações de alto teor de terras raras (11,2% de TREO – sigla em inglês para óxido de terras raras) associados a outros bens minerais como nióbio, urânio, tântalo, escândio, bauxita e gálio no Projeto Pelé.
O depósito pesquisado pela Brazilian Rare Earth tem mineralização associada a rocha com teor de até 40,5% de TREO no Projeto Velhinhas e em rocha alterada, denominada areais de monazita que chegam a teor de 7, 9% no projeto Pelé.
O Complexo Geológico Jequié (ou Bloco Jequié) compreende uma área situada no sudoeste do estado da Bahia, sendo uma unidade tectônica de destaque na porção oriental do Cráton São Francisco.A região abrange áreas próximas à cidade de Jequié, estendendo-se por municípios como Jequié, Laje, Mutuípe e Itagi.
Além deste, na região de Prado há depósito de monazita em minerais pesados da planície costeira. No início do século passado, a região de Cumuruxatiba foi produtora de monazita.
De acordo com o Nexo Jornal, descobertas recentes atraem a atenção de empresas estrangeiras, como o projeto Pelé, da Brazilian Rare Earths, na Bahia, e o projeto Colossus, da australiana Viridis, em Minas Gerais, onde há reservas estimadas em 201 milhões de toneladas.
Em junho de 2025, o governo brasileiro começou a avaliar 56 projetos de minerais críticos, incluindo terras raras, apoiados por um fundo de R$ 45,8 bilhões.
Empresas chinesas acompanham de perto esse avanço. Em 2024, a China Nonferrous Metal Mining Group adquiriu a brasileira Mineração Taboca, e, no primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras de terras raras para a China triplicaram em relação ao ano anterior.
O QUE É O SGB
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) é o órgão do governo federal responsável pelo mapeamento geológico, produção e disseminação do conhecimento geocientífico, que inclui a avaliação do potencial mineral do território nacional.
No contexto dos Elementos Terras Raras (ETR) e demais minerais estratégicos, o SGB atua na identificação de áreas com potencial mineral, com a aquisição e processamento de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos, úteis para subsidiar a avaliação de viabilidade técnica e econômica de recursos minerais.
“O trabalho que realizamos subsidia políticas públicas, orienta investimentos privados e fortalece a presença do Brasil em cadeias produtivas globais essenciais para a transição energética, segurança alimentar e o desenvolvimento tecnológico”, destaca o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo.
Com recursos minerais expressivos, projetos em expansão e pesquisas coordenadas pelo SGB, o país busca fortalecer sua posição na cadeia global desses minerais que estão no centro das discussões geopolíticas e industriais globais devido à sua aplicação na indústria de alta tecnologia.
O Brasil é o maior detentor global de reservas de nióbio (94%) – com 16 milhões de toneladas. No ranking global, é o segundo maior em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26%), e de terras raras, com 21 milhões de toneladas (23%).
No caso do níquel, o Brasil possui a terceira maior reserva global, com 16 milhões de toneladas (12%) das reservas mundiais. Os dados são apresentados na publicação “Uma Visão Geral do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil”, do SGB.
POTENCIAL NO CENÁRIO GLOBAL
O Brasil é o detentor da segunda maior reserva mineral de Elementos de Terras Raras (ETR) do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que representa cerca de 23% das reservas/recursos globais, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Os elementos de terras raras (ETRs) são a espinha dorsal de muitas das tecnologias de ponta que prometem tornar nosso mundo mais inteligente e sustentável. No entanto, atender à crescente demanda por terras raras não é fácil, devido aos desafios na sua extração e processamento.
O diretor Inácio Melo afirma que o protagonismo do Brasil na produção de ETR é inevitável: “O Brasil se tornará o maior produtor global de ETRs”.
Para Melo, os desafios do Brasil para as próximas décadas são ampliar o conhecimento geológico e transformar o enorme potencial geológico dos recursos minerais estratégicos em reservas minerais explotáveis e bem conhecidas.
“Precisamos descobrir novas ocorrências e superar as limitações tecnológicas e logísticas”, afirmou. Apesar do potencial mineral, o país produziu, em 2024, apenas 20 toneladas de terras raras, menos de 1% da produção mundial, que foi de 390 mil toneladas.
Atualmente, a China detém uma posição dominante não apenas nos volumes de suas reservas e produção de elementos terras raras, mas, sobretudo, na cadeia tecnológica de separação e refino para obtenção de óxidos de alta pureza (em inglês, REO).
“Parcerias entre o SGB, outras ICTs e o setor privado serão o caminho seguro para o desenvolvimento de novas tecnologias que se tornarão a chave para o Brasil transformar recursos estimados em depósitos minerais medidos e viáveis economicamente”, destaca o diretor-presidente.
ONDE ESTÃO?
A maior parte dos recursos medidos de Elementos Terras Raras (ETRs) no Brasil está concentrada, principalmente, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia, além de Sergipe.
Esses estados abrigam os principais tipos de depósitos com potencial econômico de ETRs, conforme levantamentos do SGB, da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de estudos técnicos consolidados.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades similares encontradas em alguns minerais. São definidos como terras raras os 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y). Os principais elementos são os utilizados para fabricação dos ímãs magnéticos, que são o neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e o disprósio (Dy).
Os elementos terras raras são encontrados como produtos secundários em depósitos de outros bens minerais, principalmente em depósitos de nióbio (Nb) e fosfato (PO4). Dos mais de 200 minerais que contêm ETR, apenas alguns têm potencial para formar depósitos econômicos desses elementos e são explorados atualmente: bastnaesita, monazita, xenotímio e loparita.
APLICAÇÕES
Os elementos terras raras são usados para melhorar a eficiência de diversos produtos de alta tecnologia e de energia limpa, com destaque para a aplicação em turbinas eólicas e motores elétricos, além da aplicação em equipamentos aeroespaciais, como satélites, foguetes e mísseis. Os elementos têm altas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e luminescentes.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) desenvolve estudos para identificar áreas com potencial e impulsionar o desenvolvimento da cadeia de valor de terras raras. A principal iniciativa é o Projeto de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, inserido na linha de atuação “Minerais Estratégicos para Transição Energética”, dentro da Ação do Programa de Aceleração do Crescimento-PAC do governo federal.
Atualmente, o projeto desenvolve atividades nos estados de Goiás e Tocantins (Província Estanífera de Goiás), Minas Gerais (Província Alto Paranaíba), Bahia (Província Jequié e região de Prado) e Paraná, São Paulo e Santa Catarina (Vale do Ribeira).
OUTROS PRINCIPAIS DEPÓSITOS
Minas Gerais
Em Araxá (MG), está a única reserva oficialmente reconhecida de terras raras do Brasil. Os minerais com terras raras nas rochas alcalinas são: apatita e calcita.
Na região de Poços de Caldas (MG), há diversas empresas de mineração pesquisando para terras raras e já identificaram recursos de 950 milhões de toneladas com teor de 0,25% de TREO.
As pesquisas do SGB também indicam ocorrências de terras raras no município de Tapira (MG), conhecido pelas mineralizações de fosfato, nióbio e titânio.
Goiás
O estado de Goiás é destaque nacional por ter uma mina ativa de elementos terras raras na cidade de Minaçu (GO).
Os recursos estimados são de 910 milhões de toneladas. É a primeira mina fora da Ásia a operar um depósito de argila iônica – um tipo de mineralização considerada a principal fonte de terras raras pesadas do mundo e que possui o processo de extração de ETR com maior rentabilidade. Até então, apenas a China produzia terras raras em depósitos desse tipo.
A mina de Serra Verde possui recursos medidos de cerca de 22 milhões de toneladas, conforme o relatório técnico da empresa de 2015.
Em Nova Roma (GO), há um projeto com recursos de terras raras estimados em 168,1 milhões de toneladas. Além disso, há ocorrências nas regiões de Catalão (GO) e em outros corpos graníticos da Província Estanífera de Goiás (GO).
Amazonas
No Amazonas, há ocorrências identificadas no depósito de Seis Lagos, localizado a 64 km a nordeste do município de São Gabriel da Cachoeira. Esse é um depósito de nióbio com altas concentrações de terras raras. O recurso estimado é de 43,5 milhões de toneladas de ETR. É importante reforçar que a região é uma reserva legal índigena, portanto, a exploração é impedida por restrições legais.
O depósito de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM), é também conhecido como distrito mineiro de vários bens minerais, dos quais a cassiterita é o bem mineral principal. Os elementos terras raras são encontrados nos minerais xenotima, gagarinita, niobidatos e fluocerita. Desses, a xenotima é o principal mineral com terras raras. Esse depósito é considerado um dos poucos com potencial expressivo de ETRs pesados, mas ainda sem exploração dedicada.
Sergipe
Em Sergipe, na porção norte do estado, há depósito de monazita em minerais pesados em antigos cordões litorâneos e dunas do delta do Rio São Francisco. Há recursos JORC totais de 196 milhões de toneladas com 0,4% de concentrado de monazita. Este é um novo projeto na região. (Da Redação com informações do Serviço Geológico Brasileiro)
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