Reunidos no meio da tarde desta quarta-feira (18), os produtores rurais do Sul da Bahia decidiram suspender, por volta das 16 horas, o bloqueio da BR 101 a cerca de dois quilômetros da entrada norte de Itamaraju e liberar o tráfego, que estava parado desde as 9 horas da manhã, formando filas de mais de 20km em cada sentido da pista. Motoristas que conhecem a região, buscam vias vicinais para fugir do bloqueio, mas a grande maioria ficou presa no congestionamento na volta do Carnaval.
Os manifestantes decidiram, também, que não ocorrerão novas paralisações até a próxima segunda-feira (23), prazo que deram às autoridades estaduais e federais para se manifestarem sobre suas reivindicações de segurança contra as invasões de terra que vêm ocorrendo no Sul da Bahia, por indígenas, pseudoindígenas, infiltrados, segundo eles, por membros de organizaçóes criminosas do tráfico de drogas.
“São armamentos pesados, que somente as forças militares e as organizações criminosas possuem e que são usadas para nos agredir, tomar terras produtivas de famílias que estão aqui há décadas. Principalmente, famílias capixabas que vieram do Norte do Estado para cultivar o Sul da Bahia plantando de tudo e gerando riqueza para a região”, disse um participante da manifestação e que pediu para não ser identificado.
Em abril de 2025, a Força Nacional de Segurança Pública foi convocada para atuar no Extremo Sul da Bahia em meio ao aumento da tensão na região. A medida foi anunciada após recomendação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas e do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (MUPOIBA).
A atuação da Força Nacional foi designada com foco em áreas de interesse e serviços da União, operando em regime de cooperação com as autoridades estaduais. O Governo da Bahia informou, na época, que manteria o policiamento regular já em curso na região, conforme estabelece a Constituição Federal, além de continuar colaborando com a Polícia Federal.
A presença federal tem como objetivo assegurar a ordem pública e evitar confrontos, diante de um cenário complexo que envolve disputas por terras, incluindo áreas reivindicadas por comunidades indígenas.
A crise no sul da Bahia tem gerado apreensão entre comunidades locais, produtores rurais e organizações indígenas, levando à necessidade de reforço nas ações de segurança. A expectativa era de que a presença da Força Nacional contribuisse para estabilizar o cenário e permitir avanços em negociações e mediações de conflito.
Em nota, o Governo do Estado da Bahia reafirmou seu compromisso com o respeito à legalidade, à propriedade privada, à demarcação de terras indígenas e à manutenção da ordem pública. A gestão estadual também ressaltou que o diálogo é o único caminho legítimo e sustentável para a construção de soluções pacíficas na região.
Manifestantes vêm bloqueando a principal rodovia federal na região para chamar a atenção para suas demandas. Segundo eles, a Força Nacional “defende os invasores, mas não protege as famílias que têm propriedades invadidas”. (Da Redação)
Veja vídeo: BR 101 de novo bloqueada no Sul da Bahia; sem prazo para liberação























