Depois de três dias de “campana”, a Polícia Civil deu o bote em cima de um dos bandidos mais procurados do Espírito Santo, Luiz Fernando de Jesus Santos Brum, de 36 anos, o Barba ou Pezão, que tem tocado o terror em bairros periféricos da Serra e, atualmente, pertence à facção Primeiro Comando de Vitória (PCV), cuja base está nos bairros Bomfim e da Penha, na parte central de Vitória.
De acordo com o delegado Rodrigo Sandi Mori, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, e que coordenou as ações, Barba é o homem que provocou o desastroso o ataque do dia 24 de agosto no no Balneário Carapebus, na Serra, quando um olheiro errou na identificação de um veículo que seria de um rival e o grupo atacou o carro de uma família que deixava a praia. Na época, Luiz Fernando era faccionado ao Terceiro Comando Puro (TCP), rival do PCV.
No ataque, morreu a menina Alice Rodrigues, de 6 anos. O pai e a mãe dela, que estava grávida de oito meses, foram feridos e o caso gerou grande comoção, mas os ataques continuaram em Carapebus, com mortes e muitos feridos a bala. Logo depois, Barba se desentendeu com seu chefe no TCP em Jacaraípe e migrou para o PCV, assumindo o comando das operações, com muita violência, na região do Pantanal, em Serra Dourada II, na Serra.
Na tarde desta quinta-feira (29), a Polícia Civil fez uma grande operação na região do Pantanal tendo como alvo Luiz Fernando, o Barba. Houve a mobilização de grande contingente de policiais. Por drone, a Polícia viu quando Barba entrou numa casa utilizada como base do tráfico e chegou a hora do bote, com apoio do helicóptero do Notaer. Pelo menos 15 homens, fortemente armados, faziam a segurança de Barba, segundo o delegado Sandri Mori, da Delegacia de Homicídios da Serra.
Um grupo de policiais aproximou-se pela frente da casa e outro grupo pelos fundos. Os seguranças de Barba reagiram, a Polícia deu ordens de cessar fogo, eles insistiram e os policiais atiraram ferindo cinco deles, sendo que três elementos morreram e dois foram presos, um deles o próprio Luiz Fernando de Jesus Brum.
“Todos os indivíduos presos hoje estão no tráfico de drogas”, disse Sandri Mori. “Já estavam mapeados por nós, estavam na escolta do Luiz Fernando no momento em que nós chegamos”.
O Pantanal já é conhecido pela DHPP pela dificuldade de entrar no local e também pelo armamento que os bandidos possuem no local. De acordo com o delegado, ultimamente Luiz Fernando não estava mais fazendo questão de esconder o rosto. Pelo contrário, fazia os ataques de cara limpa para ser visto e identificado para impor medo aos rivais.
Na tarde desta quinta-feira (29), o delegado concedeu entrevista coletiva, quando detalhou a prisão e também o problema dos crimes contra a vida na Serra, que em 2024 registrou 122 homicídios, caindo para 101 em 2025, ficando em segundo lugar no Estado (a liderança foi de Vila Velha, com 122), mas que, neste primeiro mês de 2026, já registrou 20 homicídios, o equivalente a 24,4% do total de 82 de todo o Espírito Santo.
NOVO ATAQUE IMPEDIDO
“Impedimos que outros ataques ocorressem pelo grupo na data de hoje, haja vista que, no deslocamento para a delegacia, o próprio Luiz Fernando falou que, se não fosse preso, já tinha outro ataque grande na região de Santo Antônio e Cascata, em Serra Sede, para esta noite. Então, a prisão dele foi de suma importância para dar um recado a esses traficantes da Serra que nós estamos atentos. Facção nenhuma vai se instalar no município da Serra, os homicídios estão sendo mapeados e nós vamos prender um a um dos que estão participando desses homicídios. Nenhum homicídio fica impune na Serra, ainda mais confronto entre facções”.
RECADO AOS BANDIDOS
“É importante ressaltar que, em 99% das operações e prisões realizadas pela DHPP da Serra, ao longo dos dez anos que estou chefiando essa delegacia, não ocorreram disparos de arma de fogo. As nossas operações são feitas com inteligência e estratégia, porém, esses indivíduos escolheram o confronto e o resultado foi esse. Cinco baleados, três óbitos, quantidade expressiva de drogas apreendidas, fuzil, pistolas apreendidas, radio-comunicadores, aparelhos celulares que serão periciados para extração de dados e futuras análise para a gente mapear o Pantanal e a definir toda a estrutura da organização criminosa que impera no bairro.
O recado é esse: se confrontar com a gente, o resultado vai ser esse. Quando estivermos em incursão, se rendam, se entreguem, não confrontem a polícia. Caso contrário o resultado vai ser como esse aí”.
O CERCO
“A operação foi feita com inteligência e estratégia. Desde as 6 horas da manhã estávamos monitorando Luiz Fernando com drones. Por volta de 10h30 da manhã visualizamos que ele entrou numa residência, que eles utilizavam como base do tráfico de drogas. Em volta, havia cerca de 15 indivíduos todos armados, fazendo a escolta. Diante disso, acionamos o Notaer, que foi por cima para impedir que eles fugissem pela mata. Quando chegamos no bairro Serra Dourada II, próximo ao Extrabom, eles já tinham olheiros que avisam para correrem.
Então, subimos o Notaer para impedir a fuga deles. Colocamos o CORE com uma equipe da DHPP Serra pela mata, atrás da casa, e outra equipe, coordenada por mim, foi pela frente da casa. Quando chegamos ao local fomos confrontados por vários indivíduos, demos ordem de parada, pedimos para se renderem, porém, escolheram o confronto e o resultado foi esse: três óbitos e dois baleados, o número um da operação baleado na perna e preso com um fuzil, os três indivíduos que morreram estavam com pistola Clock, com seletor de rajada, mira a laser, quantidade grande de munições 9mm, calibre .556”.
OS MORTOS
“Um dos individuos mortos, o Cara de Muher, era da Cidade Pomar e já estava sendo investigado por homicídio pela nossa delegacia, estava com mandado de prisão e foi a óbito. Dois irmãos gêmeos, que fazem a escolta do chefe do tráfico do bairro Pantanal, e também do Luiz Fernando, um foi preso e o outro foi a óbito, e tem mais um indivíduos também que participava da escolta do Luiz Fernando e também morreu no local. Apreendemos um fuzil calibre .,556, utilizado pelo Luiz Fernando em todos os ataques que cometeu no município da Serra”.
BRAÇO ARMADO DO PCV
“O Luiz Fernando era o alvo número um da DHPP, o braço armado principal do PCV, linha de frente dos ataques coordenados pelo PCV no município da Serra. Era integrante do TCP e atuava no tráfico de drogas da Rua Quinze, em Jacaraípe. A partir dos ataques do Balneário de Carapebus teve um desentendimento com o chefe do TCP da Rua Quinze e migrou para o PCV, na época dos ataques em Carapebus.
O primeiro ataque dele foi trágico e culminou na morte da Alice, no dai 24 de agosto de 2025, em Carapebus. Desde então, ele se tornou um dos alvos principais de nossa delegacia. Ele está em vários ataques de homicídios em Carapebus. No dia 9 de setembro, matou o antigo chefe dele da Rua Quinze, que foi levado para o Planalto Serrrano, onde foi executado.
No dia 29 de setembro, num duplo homicídio e uma tentativa, o Luiz Fernando e mais quatro indivíduos entraram numa residência vestindo uniformes da Polícia Civil e executaram duas pessoas.
O último ataque dele, de maneira trágica, onde um inocente foi morto, no dia 25 de janeiro, último domingo, no bairro Santo Antônio, ele é o indivíduo que desembarca do carona do veículo Corolla, armado com um fuzil, onde duas pessoas foram mortas e um indivíduo baleado. Desde então, desde segunda-feira (26), estamos monitorando a localidade do Pantanal com inteligência e estratégia, utilizando drones para visualizar a correria deles, o local onde ficam e as rotas de fuga. Ontem fizemos uma incursão no Pantanal para traçar as rotas de fuga e hoje conseguimos essa operação que culminou na prisão dele.” (Da Redação)


























