Ex-secretário nacional de Segurança Pública e mestre em Psicologia Social pela USP, José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, refletiu sobre o resultado da pesquisa inédita do Instituto Data Favela, que ouviu quarenta 4 mil pessoas que trabalham no movimento do tráfico de drogas em 23 cidades brasileiras.
Membro do Instituto Brasileiro de Seguranća Pública, Silva encontrou consonância entre os dados revelados pelo Data Favela e uma pesquisa científica e ampla feita pela Universidade Federal de Pernambuco. Veja a opinião do especialista:
“O levantamento do Data Favela de jovens que estão no tráfico não detalha se eles praticam outros crimes, como assaltos, furtos, roubos. A questão mais complexa é quantos efetivamente sairiam do tráfico.
Um levantamento feita pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), com dados de 2021, bem recente, fez pesquisa com muito mais profundidade. Pesquisa centenas de milhares de casos de pessoas condenadas para verificar em quanto tempo elas voltariam ao sistema. Exatamente, a reincidência.
Curiosamente, a reincidência fica perto de 40% em nível nacional: 37,5% não voltam em cinco anos (o que bate com a enquete do Data Favela), o que não quer dizer que não tenham cometido crimes, talvez simplesmente não tenham sido apanhados, mas é um sinal bastante interessante.
O presídio recupera criminosos? Claro que não. Ressocialização é coisa irreal, mas o fato é que o próprio temor de voltar para instalação prisional, privação de liberdade, regime imposto pelos outros presos, as vezes tem essa pedagogia do medo. Acaba afetando as pessoas para que elas, de alguma maneira, possam levar uma vida mais honesta e não entrar novamente no crime.
Mas, como alternativa à pedagogia do medo das prisões, o caminho é família, estudo, de preferência com preparação para o trabalho, e trabalho logo que possível.
O primeiro problema é ter família para dar o direcionamento inicial de valores, comportamentos.
Sofrimento em crianças muito novas (fome, frio, maus tratos) causam descargas de hormônios que alteram áreas neurológicas de controle da agressão.
Quando temos 49 mil crianças com mães entre 10 e 14 anos (nascidas entre 2020-2022) e 43 mil crianças nascidas anualmente de meninas com 14 a 19 anos, é de se prever que a maioria terá desassistência familiar e distúrbios neurológicos que comprometerão seus futuros.
Se o problema é grave e amplo precisa ser resolvido com políticas (conjunto de programas, recursos e ações para mitigar ou resolver problemas).
Temos programas voltados para prevenção com essas crianças e jovens?
Nos 19 anos de governo do PT ocorreram mais de 1,5 milhão de mortes violentas, incluindo trânsito. Pode apostar que pelo menos meio milhão eram jovens e pobres.” (Da Redação)
Pesquisa Data Favela: Sociólogo analisa impacto do trabalho no tráfico na economia da periferia






















