O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Marcelo Santos (União), fez um discurso contundente ao final da sessão desta quarta-feira (29), alertou o Governo do Estado para “fechar as divisas”, homenageou os policiais mortos no Rio de Janeiro e sobre as demais vítimas salientou que “eram bandidos que escolheram o caminho do crime”.
A megaoperação policial na cidade do Rio de Janeiro contra a organização criminosa Comando Vermelho, realizada nesta terça-feira (28) nas comunidades dos Complexos do Alemão e da Penha, com dezenas de mortos, dominou as manifestações dos parlamentares na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Marcelo Santos ressaltou que elas somente teriam ocorrido em função da reação de criminosos ao trabalho das Polícias Militar e Civil, que foram às comunidades cumprir mandados judiciais contra 100 alvos. Mais de uma vez, Marcelo Santos disse que “o bom seria que não houvesse mortes”, salientou respeitar as opiniões em contrário, mas foi enfático em registrar que “isso somente aconteceu porque os bandidos atiraram contra policiais e, se atiram contra policiais, atiram contra o Estado, que está ali para defender a sociedade”.
“O que aconteceu no Rio de Janeiro não pode ser considerado normal. O Comando Vermelho é quem dita as regras nessas comunidades, detém a energia elétrica, a distribuição de cabos de tevê, a distribuição de gás, que mata, que vende drogas, que alicia menores para o tráfico e para matar. O Comando Vermelho é poder paralelo no Rio de Janeiro e no Brasil”, disse Marcelo.
Por conta disso, o presidente da Assembleia disse que se juntava aos demais parlamentares que homenagearam os quatro policiais mortos na operação, que levou à morte, em números oficiais, de 64 pessoas.
Na condução de seu discurso, o presidente Marcelo Santos criticou a postura do Congresso Nacional e fez um alerta às autoridades capixabas: “Se a Polícia se render, o crime fica com mais poder de fogo. Se a Polícia se acovardar, as facções vão agir. E, podemos esperar, eles vão vir para cá, como muitos já estão por aí, entre nós. Temos que nos preparar para fechar as divisas. Dentre os mortos no Rio de Janeiro, havia dois bandidos do Espírito Santo. O nosso Estado tem que defender a população”.
Marcelo disse que as organizações criminosas fazem terrorismo. “Bandidos não podem achar que o Brasil é uma terra sem lei. O Presidente da República fez uma fala ruim ao dizer que traficantes existem porque tem o usuário de drogas. Um cantor que se diz famoso veio dizer que por trás de um fuzil tem um ser humano. Eles entraram nessa vida porque quiseram”.
Dizendo-se indignado com a situação, Marcelo Santos criticou a postura do Congresso Nacional: “Agora, depois dessas dezenas de mortes, vão aparecer para aprovar leis, mas passaram quatro, oito anos lá e não fizeram nada”. O presidente também condenou a disputa eleitoral que identifica nas falas de políticos: “Enquanto os Governos do Estado e Federal ficam nessa disputa, as facções assumem tudo”.
Marcelo disse que “o Estado comete seus erros, deixar de prover políticas públicas, mas a culpa é de quem? Bom seria que os policiais pudessem cumprir as decisões judiciais sem mortes, mas foram recebidos pelos bandidos até com maior poder de fogo do que a polícia. Usaram até drones para triar bombas nos agentes públicos, coisas que a gente só viu na guerra da Ucrânia. Então, essa não é uma situação normal”.
OUTROS DEPUTADOS
Durante a abertura da sessão, outros deputados, ao pedirem minuto de silêncio, fizeram falas curtas sobre a violência na cidade do Rio de Janeiro. Puxando o tema, o Capitão Assunção (PL) pediu a homenagem aos quatro policiais que morreram na operação, por ele chamados de “heróis”, e culpou pela tragédia “o governo do PT”.
A homenagem foi apoiada pelo Delegado Danilo Bahiense, sem pronunciamento, e por outros quatro parlamentares. Alcântaro Filho (Republicano) falou na mesma linha de Assunção, assim como o Coronel Weliton. Lucas Polese (PL) acrescentou que “o crime organizado controla 28% do território nacional e mantém refém um quarto de nossa população”. Zé Preto também disse que somente homenagearia os policiais, “porque vagabundo não merece homenagem”.
No contraponto, a deputada Iriny Lopes chamou o episódio do Rio de Janeiro de “insanidade” e disse homenagear a todas as vítimas “da incompetência do governo do Rio de Janeiro”. A deputada Camila Valadão (PSOL) também homenageou a todas as vítimas e fez uma breve fala.
“É a operação mais letal da história, e isso fica na conta do governador do Rio de Janeiro. Política de extermínio não é política de segurança. Combate à criminalidade se faz com inteligência e não com violência. É lamentável que cristãos não lamentem a morte de todas as pessoas”, disse Camila. (Da Redação com WebAles)




















