Falta um mês para o aniversário de seis anos do desaparecimento da pavoense Katiane Renoke Zava, de 17 anos, que desapareceu na manhã do dia 24 de julho de 2017 e nunca mais foi encontrada.
A prima de 2º grau da menor, Marlete Renoke, disse que a jovem é filha única, tinha uma vida totalmente pacata e que inclusive, havia interrompido os estudos para ajudar os pais na propriedade, não tinha o hábito de sair de casa e que ela passava muito tempo utilizando as redes sociais, o que tem contribuído para que familiares acreditem na possibilidade dela ter marcado um encontro com alguém quando desapareceu.
A adolescente desapareceu após ser deixada pelo pai na rodoviária da cidade de Vila Pavão. De lá, ela seguiria para a casa de uma amiga onde iria comprar uma chapinha para cabelo. No entanto, Katiane não chegou ao destino e desde então não foi mais vista.
Esse desaparecimento, o entanto, está fora do levantamento inédito publicado neste final de semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referente aos anos de 2019 até 2021.
Mais de 200 mil pessoas desapareceram no Brasil nesse período segundo a publicação divulgada no Fantástico, da Rede Globo, na noite deste domingo, 21.
De acordo com o levantamento 112 mil pessoas foram encontradas neste período. Em média, são 183 desaparecidos por dia.
Os adolescentes de 12 a 17 anos são os que mais desaparecem no país (29,3%); 10% são jovens de 25 a 29 anos; 6,6% são pessoas com mais 60 anos; e as crianças representam 3,1%.
No Espírito Santo, desde 2020 existe um link (https://disquedenuncia181.es.gov.br/desaparecidos) que conta com as informações completas das vítimas, como a imagem da pessoa, qualificação, local do desaparecimento, idade atual e número do boletim de ocorrência relacionado ao fato, que poderá ser feito de maneira online.
O país ainda não tem um banco de dados unificado com todas as pessoas que desaparecem. Em 2019, o governo sancionou a Lei da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Essa lei previa a criação de um cadastro nacional que até hoje não existe. Segundo o Ministério da Justiça, a previsão é que esse sistema unificado seja criado até o fim deste ano.
Criado em 2013, o Banco Nacional de Perfis Genéticos une dados de DNA coletados por forças policiais de todo o país, mas ainda tem 18 mil restos mortais na fila para serem identificados.
A maioria das polícias civis do Brasil não tem procedimentos operacionais para casos de desaparecimento.
“A polícia investiga quando tem elementos”, afirma Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“Se o caso é um pouco mais complexo, acaba caindo mais no estoque de casos, que sobrecarrega as polícias civis (…). Infelizmente, os desaparecimentos no Brasil tendem ao esquecimento”.
Para a promotora Eliana Vendramini, que estuda o tema há dez anos, a busca pelos desaparecidos “não existe”. (Da Redação com Fantástico/Rede Globo)





















