
Weber Andrade
Moradores da região do rio Itaúnas, principalmente os que vivem abaixo da Barragem Everaldo Bianquini, estão preocupados com a invasão de formigas, provavelmente saúvas, na crista da represa e alegam que os ninhos (formigueiros) podem causa infiltração e erosão no local, trazendo danos e risco de rompimento no período das águas.
Após a denúncia junto à nossa reportagem, a secretária municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lislei Moreira Batista, informou que estaria tomando providências, o que foi iniciado nesta quarta-feira, 24.
“Vamos combater as formigas a partir desse mês ainda e depois vamos reflorestar”, informa.
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“Meu primo, Adriano, que é engenheiro, esteve no local recentemente e fez o alerta para o grande número de formigueiros na crista da barragem”, conta o líder do Comitê de Defesa da Bacia do Rio Itaúnas, José Carlos Alvarenga, o Carlinhos.
O engenheiro de Minas da Thorgran, Everton Girelli e o produtor rural José Cota, além de Carlinhos acompanharam nossa reportagem e também demonstraram apreensão.
“É uma situação perigosa, que tem que ser combatida agora, pois, se deixar chegar no período chuvoso pode realmente haver infiltração e a água causar danos sérios na estrutura da barragem”, comenta Girelli.
“Essa barragem foi uma bênção para a nossa região, não temos dúvidas disso. Basta ver o volume de água que temos hoje, com cerca de seis meses sem chuvas significativas, mas, a gente que mora abaixo dela, fica apreensivo, pois, um rompimento, no período chuvoso, com a barragem cheia e as terras abaixo delas encharcadas, pode trazer muitos prejuízos às famílias e atingir até a sede do município”, avalia José Cota.
Nossa reportagem demandou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável sobre o problema. A secretária Lislei Moreira Batista informou que a licença da barragem foi renovada, pois pertencia ao governo do Estado e foi passada para o município.
Iniciada em janeiro de 2019 a Barragem Everaldo Bianquini teve um custo aproximado de R$ 2,4 milhões e inundou cinco hectares de área (o correspondente a cinco campos de futebol), permitindo o acúmulo de 150 milhões de litros de água como reserva estratégica para a segurança hídrica.
Depois de pronta, a Seag, após fiscalização, fez uma revisão do projeto e viu a necessidade de construção da extensão do vertedouro (enrocamento) da barragem.
“A obra beneficia a toda a região, garantindo reforço para os tempos de estiagem, para uso na agricultura e no abastecimento humano. Tivemos que aprender com a última estiagem que castigou, principalmente, as regiões norte e noroeste do Estado”, afirma o prefeito Enivaldo dos Anjos, que articulou a vinda da barragem junto ao Governo do Estado.
De acordo, ainda, com o parlamentar cada represa dessas conquistada “é um passo no sentido de contribuir para o enfrentamento das crises hídricas que ocorrem cada vez em intervalos menores. Uma barragem não apenas garante acúmulo de água superficial, mas também abastece o lençol freático, permitindo o aumento de fluxo em nascentes da região”.
Sobre os formigueiros
Para acabar com o formigueiro de saúvas, é preciso calcular o seu tamanho. “O que nós costumamos ver no campo é um monte de terra. Debaixo existe toda uma estrutura que faz parte de um único ninho de formiga”, explica o professor Luis Forte, da Faculdade de Ciência Agronômicas da Unesp de Botucatu (SP).
Para estudar sua estrutura, o professor injetou concreto em um formigueiro. “Colocamos uma cauda de água e cimento nos buracos, nos respiros e nos túneis. Ele vai preenchendo todos os espaços e depois endurece. Retiramos toda a terra e apareceram as estruturas do formigueiro. Esse ninho de cinco anos tem túneis de 40 metros de comprimento, mas podem chegar até a 200 metros.”
No interior do ninho estão as câmaras, seja para alimentação e para aposento da rainha, seja para servir de lixeira. Um formigueiro chega a ter de 3,5 a 7 milhões de formigas.
As formigas não comem folhas. Elas as transportam até uma “roça” onde as folhas são picadas e dispostas numa estrutura própria onde ocorre a proliferação de fungos. Os fungos então crescem usando o substrato das folhas e eles é que servem de alimento para as formigas.
Ao lado da panela, ou câmara de fungos, há a lixeira, uma estrutura que serve para depósito de resíduos e sobras.
Numa estrutura especial, com a presença de muitas operárias, um ser desproporcional: a rainha. Antes de abrir o formigueiro, tinha asas e era chamada de tanajura ou içá. Ali ela vive junto de suas crias: larvas, ovos, pupas. Sua função é só uma: procriar. O formigueiro só se desfaz quando a rainha desaparece.
“Não é muito difícil matar formigas, mas é preciso saber algumas coisas importantes. Não coloque a isca em horário que as formigas não estejam trabalhando. Antes do sol ficar muito forte é melhor, assim elas levam mais rapidamente. Não pode colocar a isca com previsão de chuva.”
É preciso um bom manejo da isca. Tem hora que parece que a formiga evita mexer nela. Tendo folha fácil, ela prefere a folha. Às vezes é até preciso mudar de olheiro, mas sempre no mesmo ninho para a formiga cair na armadilha.
O professor Luis Forte avisa que a isca não dá resultado imediato. É preciso esperar uns dias até o formigueiro secar. Se não der certo, é melhor consultar um técnico para ver o que foi que não funcionou. E tenha cuidado. A isca faz mal aos animais de criação.































