Três bairros onde facções disputam o controle do movimento do tráfico de drogas lideram as mortes na Região Metropolitana da Grande Vitória, todos eles na Serra e dentro de um mesmo contexto geográfico: Balneário Carapebus, Novo Horizonte e Bairro das Laranjeiras, em Jacaraípe. Os três “contribuem” com oito homicídios cada um para o total de 92 crimes intencionais contra vida ocorridos no município em 2025. Ou seja, 26%.
Mas não são os mais violentos do Estado. Esse “status” fica com dois bairros do Norte do Estado: Santa Cruz, em Linhares, com 11, e Guriri, em São Mateus, com nove. “Guriri estava controlado e desandou agora no segundo semestre. Santa Cruz é uma região grande, de periferia, e complicada, com outras comunidades agregadas”, disse o delegado Fabrício Dutra, que deixou a superintendência regional Norte nesta semana para assumir a chefia do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), que cuida de crimes contra a vida na Região Metropolitana.
PROXIMIDADE
De acordo com o “ex-xerife do Norte”, os homicídios na região têm uma característica diferente: crimes de proximidade. Em geral, quem mais mata é o tráfico, o caso dos bairros da Região Metropolitana, segundo o delegado, mas na região onde ele chefiou a Polícia Civil desde janeiro de 2023 o compoNente “proximidade” acaba sendo o maior.
“Pelo menos 45% dos homicídios são crimes dessa natureza: brigas entre pessoas por motivos, muitas vezes, banais. Pela primeira vez na história baixamos os homicídios para menos de 200 por ano na região, onde já havia sido mais de 300. E fizemos isso combatendo aquilo que a Polícia tem condições de prever melhor, o tráfico e a pistolagem”, disse Dutra. “Ninguém apreendeu mais drogas e prendeu mais traficantes nesse período do que a Superintendência Norte”, acrescentou.
Segundo o delegado, a primeira grande operação feita após sua chegada foi a “Operação Assassinos”: “Prendemos os oito maiores assassinos, os que mais matavam na região. Em Jaguaré tinha um com 19 mandados de prisão. Melhoramos o atendimento nas regiões de São Mateus, Linhares e Aracruz, buscamos apoio para melhorar as instalkações nas delegacias, inauguramos a de Vila Valério, uma cidade pequiena, mas complicada por causa da presença do tráfico faccionado”, disse Dutra.
Um ano antes de o superintendente chegar para a região, Vila Valério havia registrado uma chacina de quatro pessoas (em janeiro de 2022), a morte de um empresário em plena luz do dia e acumulara dez homicídios em 2022, uma taxa absurda de 71,4 homicídios por 100 mil habitantes, principalmente para um município com 14 mil habitantes, com pequeno centro urbano e a maioria da população distribuída pela zona rural, na produção de café conilon. O ano seguinte, 2023, foi ainda pior, com 11 homicídios.
A partir da chacina de janeiro de 2022, na zona rural, a Polícia descobriu uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) atuando entre Jaguaré e Vila Valério, usanda a cidade pequena como base por conta do baixo monitoramento. Dois dos cinco envolvidos no crime morreram em confronto com a Polícia Militar, um foi preso (fugiu na manhã desta seguinda-feira, 01.12, da penitenciária de São Mateus), outro foi preso em outubro em Barueri, São Paulo, e o chefe do bando está foragido até hoje).
“Havia esse problema de falta de efetivo. Estou saindo e deixando os 12 municípios da região com delegados. Quando inauramos a delegacia de Vila Valério, com delegado, os homicídios já baixaram imediatamente. Foram quatro em 2024 e, até o momento, apenas três em 2025. E a equipe local, apenas de pequena, é muito eficiente e faz muitas prisões qualificadas”, disse Dutra. Dos 11 homicídios de 2023, todos eram homens. em 2022, foram duas mulheres, a mãe a a filha mortas na chacina de janeiro, quando o alvo era o namorado da moça.
SOBE E DESCE
A região Norte, compreendida por 12 municípios no planejamento do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, vai de Fundão a Conceição da Barra, no litoral, mais Rio Bananal, Pedro Canário e Vila Valério. Em 2024, teve redução de 25% no número de homicídios, caindo de 233 para 173, ficando pela primeira vez abaixo de 200 por ano. E, em 2025, a redução está em 6,7% em relação a 2024, projetando em torno de 165 homicídios.
Dos 12 municípios, cinco aumentaram o número de homicídios: São Mateus, Sooretama, Rio Bananal, Jaguaré e João Neiva (este, o menos expressivo, pois havia zerado em 2024 e teve um em 2025, uma execução do tráfico). A redução mais significativa foi Conceição da Barra, de 14 para cinco (64,3%). També mreduziram Linhares, Aracruz, Fundão, Pedro Canário e Vila Valério. A cidade de Ibiraçu está com os mesmos três do ano passado.
Duas cidades, Linhares (46) e São Mateus (40), somam 56,2% dos homicídios da região. Linhares reduziu 16,4% em relação a 2024, mas São Mateus aumentou 11,1%. Entre elas, fica Jaguaré, ex-distrito e próxima a São Mateus. Cidade em pleno desenvolvimento baseado no agro, especialmente no café, Jaguaré voltou a aumentar os homicídios – 50% em relação a 2024.
Somando as três cidades, são 96 homicídios, ou 64% de tudo o que aconteceu na região de 620 mil habitantes. Proporcionalmente, São Mateus tem mais homicídios do que Linhares e Jaguaré tem mais do que São Mateus. E Sooretama tem mais do que Jaguaré. Por 100 mil habitantes, a taxas são as seguintes: Sooretama – 41,78 homicídios/100 mil habitantes/ano; Jaguaré – 41,42; São Mateus – 32,42; Linhares – 27,27.
Controlar essa onda, que parece associada à presença de pelo menos quatro facções disputando o tráfico de drogas (PCC, PCV/CV, TCP e BDM, da Bahia) na região, numa conexão ampliada com o Sul da Bahia e o Nordeste de Minas Gerais, parece ser um desafio para as autoridades da Segurança Pública. No caso da Polícia Civil, agora sob a superintendência de Leonardo Malacarne, que era o delegado regional de São Mateus.
O Espírito Santo virou o primeiro dia de dezembro com redução de 9,7% no número de homicidios, projetando o menor número da série histórica de 30 anos, com 18,9 homicídios por 100 mil habitantes.Nesse período, o pior índice foi de 2009, quando o Estado chegou a 58,9 homicídios por 100 mil habitantes. (Da Redação)
Espírito Santo já teve 58,95 homicídios por 100 mil habitantes e mais de 2 mil por ano





























