José Caldas da Costa (editor de conteúdo)
Desde que o Guarapari quebrou a hegemonia dos grandes da capital nos anos 80, o futebol capixaba nunca mais foi o mesmo. O final dos anos 90 e as duas primeiras décadas do século XXI mostraram uma nova geografia de títulos estaduais.
Começou com o Alegrense bicampeão logo no início do século e se confirmou com a recente ascensão do Real Noroeste, time criado por um empresário do granito na pequena Águia Branca, que tem menos de 10 mil habitantes, mas que já disputou até a Copa do Brasil e neste ano representa o Estado no Brasileiro da Série D.
Por coincidência, foi também o período em que o futebol capixaba despencou de divisão em divisão no Campeonato Brasileiro, até chegar à Série D (quarta divisão) de onde não consegue desagarrar faz tempo. E, contrariando o discurso da antigamente, não é por falta de um grande estádio. O Kleber Andrade está aí, estadualizado e moderno.
Há times que chegam, ganham títulos e desaparecem, como o próprio Guarapari, Colatina, Alegrense, Muniz Freire, Ibiraçu, Mimosense, Aracruz e Atlético Itapemirim.
O futebol do Espírito Santo gravita em torno dos chamados clubes históricos: Rio Branco, da capital no nome, por sua origem em Jucutuquara, o Vitória e, nos últimos 60 anos, a Desportiva, que resultou da fusão de cinco times ferroviários e quase desapareceu quando perdeu suas origens e caiu nas mãos de um empresário aventureiro como Desportiva Capixaba – problema que trava a Desportiva Ferroviária até hoje.
Adversário do Rio Branco centenário na final de 2024, que começa neste domingo, o Rio Branco, de Venda Nova do Imigrante, chamado Polenteiro pela tradição dos descendentes italianos da cidade-sede, chega à sua terceira decisão da Primeira Divisão em cinco anos.
Sua campanha em 2024 foi um retrato de seu histórico nesses últimos cinco campeonatos: campeão em 2020, vice em 2021, rebaixado em 2022, vice-campeão da Série B em 2023 e, agora, finalista em 2024.
E, para chegar a essa decisão, o Branco Polenteiro flertou com o rebaixamento de novo até 15 minutos antes do final de seu último jogo na fase classificatória, diante do Vitória-ES em seus domínios. Seu triunfo, combinado com outros resultados, acabou dando-lhe a classificação para o mata-mata até mesmo à frente do seu adversário daquele dia.
A chegada do time de Venda Nova à decisão do Capixabão de 2024 é uma lição para a vida. O tricolor das montanhas capixabas somente conseguiu vencer seu primeiro jogo na sétima das 11 rodadas da primeira fase.
Depois disso, não perdeu mais, e eliminou dois grandes históricos – Desportiva nas quartas-de-final e Vitória nas semifinais. Conseguirá derrubar o terceiro clube histórico na decisão em dois jogos?
Melhor fazer uma aposta dupla, porque, assim como na vida, o Brancão Polenteiro mostra que não é como você nasce que importa, mas sim o que você faz com as adversidades e como você chega ao final.
Os resultados de todos os jogos do Rio Branco VN no Capixaba 2024
Nova Venécia 1 x 0 Rio Branco VN
Porto Vitória 2 x 1 Rio Branco VN
Rio Branco VN 3 x 3 Desportiva Ferroviária
Rio Branco-ES 1 x 0 Rio Branco VN
Rio Branco VN 0 x 0 Jaguaré
Rio Branco VN 1 x 1 Real Noroeste
Serra 0 x 1 Rio Branco VN
Estrela do Norte 0 x 0 Rio Branco VN
Rio Branco VN 2 x 1 Vitória-ES
Rio Branco VN 0 x 0 Desportiva Ferroviária (quartas de final)
Desportiva Ferroviária 0 x 1 Rio Branco VN (quartas de final
Vitória-ES 0 x 1 Rio Branco VN (semifinal)
Rio Branco VN 2 x 1 Vitória-ES (semifinal)

https://www.campeoesdofutebol.com.br/espirito_santo.html
























