Os crimes letais intencionais tiveram queda de 2,9% entre janeiro e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o Observatório de Segurança Pública para o Espírito Santo, foram 727 assassinatos no ano passado e 706 este ano.
Os dados do Observatório apontam que, a Região Noroeste continua puxando os crimes letais no Estado, para cima. Foram 110 homicídios até setembro deste ano, contra 81, no mesmo período de 2022, crescimento de 35,8%.
Em visita a Barra de São Francisco recentemente, o secretário estadual de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho, admitiu que a região ainda é um gargalo nos resultados da Sesp.
“Realmente a Região Noroeste apresenta o maior índice de aumento (da criminalidade), as demais regiões bem próximas da gente virar e a Grande Vitória com um bom resultado, que tem levado os índices pra baixo. O que a gente observa é que 80% dos homicídios estão ligados ao tráfico de entorpecentes, então, é muito ruim ver uma geração de 14 a 29 anos dedicada diretamente ao tráfico e que não enxerga um emprego formal e o ensino como oportunidade, entram nessa vida acreditando que vão conquistar alguma coisa e a única coisa que elas vão conquistar é o caixão ou a prisão. Então nós temos perdido uma geração que faz parte dessas estatísticas”, observou.
Para se ter uma ideia apenas Barra de São Francisco e Águia Branca na área da Aisp 11 (11º BPM) têm menos homicídios até setembro deste ano do que no mesmo período do ano passado.

Investimentos
Para melhorar as estatísticas, o governo está investindo em segmentos pontuais da segurança pública. O gestor deu destaque para a readequação do efetivo, construções e reformas de delegacias e centros prisionais, a aposta no Centro de Inteligência da Defesa Civil, o investimento em tecnologia e compra de armas (8.200) e de novas viaturas.
Titular do colegiado, o deputado Coronel Weliton (PTB) comentou sobre os investimentos e cobrou a valorização dos efetivos. “Nós entendemos que esse apoio e esse investimento que tem sido feito nas obras físicas, no aparelhamento das instituições têm sido muito importantes, mas nós gostaríamos que fosse feito um investimento no policial. Porque não adianta ter um helicóptero se o servidor não estiver motivado. Se ele não for valorizado ele não vai produzir”, opinou.
Celante respondeu. “Em relação aos equipamentos, eles também significam qualidade de vida no trabalho do policial. Quando é feita uma reforma ou construção de uma delegacia, de um batalhão de uma companhia, você não dá ao policial uma parede pintada, você dá a ele dignidade em seu local de trabalho. Isso também é valorização, o governo já investiu mais de R$ 500 milhões nos últimos quatro anos, ou seja, realmente uma preocupação com o nosso policial”, retrucou o subsecretário.
Teleflagrante
Muito questionado e criticado por parlamentares da comissão, o teleflagrante foi defendido pelo delegado da Chefatura de Vitória, Felix Meira, responsável pela coordenação do teleflagrante no Estado. Uma das principais linhas de defesa do delegado é a economia gerada pelo modelo que concentra as ocorrências entregues nos plantões das Delegacias Regionais, que passaram a ser processadas por delegados e escrivães de forma remota.
Conforme o delegado, antes da implantação do dispositivo, eram necessários 92 delegados e 122 escrivães para lavrar os flagrantes, atualmente, com a utilização do teleflagrante, são necessários 33 delegados e 62 escrivães.
“Uma economia de efetivo significativa. Ou seja, 59 delegados são utilizados agora para atividades exclusivamente investigativas. Não são mais deslocados ou não são mais utilizados para os plantões. Então a gente consegue ter um corpo de servidores desempenhando exclusivamente a atividade investigativa”, argumentou.
De acordo com Felix Meira, o teleflagrante contribuiu para que tenham sido realizados mais de 16 mil procedimentos, entre flagrantes, medidas protetivas, procedimentos avulsos, boletins circunstanciados, apreensões e termos circunstanciados de ocorrência (TCO).
(Da Redação com Webales)


























