O Serviço de Inspeção Municipal (SIM), é relativamente novo em Barra de São Francisco. Foi implantado na gestão passada e ganhou novo impulso na atual administração. O SIM é o responsável pela fiscalização do abate de bovinos e suínos feitos no município, além de fornecer às agroindústrias o Selo de Inspeção Municipal, que certifica que os produtos atendem a normas de higiene e qualidade.
Mas, o alto preço da carne bovina desde o início do ano passado, tem levados muitos comerciantes a abrirem mão do selo de qualidade e comprarem bovinos inteiros para “desmanchar”.
Esta semana nossa reportagem conversou com donos de barracas de churrasquinho, bares e até restaurantes e alguns deles, sob condição de anonimato, contaram que estão preferindo comprar cabeça de gado e porcos para abaterem, evitando os frigoríficos.
“Eu comprei uma novilha, a R$ 270 a arroba, contratei um açougueiro para desmanchar e cortar tudo em cubos próprios para o espetinho, exceto o músculo, já que era uma novilha bem nova e toda a carne é macia”, conta uma vendedora de churrasquinho, salientando que conhece outras pessoas do ramo que estão fazendo o mesmo.
“O preço no açougue não baixa por nada. Eles culpam os frigoríficos pelo preço alto, mesmo com a arroba do boi sofrendo uma grande queda no preço desde meados do ano passado, então, a solução é comprar o boi ou vaca inteiro e pagar alguém para desmanchar”, afirma um dono de bar.
Até mesmo para fazer aquele churrasco em casa, tem muita gente comprando carne sem inspeção no interior do município, onde a fiscalização da Prefeitura não chega.
“Eu prefiro encomendar a carne e ir lá – um distrito do interior – buscar para fazer churrasco lá em casa. Sai muito mais em conta e o produtor e vendedor é meu conhecido, só vende coisa boa”, afirma um comerciário que adquiriu 20 quilos de carne bovina a R$ 30,00 o quilo.

Perigo para a saúde
O Serviço de Inspeção Municipal (SIM) fiscaliza o abate no Frigorífico São Francisco, no Polo Industrial Albuíno Azeredo, onde são abatidos, em média, 300 animais por semana, entre suínos e bovinos.
Mas a médica veterinária Anne Veiga, da Secretaria Municipal de Agricultura (Semag), salienta que essa prática, além de trazer prejuízos financeiros para o município, é perigosa para a saúde.
“Existem diversas doenças que podem ser transmitidas através dos alimentos, como: tuberculose, brucelose, cisticercose, teníase, listeriose, toxoplasmose, botulismo, salmoneloses e outros surtos diarreicos, tanto em carnes in natura como em alimentos processados. Essas doenças podem se manifestar através de uma simples indisposição ou de sintomas mais graves, como diarreia, vômito, febre e outros que exijam tratamentos específicos. Em alguns casos, podem levar a morte ou gerar sequelas permanentes”, explica Anne Veiga.
Anne salienta que passam pela inspeção e fiscalização também os estabelecimentos que produzam alimentos de origem animal – carne e seus derivados de bovinos, suínos e aves (linguiça, torresmo, salaminho); pescado e seus derivados (filé de peixe, camarão); leite e seus derivados (queijo, iogurte. doce de leite); ovos e seus derivados; mel e seus derivados (própolis, geleia real).
“Gostaria de reforçar que a inspeção de produtos de origem animal é de extrema importância para a saúde pública. É ela que assegura que aquele alimento que está sendo consumido não ofereça nenhum risco à saúde da população, e que foi obtido seguindo todas as normas de higiene, garantindo a saúde e o bem-estar de toda a população que consome produtos inspecionados e fiscalizados e que possuam selo ou de algum tipo de inspeção”, observa. (Da Redação)


























