Os dois casais envolvidos no assassinato dos dois soldados da Polícia Militar, Bruno Mayer Ferrani e Paulo Eduardo Oliveira Celini, na madrugada deste domingo, 16, no bairro Santa Bárbara em Cariacica, na Grande Vitória, foram presos. Um casal se escondeu em um motel para fugir da prisão.
Os presos são Eduardo Bonfim Meireles, 40 anos e a namorada dele, Érica Lopes Ferreira, 26 anos, filha de Eric, além de Eric da Silva Ferreira, 45 anos e a namorada dele, Luana de Jesus Luz, 26 anos.
De acordo com a polícia, os quatro passaram a noite bebendo para comemorar o aniversário de Eduardo, que confessou ter atirado contra os policiais. Foi na volta pra casa que eles decidiram assaltar um grupo de amigos no bairro Santa Bárbara e foram perseguidos pelos soldados Ferrani e Celini.
Segundo a polícia, Eduardo é um dos mais de 20 fugitivos que escaparam do complexo de Xuri durante uma fuga em massa em dezembro do ano passado e já foi preso por homicídio e roubo.
De acordo com o tenente-coronel Schulz, comandante do 7º Batalhão da PM, Eric e Luana foram presos pouco tempo após o crime na Rodovia Leste-Oeste, que liga os municípios de Vila Velha e Cariacica.
“Estavam em uma situação de nervosismo e a partir dali começaram a falar como aconteceu. Começamos a fechar o cerco de possíveis locais onde [o outro casal] poderia estar escondido e tudo levava a crer que eles poderiam estar escondidos em motel de Cariacica”, informou o tenente-coronel.
Eduardo e Érica estavam escondidos em um motel no bairro Rio Branco, em Cariacica e foram presos sete horas após o crime. Com os dois, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros e as duas armas roubadas dos policiais militares após o crime.
“De forma velada, fizeram a abordagem de forma a não levantar suspeitas e fizeram a detenção deles ali. Estavam fora do quarto, deixaram uma arma de um policial embaixo do colchão. Estavam saindo com uma arma deles 9 milímetros e a arma de outro policial”, disse o tenente-coronel Schulz, comandante do 7º Batalhão da PM.
De acordo com o delegado Luiz Gustavo Ximenes da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os suspeitos fazem parte de uma organização criminosa especializada em roubos e já foram presos outras vezes.
“Três tem passagem por roubo e um deles por homicídio. Um deles forneceu o nome falso. Vamos saber quem efetuou o disparo. Vamos especificar a conduta de cada indivíduo, mas todos serão autuados”, disse o delegado.
Os presos foram autuados pelos crimes de homicídio, associação criminosa armada e roubo. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não havia obtido contato dos presos ou das defesas deles.
O crime
Os soldados Bruno Mayer Ferrani, 30 anos e Paulo Eduardo Oliveira, 29 anos, estavam perseguindo criminosos quando foram surpreendidos por suspeitos, que estavam escondidos atrás de um caminhão estacionado.
Segundo o boletim do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), testemunhas relataram que os militares teriam sido baleados dentro do carro da PM, que também foi atingido por mais de 10 tiros. Um dos policiais foi atingido com um tiro no rosto e o outro com um tiro na axila.
“Os militares realizavam o acompanhamento a um veículo, suspeito de envolvimento em um roubo, quando, nas proximidades do bairro Santa Barbara, em Cariacica, dois ocupantes do veículo desembarcaram e se renderam. Ao se aproximarem, os militares foram surpreendidos por outros dois criminosos, um homem e uma mulher, que estavam escondidos atrás de um caminhão estacionado. Um desses indivíduos atirou contra os policiais, que foram atingidos e chegaram a receber socorro, mas vieram a óbito no hospital”, informou a Sesp.
Os policiais foram atraídos para uma emboscada. Ambos morreram dentro da viatura: um com tiros no rosto e o outro nas axilas. Ao todo, foram ouvidos 12 disparos.
Num vídeo que circula em vídeo de policiais, o homem se identifica como Marcelo Gomes Freitas e confessa que foi ele, e não Erica, quem atirou contra os dois policiais, levando-os à morte. A perícia, entretanto, é que poderá indicar qual dos dois atirou.
A Secretaria de Estado de Segurança apurou, no entanto, que o homem deu nome errado para os policiais. Na verdade, trata-se de Eduardo Bonfim Meirelles, 40 anos, que fugiu da Penitenciária do Xuri, Vila Velha, num grupo de 20 presos, no dia 3 de dezembro de 2021. Ele estava condenado por homicídio.
São quatro os presos até o momento. Além de Eduardo Bonfim e Érika Lopes Ferreira, foram presos, já no primeiro momento, o casal Eric da Silva Ferreira, de 45 anos, e Luana de Jesus Luz, de 26 anos.

A OCORRÊNCIA
A polícia ainda faz buscas para localizar demais envolvidos no crime contra os agentes públicos. Pelo menos mais dois casais participaram da ação, segundo informações que circulam nas redes sociais.
A ocorrência policial registra que no dia 16 de outubro de 2022, às, 03h04min, na rua Manoel Freire Correia, Santa Bárbara, os militares informaram que estariam em acompanhamento a veículo suspeito de placa MQE-3H81, sendo um VW Fox, cor cinza.
Posteriormente, testemunhas ligaram para o CIODES informando que uma guarnição teria sido alvejada por disparos de arma de fogo e que o crime teria sido praticado por dois homens e uma mulher.
Os militares da guarnição RP 4493, foram identificados como SD PM Bruno Mayer Ferrarini, 29 anos, RG 24.909-6, e SD PM Paulo Eduardo Oliveira Celini, 30 anos, RG 25.284-4 , sendo ambos atingidos pelos disparos e socorridos para o Hospital Meridional, entretanto ambos evoluíram a óbito.
Posteriormente, outro veículo envolvido no crime foi apreendido, sendo um Fiat Argo, placas RFK-0C66. Segundo informações obtidas pela polícia, as armas dos militares foram levadas pelos marginais. O boletim do CIODES recebeu o número 4914271)
Bruno estava na PM desse 2015, enquanto Paulo Eduardo entrou em 2021. Ambos eram casados.
SEPULTAMENTO
O corpo do soldado Ferrani está sendo velado no Memorial Zelo (Av. Min. Euríco Sales de Águiar, 43 – Campo Grande), desde às 18h deste domingo e será sepultado no Cemitério do bairro Santo André, às 10h desta segunda-feira, 17.
Já o corpo do soldado Celini é velado na Igreja Cristã Edificada (ICE), em Itacibá (Rua João Prudêncio, nº 124). O enterro será no Cemitério Parque da Paz (Rodovia do Contorno) às 13h30 desta segunda-feira.
REAÇÃO
O ataque gerou Imediata repercussão junto à tropa. Nas redes sociais circula um áudio ainda postado na madrugada em que um policial de prontidão alerta a um colega, que ainda dormia, para não sair de casa para o campo de futebol, como costumeiramente faz quando está de folga aos domingos.
“(… Meu irmão. Houve uma ordem aí do PCV e pessoal que está vindo do Rio de Janeiro para matar polícia. Mataram dois numa viatura numa abordagem rotineira e um terceiro foi atacado de facão e está em estado grave. Vai vir aí uma repressão violenta por parte da Secretaria de Segurança, evita sair de casa hoje. Sei que você está dormindo, mas vai ouvir isso quando acordar “, diz o polícial ao seu colega.
Áudios da ocorrência de madrugada foram vazados no Ciodes de forma ilegal e enviados para a campanha da oposição ao Governo do Estado, passando a ser utilizados ostensivamente.
Um outro áudio, supostamente de um policial, detalha como teria sido a emboscada de madrugada. E atribui a ação a uma mulher, velha conhecida da polícia, de iniciais E. L. F..
“Chegou a informação aqui na CPU de Viana de que a tal de Luana, que estava detida em princípio, estava ela e o namorado com um outro casal no Fox, tentando as assaltar o pessoal ali na Leste-Oeste, o pessoal do Argo branco. Só que a viatura chegou. Eles deram fuga, se distanciaram da viatura, pararam em um ponto, desembarcou um casal, e a Luana e o namorado dela ficaram”, diz a gravação, que continua:
“Quando a viatura chegou para abordar, o namorado da Luana falou que estava tranquilo, no que não precisava daquilo e que eles iriam se entregar. Quando os policiais se aproximaram dos dois para realizar a abordagem, a Érica, que era a outra mulher que estava no carro com o namorado, estava de posse de uma pistola de 9mm e efetuou os disparos nos dois policiais. Tipo armaram uma emboscada para eles. O primeiro casal foi usado como isca lá perto do Sítio Torezani, quando a viatura foi abordar os doís, saíram outros dois casais e realizaram os disparos. Em princípio, foi a Érica”.
O polícial compartilhou a foto da suspeita com seus colegas. A TNL, no primeiro momento, não divulgou a foto porque a informação ainda não estava confirmada. (Da Redação)































