A Petrobras informou nesta terça-feira, 19, que reduziu o preço da gasolina vendida às distribuidoras a partir desta quarta, 20. O valor do litro passa de R$ 4,06 para R$ 3,86 por litro. Os preços cobrados nos demais combustíveis não serão alterados.
A redução do preço da gasolina será de R$ 0,20 por litro, ou -4,93%. É a primeira queda desde dezembro.
O valor volta a ser o mesmo de maio deste ano. No último ajuste, anunciado pela Petrobras em junho, o preço médio de venda de gasolina havia subido de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro (alta de 5,18%).
Preços na bomba
Ao contrário do que acontece quando o reajuste é para cima, hoje, 20, os preços amanheceram inalterados nos postos de combustíveis de Barra de São Francisco.
Funcionários de dois postos ouvidos pela nossa reportagem afirma que, depois da redução de quase R$ 2,00 por litro, os postos não têm mais espaço para redução de preço. Isso contradiz a lógica. As reduções de preços anteriores foram em função da redução de impostos, com aplicação imediata.
“Quando o imposto cai, a aplicação é imediata e o preço cai de imediato porque a cobrança tributária é na ponta, na venda. Quando a redução é no preço do fabricante, no caso, a Petrobrás, é normal haver um delei para chegar à bomba, porque os estoques dos postos ainda estão no preço antigo, mas quando chega o combustível com preço reduzido, vindo das distribuidoras, é regra que o preço ao consumidor final também caia”, explicou uma fonte da TNL, com muita experiência no setor.
O não repasse da queda de preço do preço na Petrobras pode se constituir crime contra a economia popular e resultar em ação do Ministério Público, segundo outra fonte, com especializado em Direito.
Os preços de venda de combustíveis às refinarias pela Petrobras são um dos fatores de composição do preço final dos combustíveis, junto com impostos e fatia de distribuidoras e revendedores.
A Petrobras afirma que, considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 2,96, em média, para R$ 2,81 a cada litro vendido na bomba.
Quem apura o valor na bomba é o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Por lá, a gasolina teve queda nas últimas três semanas, por conta da limitação do ICMS aprovada pelo Congresso Nacional. A proposta teve origem na Câmara, onde foi aprovada com o objetivo de reduzir os preços, principalmente, dos combustíveis e da conta de luz em ano eleitoral.
A medida fez o preço médio da gasolina passar de R$ 7,39 para R$ 6,07. A redução nas refinarias deve empurrar o valor ainda mais para baixo.
A Petrobras ainda se vale da redução dos preços do petróleo Brent desde fevereiro, que chegaram perto dos US$ 140 no estouro da guerra na Ucrânia e hoje giram em torno dos US$ 100.
Segundo a petroleira, a redução “acompanha a evolução dos preços internacionais de referência, que se estabilizaram em patamar inferior para a gasolina, e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.
Desde que foi instaurada a política de paridade de preços internacionais (PPI), em 2016, a Petrobras tenta parear o preço da gasolina na refinaria com o preço internacional. Ou seja, os reajustes são resultado das oscilações dos preços do petróleo e do câmbio.
Mas, mesmo com redução dos preços das commodities, o câmbio não aliviou. No fim de maio, o dólar comercial estava cotado na casa dos R$ 4,70. Hoje, opera próximo aos R$ 5,40. (Da Redação com g1)
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