A situação não é nova, vários estudos desde que aconteceu o crime ambiental em Mariana que despejou 43 milhões de m³ de rejeitos de mineração no rio Doce, comprovam que os peixes do rio ficaram inadequados para o consumo.
Um artigo publicado em novembro de 2020, exatos cinco anos depois do acidente, confirmou cientificamente, ‘pela primeira vez’, a contaminação por metais em peixes do estuário do Rio Doce, no Espírito Santo, após o rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana, Minas Gerais.
As análises mostram que, em agosto de 2017, peixes comestíveis coletados na Vila de Regência, localidade do município de Linhares, no Norte do Espírito Santo, apresentavam níveis de arsênio, cádmio, cromo, cobre, mercúrio, manganês, chumbo, selênio e zinco acima do permitido para consumo humano.
Na mesma época, a concentração de cádmio, cromo, chumbo e zinco nos sedimentos do estuário era de dez a 350 vezes maior do que no período anterior ao desastre, segundo o estudo feito pela Fiocruz com parceiros capixabas e mineiros.
Nesta quarta-feira, 24, o jornal A Gazeta mostra que, faltando pouco mais de dois meses para o aniversário de sete anos da tragédia, a situação continua.
No total, 42 municípios afetados fizeram parte de uma perícia sendo que no Espírito Santo, foram analisados dados e amostras dos municípios de Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Linhares, Marilândia e São Mateus. O laudo foi feito para o processo que corre na 12ª Vara Federal Cível e Agrária da Seção Judiciária de Minas Gerais, que cuida da reparação e compensação dos danos advindos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).
Segundo o laudo, os peixes estão contaminados, principalmente, com mercúrio, metilmercúrio, arsênio inorgânico e as bifenilas policloradas (PCB). Segundo o especialista em Biologia da Conservação, Elber Tesch, os metais encontrados são alguns dos piores para a saúde humana.
“O ferro e o alumínio, por exemplo, fazem parte do nosso organismo e, em pequenas quantidades, podem ser benéficos. Mas esses metais encontrados não fazem parte do nosso organismo e são alguns dos mais agressivos, então, mesmo em pequenas quantidades, trazem riscos”, afirma o biólogo.
O laudo aponta as quantidades dos metais presentes nos peixes, maiores do que o limite permitido de acordo com a legislação brasileira ou europeia, no caso das substâncias em que não há limite estabelecido no país.
Veja o trecho:
“Para o arsênio total foi observada a extrapolação do limite máximo tolerado em 0,25% das amostras de peixes analisadas provenientes da região dulcícola (água doce), 7,50% da região estuarina e 53,06% da região marinha. Para o cádmio total, a extrapolação do limite máximo tolerado ocorreu em 2,37% das amostras de peixes analisadas na região dulcícola.”
Os resultados não comprovam o início da toxicidade em qualquer população exposta observada. No entanto, de acordo com o laudo, quanto mais frequente estes níveis forem excedidos, maior a probabilidade de ocorrência de alguma manifestação tóxica.
Segundo o biólogo Elber Tesch, mesmo que o peixe seja consumido em pequenas quantidades ainda pode haver risco. “Um ribeirinho que come peixe quase todos os dias, mesmo em pequenas quantidades, pode sofrer com isso. Esses metais são elementos aculmulativos, ou seja, com o passar do tempo é que os danos podem começar a aparecer”, explica.
A Fundação Renova, entidade criada para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem, foi procurada para comentar o laudo, mas não houve retorno até a publicação. (Da Redação com informações de Portal Fiocruz e jornal A Gazeta/Cotidiano)
























