O site e jornal A Tribuna, publicaram, no último sábado, 15, reportagem onde o delegado de Defesa Institucional da Polícia Federal no Espirito Santo, Guilherme Helmer, aponta um número de 2.532 moradores do Espírito Santo deportados dos Estados Unidos entre 2019 e fevereiro deste ano e, destes, 1.587, como apurou a nossa reportagem, são da Região Noroeste do Estado.
Porém, as contas da PF estão defasadas, já que, desde fevereiro já chegaram pelo menos mais cinco voos com deportados dos EUA e, em todos eles, a maioria é de cidadãos do Espírito Santo e Minas Gerais.
Uma estimativa mais avançada, feita por um servidor da Polícia Federal em Minas Gerais, sob consulta do site Tribuna Norte Leste, aponta que o número de migrantes capixabas deportados este ano já passa de 2.000 e destes, cerca de 1,6 mil são da região de divisa com Minas Gerais.
Mantenópolis continua sendo o município da região Noroeste e de todo o Estado, com mais moradores deportados dos Estados Unidos: 525. Em segundo, Alto Rio Novo (287), Barra de São Francisco (268), Pancas (232), Colatina (150) e Água Doce do Norte (115).
Em nível nacional, o número de brasileiros deportados dos EUA atingiu seu maior patamar nos sete primeiros meses de 2022, com 2.423 cidadãos expulsos pelo governo americano, segundo os dados mais recentes da Polícia Federal.
O volume é comparável ao total de brasileiros deportados daquele país no ano passado: 2.447. Em 2021, a média foi de 204 deportados por mês. Até julho deste ano, ficou em 346, uma alta de 69%.
“O Brasil sempre vai dar o passaporte para seus cidadãos. Pediu passaporte, vai ter. O que ocorre é que vão sem visto, para países próximos que não exigem visto para a entrada. Hoje, o México, onde antes a solicitação poderia ser feita pela internet, exige o visto por meio de entrevista presencial”.
Guilherme Helmer esteve à frente de investigação deflagrada ano passado sobre a atuação de quadrilhas e o esquema de emissão de passaportes em Mantenópolis, cidade que tem o maior número de deportados no Estado.
“Ainda está em andamento, continua em investigação, por isso, não posso detalhar”, disse.
Para entrar nos estados Unidos, imigrantes ilegais recorrem a quadrilhas de coiotes mexicanos e brasileiros e pagam de R$ 53 mil a R$ 106 mil, valores cobrados por coiotes para atravessar o imigrante da fronteira do México para os EUA.
Entre as táticas está a conhecida como “Cai, cai”, quando a mulher atravessa com filhos e um desconhecido solteiro, simulando formar uma família, e se entrega às autoridades para entrar automaticamente em processo de deportação.
“Vêm com filhos, pois foi informado que não fica em detenção, mas é um mito. Por isso, aconteceu uma crise humanitária no governo Trump”, diz a advogada Anita Mignone.
Crimes sexuais
Além dos casos de detenções e deportações, há registros de crimes sexuais contra mulheres, crimes contra crianças, fome e mortes durante a travessia da fronteira.
Desde agosto, brasileiros que desejarem visitar o México para fins turísticos, comerciais ou culturais devem apresentar o visto impresso. Antes, era preciso só o eletrônico.
A Medida visa frear imigração ilegal para os Estados Unidos.
Pandemia
Com a pandemia da covid-19, aumentou o número de brasileiros que tentam entrar ilegalmente nos EUA.
A fronteira terrestre do Sul dos EUA com o México tem 3,2 mil km entre os Estados da Califórnia, Arizona, Novo México e do Texas.
Deportações
A maioria das deportações é feitas pelo Título 42 — implementado durante a pandemia e que prevê que pessoas que cruzarem a fronteira sem autorização legal e sem uma base para permanecerem no país (como pedido de asilo válido) serão deportadas prontamente.
A aceleração nas deportações ocorre, por exemplo, com a contratação de mais juízes de imigração e a realização de audiências online.
Outro exemplo é a finalização dos processos que não são de alta prioridade, como ações de ampliação de permanência com visto de turista, para priorizar as deportações. (Da Redação com Tribuna On Line)
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