A Unidade de Saúde Mental (USM), o Espaço Integrar e o Núcleo Margaridas, vão promover dois eventos voltados para a saúde mental nos próximos dias. Já nesta quarta-feira, 10, às 9h, a clínica de atendimento aos autistas de Barra de São Francisco, outro órgão da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), junto com a USM, um ‘bate-papo’ sobre a saúde mental, na sede do Espaço Integrar, no Bambé.
Na próxima segunda-feira, 15, às 10h, na Câmara Municipal, acontece uma palestra voltada para as mulheres, também promovida pela USM, mas em parceria com o Núcleo de Referência de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência (Margaridas), com o tema “Mulheres que cuidam da Mente, Cuidam da Vida.”
Barra de São Francisco está inserido no Núcleo Margaridas da Microrregião Região Noroeste, com sede em Nova Venécia.
Espaço Integrar
De acordo com a coordenadora do Espaço Integrar, Jamile Justino, o evento ação faz parte da campanha Janeiro Branco e busca oferecer oportunidade de autoconhecimento às famílias de usuários do local.
“Nós temos muitas pessoas com filhos e filhas autistas, algumas com grande sofrimento mental devido à condição especial dos filhos, então, buscamos essa parceria com a Unidade de Saúde Mental para fazer este bate-papo, com a intermediação do psicólogo Marcelo Augusto Ferreira de Souza e a psicóloga Eduarda Leandro dos Santos”, informa Jamile.
“Saúde mental enquanto há tempo! O que fazer agora?”
Este é o tema de comemoração dos dez anos de existência da campanha intitulada “Janeiro Branco”. O movimento, que teve início em 2014 na cidade de Urbelândia, Minas Gerais, pelo psicólogo e, atualmente, presidente do Instituto Janeiro Branco (IJB), Leonardo Abraão, tomou proporções nacionais e até internacionais e conta com o apoio de instituições públicas e privadas.
A importância dos cuidados com a saúde mental é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e vem ganhando cada vez mais lugar nos espaços de discussão sobre políticas públicas de saúde. Para a vice-presidente do Instituto Janeiro Branco e também psicóloga, Valéria Ribeiro, falar de saúde mental é falar de todas as outras coisas, pois estar com a saúde mental organizada, ter condições emocionais e subjetivas para funcionar no mundo é fundamental.
“Uma das mais valiosas riquezas do ‘Janeiro Branco’ é colocar em circulação conteúdos e informações sobre saúde mental, orientando indivíduos e instituições sociais em todos os lugares e espaços nos quais a campanha chega fazendo diferença nas vidas das pessoas”, ressalta Valéria Ribeiro.
Como reconhecimento de que o bem-estar emocional interfere em todas as áreas da vida, além de serem implementadas políticas públicas dedicadas à cultura dos cuidados com a saúde mental, com atendimentos individualizados e atitudes institucionais voltadas à qualidade de vida, foi aprovada, no dia 25 de abril de 2023, a Lei nº 14.556, que institui oficialmente a campanha “Janeiro Branco” em todo o território nacional. Antes disso, centenas de municípios e praticamente todos os estados brasileiros, inclusive o Espírito Santo, já tinham promulgado leis institucionalizando o “Janeiro Branco”.
“Este ano é a primeira campanha já com em lei em vigor. O fato de o movimento virar leis municipais, estaduais e lei federal só prova a necessidade, a legitimidade e a potência de uma iniciativa totalmente dedicada à construção de uma cultura da saúde mental na humanidade, um presente do Brasil para o mundo, agora, inclusive, reconhecido e multiplicado pelos estados brasileiros”, destaca o psicólogo Leonardo Abraão.
Sintomas e tratamento
O Brasil tem o terceiro pior índice de saúde mental do mundo, segundo o último relatório anual de Estado Mental do Mundo, que inclui 64 países. No Espírito Santo estima-se, com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), que 25% da população convive com algum tipo de transtorno mental, ou seja, cerca de 950 mil pessoas.
Identificar os sinais e buscar orientação nem sempre é tão simples, mas é essencial perceber os sintomas e procurar ajuda profissional. “É importante lembrar que cada pessoa é única e os sinais podem variar. Além disso, a presença de alguns desses sintomas não significa, necessariamente, um transtorno mental específico. Se alguém estiver preocupado com sua saúde mental ou com a de alguém que conhece, é aconselhável procurar a orientação de um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra”, explica o idealizador do “Janeiro Branco” Leonardo Abraão. Ele deixa um alerta para os seguintes sintomas:
Mudanças de humor extremas: oscilações frequentes entre extremos de humor, como tristeza intensa, irritabilidade ou euforia excessiva;
Isolamento social: retraimento social, evitando interações sociais ou retirando-se de atividades que costumavam ser apreciadas;
Alterações no sono: insônia, hipersonia (dormir em excesso) ou padrões de sono irregular;
Mudanças no peso ou hábitos alimentares: perda ou ganho significativo de peso sem uma razão aparente, ou mudanças marcantes nos hábitos alimentares;
Fadiga constante: sentir-se constantemente cansado, sem motivação ou energia;
Dificuldades de concentração: problemas para se concentrar, tomar decisões ou realizar tarefas cotidianas;
Autoestima baixa: sentimentos persistentes de inadequação, baixa autoestima ou autocrítica intensa;
Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio: pensamentos persistentes sobre a morte, morrer ou ideação suicida;
Mudanças no desempenho no trabalho ou na escola: dificuldades significativas no desempenho acadêmico ou profissional;
Aumento no consumo de substâncias: uso excessivo de álcool, drogas ou outros comportamentos de evasão;
Irritabilidade: sentimentos frequentes de irritação, raiva ou hostilidade desproporcional às situações;
Sintomas físicos sem causa aparente: dores crônicas, dores de cabeça ou outros sintomas físicos persistentes sem explicação médica;
Dificuldades nos relacionamentos: problemas recorrentes nos relacionamentos interpessoais, seja em casa, no trabalho ou socialmente;
Preocupação excessiva: preocupações constantes, ansiedade generalizada ou ataques de pânico;
Comportamentos autodestrutivos: participação em comportamentos de risco, autolesão ou abuso de substâncias.
É essencial que pessoas com sintomas não aguardem melhorias sem a orientação de um profissional de saúde. Recomenda-se procurar atendimento na Unidade Básica de Saúde local para acompanhamento pela equipe de Saúde da Família e, se necessário, encaminhamentos para atendimento especializado nos Caps.
Caso haja um surto psiquiátrico, é necessário chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) para encaminhamento ao serviço de urgência e emergência mais próximo, garantindo assim o atendimento necessário. (Da Redação com Secom/ES)
























