O corpo do pastor Gedelti Gueiros, 93 anos, fundador e presidente da Igreja Cristã Maranata, será sepultado às 16 horas deste domingo (6), no Parque da Paz, em Vila Velha.
Gedelti morreu na madrugada deste sábado (5). Ele estava internado há quatro dias e a Igreja vinha pedindo orações por ele.
O corpo será velado a partir daa 16 horas deste sábado, no Maanaim de Carapina, na Serra. No domingo, haverá um culto às 13 horas. Em seguida, o corpo sairá em cortejo num caminhão do Corpo de Bombeiros até Ponta da Fruta, em Vila Velha.

A igreja tem 57 anos. O jornalista Elimar Côrtes registrou em seu blog que Gedelti Gueiros foi o terceiro presidente da Igreja em toda a sua história.
O primeiro foi pastor Manoel dos Passos Barros, que presidiu a Igreja entre 1970 e 1986.
Seu sucessor foi Edward Hemming Dodd, cunhado de Gedelti. Pastor Dodd esteve como presidente até o seu falecimento em 7 de julho de 2007, quando foi sucedido por Gedelti, que condiziu a Igreja com mãos de ferro.
A Igreja Maranata foi fundada em janeiro de 1968, no bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha (ES), por um grupo que saiu da Igreja Presbiteriana.
Atualmente, a Igreja declara ter mais de 1 milhão de membros espalhados por mais de 5 mil templos, em mais de 100 países, e está em expansão para a América Latina.
DISPUTA DE PODER
O jornalista Elimar Côrtes registrou que a morte de Gedelti deve abrir uma disputa pelo poder na Igreja, que tem rigida estrutura administrativa vertical.
O atual vice-presidente da Maranata é o diplomata aposentado Alexandre Gueiros, primo de Gedelti.
Pastor Alexandre vai completar 77 anos em 11 de julho de 2025 e assumiu a presidência temporária da Igreja por conta da doença de Gedelti. Deve continuar na direção da Maranata, mas em breve haverá nova eleição pelo comando.
Caberá ao Conselho dos Presbíteros da Igreja Cristã Maranata marcar nova eleição para a sucessão de Gedeti.
Segundo fontes ouvidas pelo ‘site’ Blog do Elimar Côrtes, pode ser que o pastor Alexandre seja eleito presidente. No entanto, há outras lideranças que aspiram o mesmo cargo, o que provocará uma disputa interna pela primeira vez na história da Maranata.
De acordo com as mesmas fontes, com a morte de Gedelti, pastores que comandam os Conselhos dos Presbíteros da Maranata em Minas Gerais e no Rio de Janeiro poderão romper com a matriz no Espírito Santo.
O Conselho dos Presbíteros da Igreja Cristã Maranata é o órgão colegiado que exerce o governo eclesiástico da igreja, sendo responsável pela doutrina e administração. Este conselho é composto por pastores, que atuam como líderes espirituais e administrativos da Igreja.
A igreja tem muito poder econômico e político, com muitos juízes, promotores de justiça e oficiais da Polícia em seus quadros, além de profissionais liberais. Boa parte deles atuando como pastores sem remuneração.
LUTO OFICIAL
O governador Renato Casagrande decretou luto de três dias.

ORIGEM
A Igreja Maranata foi criada dentro do movimento pentecostal, que varreu as igrejas cristãs protestantes na década de 60.
Os participantes desse movimento creem na repetição, nos dias atuais, do fenômeno bíblico de Pentecostes nos dias seguintes à ressurreição e assunção de Jesus Cristo. Notadamente, no dom de falar em “línguas espirituais”.
Todas as igrejas históricas foram afetadas. Na Igreja Católica resultou o “Movimento Carismático”. A Igreja Maranata se apega, em especial, ao dom da “revelação” .
O nome Maranata tem origem aramaica, uma das línguas faladas na Palestina nos tempos de Jesus.
FOi dado à igreja a partir de uma expressão do livro biblico de Apocalipse de João – “Maranata, ora vem Senhor Jesus” – e é um dos principais pontos da doutrina e pregação da igreja: a “parusia”, doutrina da segunda vinda de Jesus Cristo.
A denominação criada por Gedelti e seus companheiros é, talvez, a mais fechada do universo da Igreja Protestante, sem nenhuma ação de cooperação com outras denominações.
INFLUÊNCIA POLÍTICA
Embora negasse a ação política, Gedelti exercia grande influência sobre o voto da sua membresia e muitos políticos procuravam se aproximar dele.
Ser convidado para visitar o Manaaim (centro de treinamento em Domingos Martins) sempre foi visto como prova de prestígio junto à cúpula da igreja.
Um caso emblemático foi a eleição do ex-jogador dr futebol Geovani Silva a deputado estadual no início do século. Atualmente, um dos principais políticos vinculados à igreja no Espírito Santo é o deputado Capitão Assunção.
Evangélico da Igreja Quadrangular, o prefeito Euclério Sampaio, de Cariacica, foi um dos primeiros políticos a soltar nota de pesar pela morte de Gedelti Gueiros.(Da Redação)
























