Trinta e um médicos e médicas que atuaram diretamente no enfrentamento à pandemia da Covid-19, divulgaram uma carta aberta nesta sexta-feira, 28, repudiando e rebatendo as acusações do também médico Carlos Manato candidato ao Governo do Espírito Santo, que disse, durante debate na TV Gazeta, que a pandemia foi uma farsa e que os médicos teriam assinado documentos falsos atestando Covid, para que o Estado pudesse receber mais recursos, entre outras acusações inverídicas.
Até a data do debate, o Brasil havia registrado 688.013 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, e 34.857.648 casos confirmados. No mesmo dia, o Espírito Santo registrava 14.830 mortes pela doença e 1.217.080 casos conhecidos.
Em relação ao chamado “tratamento precoce”, em março de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz na qual pede fortemente que a hidroxicloroquina não seja usada como tratamento preventivo da Covid-19.
Foi só em março do mesmo ano que a Anvisa anunciou o registro do primeiro medicamento para pacientes hospitalizados com Covid-19, o remdesivir. Especialistas seguem desaconselhando o uso de medicamentos do chamado “kit covid”.
Veja a íntegra do documento
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
Nós médicas e médicos abaixo assinados, que assistimos ao debate com os candidatos ao governo do estado, vimos manifestar nosso repúdio e indignação com as declarações do candidato Manato.
A maioria de nós esteve à frente ou lidou com casos na luta para salvar vidas durante a pandemia de Covid 19. Perdemos parentes, amigos e colegas para a doença, nesse enfrentamento.
Tivemos ao nosso lado o conhecimento médico que pusemos à disposição dos pacientes, sem nos aventurar ao uso de tratamentos sem comprovação científica.
A pandemia não foi uma farsa, como dito pelo senhor Manato, em desrespeito às famílias em luto e aos que ainda guardam sequelas da doença.
Fomos acusados, durante o debate de ontem (quinta-feira, 27), na TV Gazeta, de forma leviana, pelo senhor Manato de termos falsificado atestados de óbito para aumentar de forma artificial o número de mortes pela Covid 19.
Nós, médicos, não falsificamos documentos. Juramos salvar vidas e aliviar a dor e o sofrimento. Nosso pacto é com a vida. A informação médica segura e correta sobre eventos clínicos ou sobre desfechos fatais é absolutamente necessária para as eventuais providências no campo da saúde pública. Essas informações podem e salvam muitas vidas.
Atingidos em nossa dignidade, iremos ingressar na justiça para que o candidato prove as acusações que fez sobre a classe médica.
Assinamos:
Henriqueta Tereza do Sacramento- CRMES 2789
Jose Aid Soares Sad – CRM 3503
Paulo Loureiro – CRM 6773
Raquel Cecilia Guerra de Azevedo CRMES 5285
Claudio Manoel Soares Nunes CRMES 17036
Juliana Starling Lage CRM 4665
Antônio Lima NettoCRMES 2888
Virginia Maria Muniz CRMES 3872
Racire Sampaio Silva CRM 4506
Victor de Oliveira Bolonha CRM/ES 15.775
Inês Calmon Alves Girelli CRM 2082
Ruy Perini. CRM ES 1.41
Erivelto Pires Martins CRM 3019
Ayrton Machado Santos CRM 15.947
Elzalina Ramos Barbosa CRM 2472
Ariane Ribeiro Pinheiro CRM ES 16781
Rita de Cássia Cunha Rocha CRM 1687 ES
Joana de figueiredo bortolini CRM 8567
Elizabeth Helena Mitleg Kulnig CRM 2680
Tânia Regina Anchite Martins CRMES2675
Luiz Carlos Bezerra – 2897
Maiza Uliana CRM 4203/ES
(Da Redação)






























