A interdição de duas rodovias que ligam Minas Gerais ao Espírito Santo está causando um prejuízo diário de milhões de reais.
Quem sai de Belo Horizonte já vê o aviso na estrada: a BR- 262, no sentido Vitória, está totalmente interditada na altura de Abre Campo. E quem segue pela 381, em direção a cidades do Vale do Aço, também vai ter problema.
O casal Cícero Pereira Júnior e Graça, que vieram de Belo Horizonte para Barra de São Francisco (ES), para assistir ao casamento da filha dele, Bruna Hellen, na última sexta-feira, contam que tiveram que desviar na BR-262/381 e entrar na MG-329, passando por Vermelho Velho e São Pedro dos Ferros, para sair em Caratinga e dali seguir viagem pela BR-116 até chegar de novo à BR-381, em Governador Valadares.
“Passar por uma estrada de chão que é pouco movimentada. Por isso ela também não é tão boa, e aí correr o risco de carro estragar, pneu furar, eu ficar sozinha numa estrada de chão, para chegar até minha casa”, diz Cleidiane Gomes.
As interdições e os desvios que precisam ser feitos por causa dos estragos em rodovias que cortam Minas Gerais mexem com a vida de muito mais gente. Cerca de 20 caminhões de uma transportadora passam, todos os dias, pelas BRs 381 e 262, levando mercadorias para o nordeste do Brasil e o Espírito Santo.
“Tem o tempo de viagem, mas também tem o impacto do custo. Então, somado a essa quantidade de veículos mais o desvio, a gente tem aproximadamente quase 100 mil quilômetros extras rodados em função desses desvios”, afirma Éverson Lima, gerente de transportadora.
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) fez os cálculos. Os desvios representam, em média, 500 quilômetros a mais para o frete de mercadorias na região central do Estado. As grandes empresas do Vale do Aço estão gastando cerca de R$ 2 milhões por dia com o transporte.
Os diversos desvios nas rodovias federais e estaduais em Minas, por conta de danos provocados pelas chuvas do início deste mês, têm feito o custo das empresas de transporte de cargas praticamente dobrar, além de provocar atraso nas rotas de ônibus entre Belo Horizonte e o Espírito Santo. A avaliação é da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado (Fetcemg).
Segundo a entidade, os desvios nas rotas têm causado o aumento de gastos com combustível e manutenção, além de atrasos nas entregas. A federação, porém, ainda não tem um balanço de prejuízos gerados por conta dos trechos interditados.
Mesmo com duas semanas de estiagem, Minas mantém cerca de 100 pontos de interdições – entre eles, duas rodovias federais totalmente fechadas, segundo o Comando de Policiamento Rodoviário.
O diretor da Fetcemg, Antônio Luis da Silva, diz que a situação da BR-381, em Nova Era, é a de maior preocupação, já que essa rota é importante para o acesso ao interior de Minas e ao Espírito Santo, além de ser muito usada pelas empresas que vêm do Sul em direção ao Nordeste. Segundo ele, essa interdição total tem gerado uma série de prejuízos.
“Em Nova Era teve um bloqueio que parece que vai demorar. O desvio é quase do tamanho da mesma quilometragem que era antes. Por exemplo: você vai pra Ipatinga, tem aproximadamente 250 km, o desvio que eu tenho que fazer entrando por João Monlevade, saindo por Realeza e entrando por Caratinga, dá quase 250 quilômetros, e é uma estrada que não estava preparada para esse volume de caminhões. Então, nesse caso, os custos quase dobram. Mais combustível, mais manutenção, porque a estrada tá péssima, e principalmente tempo, a produtividade cai muito”.
No caso da BR-381, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), iniciou a construção de um desvio emergencial em Nova Era. As equipes concentram os esforços na obra para restabelecer o tráfego nesse trecho, que foi muito comprometido após deslocamentos de terra.
O local já está interditado desde 14 de janeiro. Nesse período, o Dnit monitorou a região e realizou os estudos necessários para a solução do problema.
O diretor-geral do departamento, general Antônio Santos Filho, afirmou que agora já não há mais risco de desmoronamentos na região e, com isso, o trecho está seguro para que os trabalhos emergenciais sejam iniciados.
“Teremos agora, finalmente, com a paralisação da movimentação do material, condições seguras de iniciar o desvio. Depois, daremos prosseguimento, para recuperação final da rodovia. Esse trabalho do desvio terá uma duração aproximada de 15 dias, mas estaremos trabalhando de uma forma muito forte para terminarmos o quanto antes”.
Um balanço divulgado pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) apontou o registro de, ao menos, 704 ocorrências de danos nas rodovias estaduais devido às chuvas, como quedas de barreiras; além de erosões de pistas, aterros e taludes e, ainda, danos em pontes e nos pavimentos de trechos asfaltados e de terra. Dessas, cerca de 300 ocorrências ainda não foram solucionadas. (Da Redação com g1 Minas Gerais)
























