Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O jornalista Franklin Martins, que lutou contra a ditadura brasileira nos anos 60 e 70, foi detido durante uma conexão no Panamá, onde tinha uma conexão com destino à Guatemala, onde participariam de um seminário de três dias na Universidade Rafaeal Landiva sobre o tema “Reconstruindo Estdos de bem-estar social nas Américas”.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Federação Nacional dos Jornalistas soltaram nota conjunta de solidariedade ao jornalista e ex-Ministro Chefe da Secretaria de Comunicação Social do Governo Lula. O episódio ocorreu nesta sexta-feira (06.03).
Diz a nota que “de forma arbitrária, o ex-ministro foi deportado, abrindo um precedente extremamente grave e perigoso, que requer um pedido de desculpas oficial, conforme o próprio jornalista: ‘Acho que o governo do Panamá deveria pedir desculpas pelo ocorrido. Não a mim, mas ao Brasil'”. E acrescenta: “O Sindicato e a Fenaj se solidarizam com o jornalista, repudiam veementemente esta ação, cobram explicações e se colocam à disposição para quaisquer medidas jurídicas cabíveis”.
Ao site canalmynews.com.br, Franklin, que tem origens capixabas, contou que, quando pousou no Panamá, dois policiais à paisana o abordaram e um deles o pediu que o acompanhasse. E relata Franklin:
“Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo. Levou-me até as dependências de uma área fechada, ainda na parte internacional do aeroporto, que não possuía qualquer identificação. Ao chegarmos, pediu que eu me sentasse numa cadeira em frente à mesa e dirigiu-se à sala ao lado. Falou com alguém e voltou em poucos minutos. Os dois ambientes eram separados por uma grande parede de vidro. Através dela, os chefes dos interrogadores e outros policiais, sem serem vistos pelo interrogado, poderiam acompanhar tudo que estava acontecendo e sendo dito na sala ao lado”, contou Franklin no relato que fez ao próprio Itamaraty.
Franklin Martins contou que esse agente pediu-lhe que preenchesse um documento com seus dados (nome, profissão, idade, endereço, motivo da viagem, se já tinha sido preso, motivo da prisão etc).
“Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações. E começou a fazer perguntas que, de um modo geral, apenas repetiam o que já estava informado no documento que eu havia preenchido. Pediu-me provas de que eu iria participar de um seminário numa universidade da Guatemala. Mostrei-lhe a programação, que ele fotografou. Tirou fotos minhas também e colheu minhas impressões digitais três vezes”.
jornalista, ex-ministro de Lula no primeiro governo, da Secom, relata que o policial “deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas. Depois de mais algumas perguntas sem importância, pediu-me que aguardasse. Entrou na sala ao lado, separada da dependência em que estávamos pela grande parede de vidro. E não voltou mais”, contou.
Depois de o reterem ali por algum tempo, o informaram que não poderia seguir para a Guatemala e que seria deportado de volta do Brasil. Franklin perguntou a razão, não a obteve. Recebeu como resposta que, se tivesse cometido crime grave, casos de tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros e outros, não poderia seguir viagem.
“Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso. Pedi então que eles entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou me permitissem fazer uma ligação telefônica para nossa representação diplomática. O policial respondeu que não fariam isso. Alegou que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva das autoridades panamenhas”.
O jornalista foi levado para uma sala, onde ficou confinado por quatro horas e onde foi fotografado de frente e perfi8l e foi colhida suas digitais. Franklin dá detalhes:
“Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hamburguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os “retenidos”. Voltaram a falar na Lei de 2008, mas deixaram escapar que sua aplicação havia se tornado mais rígida depois de decretos recentes do governo. Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança”.
Franklin Martins faz uma observação final, de que não se tratou de uma “operação fortuita”.
“Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo”.

Frankin Martins tem entrada proibida nos EUA há mais de 50 anos por ter participado do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, no Rio de Janeiro, em 1969, como parte da resistência à ditadura imposta pelos militares no poder desde 1964 e que havia endurecido com o Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968. O embaixador foi libertado ileso, trocado por presos políticos enviados ao México.
PEDIDO DE DESCULPAS
Com a situação, o ministro Mauro Vieira fez uma ligação para solicitar esclarecimentos do governo do Panamá. O chanceler panamenho, Javier Martinez-Acha, mandou uma carta se desculpando pelo equívoco da imigração e disse que o ex-ministro é muito bem-vindo no país.
No documento, Martinez-Acha explica que houve a aplicação de procedimentos migratórios decorrentes de informações contidas nos sistemas usados pelas autoridades do Panamá. O representante do país reforçou o respeito que o governo panamenho tem pelo ex-ministro e sua atuação durante o mandato anterior do presidente Lula.
Franklin Martins tem 77 anos e nasceu em Vitória em 10 de agosto de 1948. É filho do senador Mário Martins, advogado e jornalista nascido no Rio de Jaaneiro e que morreu em 1994 em Vila Velha. Franklin é irmão também da escritora Ana Maria Machado. (Da Redação com informações da CNN Brasil)






















