Weber Andrade*
Um levantamento publicado esta semana, aponta que 4.487 pessoas foram deportadas dos Estados Unidos entre outubro de 2019 e fevereiro deste ano, média de 80 pessoas por voo. O voo com menor número de deportados tinha 17 brasileiros e o com maior número, que chegou esta semana, tinha 212.
Todos eles, sem exceção, voltaram com dívidas a pagar. É o caso de uma família composta por um menino de dois anos, a mãe dele, 29 anos e o padrasto, de 40, que moravam em Mantena (MG), mas são capixabas e vieram em um voo no final do mês passado.
“A mãe e o padrasto são oriundos do Espírito Santo, mas antes de irem para os Estados Unidos estavam morando em Mantena (MG). Ainda não falamos com eles, estamos levantando todas as informações necessárias”, disse o delegado federal de Minas, Guilherme Helmer, na oportunidade. Nossa reportagem apurou que a família tem dívidas não pagas com os coiotes.
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Na maioria dos casos, as pessoas que tentam emigrar para os Estados Unidos e têm condições de penhorar imóveis urbanos ou rurais e até veículos ou conseguem um avalista, vão ao mercado da agiotagem pagando juros de até 10% ao mês, o que é considerado ‘aceitável’ pela lei 1.521/51 que regula o crime de usura.
No caso dos emigrantes, além de pagarem em torno de R$ 150 mil para tentarem entrar nos Estados Unidos, os que não têm o dinheiro, ainda pagam juros de até 10% aos coiotes depois que conseguem atravessar a fronteira, elevando seu custo de viagem para mais de R$ 200 mil.
E há o caso dos muitos que penhoram propriedades rurais, casas na cidade e acabam sendo deportados, ficando sem nada e ainda com dívidas a pagar aos coiotes.
Um levantamento da Polícia Federal aponta que Minas Gerais – e principalmente a sua região Leste é o Estado com mais prisões por tentativa de imigração ilegal. Em segundo, vem Rondônia e em terceiro o Espírito Santo.
No caso do Espírito Santo, só até o final do mês passado, foram 735 prisões e deportados, um prejuízo de R$ 11 milhões para eles e lucro de, pelo menos, R$ 6 milhões para os coiotes, considerando que eles gastem 40% do valor para pagamento de passagem, ‘hospedagem’ e travessia do México para os EUA.
Em Mantenópolis, por exemplo, foram 264 deportados até janeiro e em Barra de São Francisco, 109. Ou seja, só em Barra de São Francisco, o faturamento dos coiotes chegou a mais de R$ 1,5 milhão.
* Com informações de g1 Mundo e Tribunaonline
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