O dono de uma loja de informática no Centro de Barra de São Francisco, Eduardo Bertolacci, concedeu entrevista a um veículo de mídia de Mantenópolis, município onde o empresário teria começado a carreira, e afirmou que foi injustiçado pelo ‘sistema’ e que o ‘sistema’ está em Barra de São Francisco. “O sistema olhou nos meus olhos e disse que ia fechar a loja”, acusou, sem apontar nomes.
A entrevista foi publicada no último domingo, 3, e nela o empresário afirma que foi preso por causa de ‘Pix” da avó dele, no valor de R$ 35 mil, que teria ido para um celular antigo. Ele assegurou que todas as acusações – ele admitiu que foi ‘mais um mandato de busca e apreensão’ – sõa infundadas.
O empresário foi detido pela terceira vez nos dois últimos anos, no final de maio deste ano, quando teve a loja fechada em operação da Polícia Civil, denominada “Cydia Pomonella”.
O nome da operação, “Cydia Pomonella”, faz referência a um inseto também conhecido como “traça das frutas”. A traça coloca ovos em maçãs e suas lagartas apodrecem os frutos. A investigação apontou que a adulteração dos aparelhos vendidos pelo comerciante provocava defeitos que inutilizavam os telefones após pouco tempo de uso.
Apesar de já estar livre, a loja do empresário, no centro da cidade, continuava fechada nesta terça-feira, 5, e segundo o tribunanorteleste.com.br apurou, as investigações contra ele continuam.
De acordo com a Polícia Civil, Eduardo usava dados de terceiros para abrir contas bancárias. Quando alguém se interessava por algum aparelho anunciado, o comerciante solicitava o pagamento via Pix para uma dessas contas, mas não enviava a encomenda. O investigado também fazia vendas na loja física, mas os clientes recebiam aparelhos adulterados ou com restrição de furto ou roubo, segundo a PC.
“Identificamos, pelo menos, 50 vítimas em todo o País. Muitas que sequer receberam a encomenda. Aqui na cidade, encontramos uma pessoa que comprou um aparelho novo, na caixa, e quando foi ativar constatou que o IMEI estava com restrição de furto/roubo. Também há relatos de aparelhos que quebraram pouco tempo depois de serem comprados”, relatou o delegado Leonardo Forattini.
A investigação apura a conduta de organização criminosa voltada à prática de diversos crimes de estelionato, receptação qualificada pelo exercício da atividade comercial, falsificação de documento particular, crimes previstos no Código de Defesa do Consumidor e crimes contra a ordem tributária.
Durante as buscas na loja do investigado, vários telefones foram apreendidos com suspeita de restrição de furto/roubo. Também foi apreendido um grande número de “carcaças” de telefones, cujas peças teriam sido retiradas para que fossem utilizadas em outros aparelhos, além de notebooks, tablets e caixas vazias de Iphones.
De acordo com o empresário essas supostas vítimas seriam um quarto do total de clientes (200) que teriam entrado em uma espécie de consórcio, para fazer a compra coletiva de IPhones.
+ Mais sobre a prisão
A loja de informática no Centro de Barra de São Francisco foi alvo de mais uma ação policial na quinta-feira, 25 de maio, por suspeita de venda de equipamentos sem lastro fiscal e até produtos de furto ou roubo. O proprietário, que tem sido alvo de várias denúncias nos últimos três anos, estava sendo interrogado por delegados da Polícia Civil dentro da loja, enquanto uma guarnição da PM fazia varredura na casa de um morador do prédio onde fica a loja, em busca de armas e produtos de tráfico, já que o homem já foi condenado uma vez – e cumpriu pena de sete anos – por tráfico de drogas.
A última ação policial na loja aconteceu em fevereiro do ano passado, mas não estava relacionada a irregularidades nos equipamentos vendidos e sim com porte arma ilegal.
O proprietário teria discutido com outros dois homens dentro da loja – cunhado e sogro – e teria ameaçado eles com uma Beretta 635 .25mm
Por não possuir registro, nem o porte de arma ele recebeu voz de prisão e foi conduzido junto com as demais partes ao DPJ local para maiores esclarecimentos.
Na noite do mesmo dia ele já estava solto e usou um site da cidade para ironizar o acontecido.
“Que dia foi esse meu parceiro, que dia foi esse? Tem nada a reclamar, só agradecer. Nós estamos tendo mais do merecemos, pra te falar a realidade”, resumiu Eduardo, na ocasião.
Denúncias
Há cerca de dois anos, o site tribunanorteleste.com.br publicou denúncias de compradores de celulares via internet acusando o proprietário da loja de vender, receber e não entregar os produtos.
“Esse cara é um estelionatário, aplica golpes nas redes sociais, fui mais uma vítima dele, comprei um Iphone 11 Pro 256 gb a seis meses atrás, paguei via Pix, tenho todas as provas para comprovar, conversas, comprovantes e até hoje não recebi absolutamente nada, ele simplesmente me bloqueou. Não comprem dessa loja”, postou um cliente nas redes sociais.
Outro lado
O empresário nunca chegou a conceder entrevista ao site tribunanorteleste.com.br, que continua à disposição. (Da Redação)
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