Pai do adolescente autor da chacina em Aracruz é oficial da PM e fã de Hitler
Como o site Tribuna Norte Leste divulgou em primeira mão, o ataque que matou quatro pessoas e feriu 12 em duas escolas de Coqueiral, em Aracruz, na região nordeste do Espírito Santo, tinha motivações ideológicas, ligadas ao nazismo. A reportagem que publicamos no dia da chacina, mostrando a ligação do pai do adolescente, um oficial da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), com o nazismo, que divulgava em suas redes sociais.
Em matéria publicada nesta quinta-feira, 8, o site Folha do Litoral, de Aracruz, algumas partes da decisão judicial que condenou o adolescente de 16 anos a três de internação, o juiz revela que “…com a conclusão do procedimento na esfera policial, a autoridade apontou, a partir de dados extraídos dos equipamentos eletrônicos apreendidos e com autorização judicial, que a motivação dos atos infracionais foi exatamente este discurso de ódio extremista de ideologia nazista”, diz um trecho da sentença.
Em um vídeo gravado no mesmo dia do crime, o adolescente faz uma expressa e direta referência ao nazismo de Hitler, a quem chama de Führer
O adolescente apresenta uma narrativa que justifica o porquê de atacar escolas, sobretudo professores, que indica serem membros de um sistema voltado a “infectar e doutrinar os alunos” e que “as crianças estão infectadas, elas não têm mais solução, por isso cortarei o mal pela raiz”.
O Folha do Litoral afirma que “apesar de o processo tramitar em segredo de Justiça, sites de Vitória conseguiram importantes informações sobre a sentença do juiz Felipe Leitão Gomes, da Vara da Infância e Juventude de Aracruz, que foram divulgadas ontem 7. O adolescente de 16 anos, que matou quatro pessoas e feriu outras 11 em duas escolas do bairro Coqueiral, cometeu o crime por ódio e por ideologia extrema nazista e não por ter sofrido bullying, como afirmou em depoimento à Polícia Civil.”
Durante acesso aos equipamentos apreendidos após o crime, foram extraídos elementos apontando uma grande vinculação do representado com grupos extremistas de posicionamento nazista, com mídias de atos de violência e discriminação racial e xenofobia, sendo esta a motivação dos atos praticados pelo representado.
No celular do adolescente foi encontrada mensagem escrita no bloco de notas afirmado que o ato foi inspirado em outros acusados de cometer ataques semelhantes nas escolas de Suzano, em São Paulo; e Realengo, no Rio de Janeiro.
“Confrades, venho aqui avisá-los de que muito em breve acontecerá ‘algo grande’. É graças a eles que agora estou perto de realizar o ato. Seguidamente gostaria de alertar os dogoleiros a respeito de possíveis operações da Polícia Federal contra os resquícios do outrora dogolachan, portanto, reforcem e atualizem a sua segurança. Como disse anteriormente, em breve estarei realizando o ato, infelizmente não posso dar mais informações a respeito, no entanto, garanto-lhes que irei carregar a suástica comigo e irei destruir aquela escória judia e comunista”, diz o criminoso na postagem.
O grupo “dogolachan”, citado na mensagem, foi criado com o objetivo de disseminar discursos de ódio e atos de violência. Grupos dessa natureza, que permeia a chamada “deep web”, uma internet não rastreável e com acesso por autorização, tem por objetivo disseminar atos de pedofilia, nazismo, racismo e homofobia.
Em vídeo extraído e datado de 4 de novembro de 2022, na posse de uma pistola e com uma imagem da suástica na tela de um computador ou televisão ao fundo, o adolescente apresenta uma narrativa que justifica o porquê de atacar escolas, sobretudo professores, que indica serem membros de um sistema voltado a “infectar e doutrinar os alunos” e que “as crianças estão infectadas, elas não têm mais solução, por isso cortarei o mal pela raiz”.
Ainda faz uma referência à escola particular – sem indicar o seu nome – , que afirma serem “habitadas por filhos e netos de maçons e como é praticamente sozinho, você sozinho querer matar esses maçons visto que a Polícia é o exército pessoal deles, você precisa atingi-los de outra forma, ou seja, se eu não posso atacá-los diretamente, irei atacá-los indiretamente, não se enganem, numa guerra você não pode só se defender, você precisa encontrar uma oportunidade e atacar o inimigo, atacar com todas as forças”.
E arremata: “Se for pra atingir esses maçons, esses burgueses desgraçados, eu vou matar as suas crianças, pois isso é uma guerra e na guerra não importa como você ganha o que importa é a vitória”.
Em outro vídeo gravado no mesmo dia, o adolescente faz uma expressa e direta referência ao nazismo de Hitler, a quem chama de Führer, com referência aos demais membros do grupo que compõem os denominados “meus camaradas nacionais socialistas”.
Caberá ao juiz da Execução (3ª Vara da Infância e da Juventude de Vitória), com base em pareceres técnicos da equipe do IASES-ES, avaliar, a cada seis meses, a internação. Foi aplicada, ainda, uma medida protetiva de acompanhamento psiquiátrico durante o período de cumprimento da medida de internação. (Da Redação com Folha Litoral)






















