Os corpos de dois dos três adolescentes encontrados mortos no dia 1° de setembro em Sooretama, no Norte do Espírito Santo, podem ser liberados nesta terça-feira, 5 para as famílias. De acordo com os familiares, a Polícia Civil já conseguiu identificar Kauã Loureiro, de 15 anos, e Wellington Gomes, 14 anos. Carlos Henrique Trajanos, 15 anos, é o único que vai precisar de exame de DNA, porque era adotado.
“O que não deveria acontecer, já aconteceu. A gente fica sem trabalhar, esperando resolver. Já passou da hora de ser resolvido”, disse Marcelo Correa, pai de Kauã.
De acordo com Marcelo, a Polícia Civil informou sobre a identificação dos dois adolescentes nesta segunda-feira, 4, e, por isso, há a expectativa de os familiares irem até o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para a liberação.
Os três adolescentes desapareceram no dia 18 de agosto, em Sooretama, mobilizando familiares, amigos e as forças de Segurança do Espírito Santo para encontrá-los. Após 120 horas de investigação, utilizando cães, drones, além de outros recursos, a polícia encontrou os corpos dos garotos enterrados em uma plantação de eucalipto da região.
O site tribunanorteleste.com.br foi o primeiro a noticiar o desaparecimento dos adolescentes, graças ao técnico em sistemas de informação Edson Isidoro, que já foi vereador da cidade e acionou o diretor geral do site. “A gente vê o sofrimento das famílias e não consegue ficar omisso. Eles procuram, e a gente vai fazer o quê? Virar as costas?”, disse Edson.
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De acordo com o Secretário de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp), Alexandre Ramalho, os adolescentes foram vítimas da guerra do tráfico da região. Os meninos desapareceram após um tiroteio registrado em Areal, em Sooretama, bairro vizinho onde eles moravam.
“Esses jovens vão, por curiosidade, segundo a família, até o bairro Areal, para verificar uma situação de que uma pessoa tinha sido baleado. Lá, aquela pessoa que morreu seria da Baixada (onde os adolescentes moravam). Então, quando eles (os criminosos) souberam que aqueles três jovens pertenciam à Baixada, eles fizeram a apreensão deles e uma série de crueldade, que não vamos relatar em respeito à família”, disse Alexandre Ramalho.
De acordo com o trabalhador rural Milton Trajano, de 42 anos, o adolescente Carlos Henrique Trajano, 15 anos, era adotado.
“Eu adotei o Carlos com nove meses de idade. Era meu único filho. A gente tá arrasado. Choro todo dia. Eu e a mãe dele estamos sofrendo muito”, disse.
Milton explicou ainda que precisou entrar em contato com uma irmã biológica de Carlos para que ela faça a coleta de sangue para o exame de DNA e ajudar a polícia na identificação e confirmação do corpo.
“Amanhã vamos em Pedro Canário para buscá-la e ela fazer o exame. O que eu e os outros dois pais queremos é liberar os meninos juntos. Já sofremos demais”, disse.
Entenda o caso
Segundo a Polícia Civil, por conta do adiantado estado de decomposição, os corpos dos adolescentes foram encaminhados ao Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para serem necropsiados ainda na sexta-feira, 1º.
No dia 2 de setembro, a corporação informou que a liberação dos corpos não foi feita porque, devido ao estado de composição deles, o reconhecimento não foi possível e também havia dificuldade em coleta de amostras.
Nestes casos, segundo a polícia, o DML utiliza outros meios de identificação, o que inclui análise de arcada dentária ou, em último caso, identificação por DNA.
Adolescentes sem documentos
De acordo com os familiares, dos três adolescentes, apenas o Kauã tinha Carteira de Identidade. Carlos Henrique e Wellington não tinham documentos com as digitais cadastradas, o que dificulta a confirmação oficial da identidade dos garotos.
No dia 2 de setembro, a Prefeitura de Sooretama mobilizou um transporte para trazer um familiar de cada um dos meninos até Vitória, a fim de otimizar o reconhecimento e a liberação dos corpos, o que não foi possível.
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Localização dos corpos e três detidos
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a localização dos corpos dos adolescentes só foi possível após a prisão de dois homens e a apreensão de um adolescente suspeitos de participação no crime.
A polícia informou ainda que o primeiro a ser detido foi um motorista de aplicativo, de 43 anos, em Sooretama, na quinta-feira (31). O indivíduo é responsável por transportar os adolescentes para a área onde foram cruelmente assassinados.
Em seguida, as diligências apontaram ainda a participação de um adolescente, que havia fugido do município onde ocorreu o crime para o bairro Jardim Carapina, na Serra, Grande Vitória. O suspeito foi apreendido também na quinta-feira.
Logo em seguida, de acordo com a corporação, mais diligências foram realizadas e a polícia identificou a participação de Marcos Vinícius Coutinho de Carvalho, o Caíque, de 20 anos, que é apontado como chefe do tráfico de drogas do bairro Areal, onde houve o tiroteio antes do desaparecimento dos meninos.
Marcos foi preso na sexta-feira, 1°, após troca de tiros com militares.
Ainda de acordo com a corporação, investigação segue em andamento por meio da Delegacia de Polícia de Sooretama, que conta com apoio da Superintendência de Polícia Regional Norte, do CIAT Norte, da Delegacia Regional de Linhares e da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Linhares. (Da Redação com Ascom/Sesp e g1 Espírito Santo)

























