“Vamos alcançar quem está fazendo isso para que a senhora possa fazer seu trabalho com tranquilidade e segurança”.
As palavras são do chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, delegado José Darcy Arruda, para a psicóloga Sara Lopes, que foi levada a ele pelo deputado Mazinho dos Anjos (PSDB), a quem procurou depois das ameaças que sofreu ao denunciar violência sexual infantil no Noroeste do Estado.
A psicóloga francisquense Sara Lopes fez um forte desabafo nas redes sociais na última segunda-feira (24), afirmando que tem sofrido ameaças e até atentados após denunciar casos de abuso e estupro infantil que chegam até ela por meio de seu trabalho no Hospital Dr. Alceu Melgaço Filho, em Barra de São Francisco.
No vídeo, publicado em seu perfil, Sara afirma que recebe frequentemente denúncias graves, envolvendo não apenas moradores de Barra de São Francisco, mas também de Ecoporanga e Água Doce do Norte.
Sem citar nomes ou detalhes que possam interferir nas investigações, ela alerta que há indícios de atuação organizada, o que, segundo ela, torna o cenário ainda mais preocupante.
A psicóloga relatou que, no dia 10 de outubro, sofreu um atentado em São Domingos do Norte, quando seguia para Vitória, caso que foi registrado na Polícia Civil. Ela também afirmou ter passado por uma segunda emboscada recentemente, mas a ocorrência não chegou a ser formalizada, “a pedido de familiares”.
Visivelmente abalada no vídeo, Sara expressou preocupação com o estado emocional dos pais, que estariam sofrendo com medo e ansiedade após os ataques.
“Eu preciso de segurança e apoio para continuar com o meu trabalho. Eu preciso continuar sendo a voz de quem sofre qualquer tipo de abuso, principalmente o sexual.” desabafou.
Repercussão e apoio nas redes
A postagem rapidamente ganhou repercussão e mobilizou amigos, colegas de profissão e lideranças locais, que se manifestaram publicamente em apoio à psicóloga.
A Cerimonialista Letícia Ribeiro escreveu “Nós, como igreja, estamos te cobrindo de orações. Deus é contigo. Ele te levantou para esse combate.”
A secretária de Cultura de Barra de São Francisco, Israele Candido “Uma profissional ética e comprometida com a proteção de crianças está sendo atacada por cumprir seu dever. O silêncio nunca pode ser confortável para agressores.”
Israelle ainda reforçou “Estou encaminhando o caso à Secretaria de Políticas para as Mulheres do Espírito Santo e ao Secretário Municipal de Direitos Humanos, reforçando que a situação exige atenção imediata das autoridades.
“Não vou recuar”, afirma Sara
Junto a postagem do vídeo no Instagram, Sara reafirmou o compromisso com a proteção de crianças vítimas de violência e reforçou o pedido de apoio:
“Denunciar abuso infantil é um dever ético, humano e profissional.
Mas, após cumprir esse dever, eu passei a sofrer ameaças.
Eu não vou recuar , mas também não posso seguir sem apoio e segurança.”
Ela pediu que ativistas, profissionais da rede de proteção e autoridades amplifiquem sua mensagem:
“A segurança de quem denuncia é o escudo das crianças que ainda não podem falar.”
Após o desabafo, novas mensagens e possíveis denúncias passaram a circular em grupos de WhatsApp da região.
A Polícia Civil confirmou que investiga se há ligação entre os casos relatados, as ameaças e os atentados sofridos pela psicóloga. Detalhes não foram divulgados para não atrapalhar o andamento das investigações.
O relato da psicóloga gerou comoção social e pessoas estão se organizando na caçada aos suspeitos de participar da organização de pedófilos.
A Polícia Federal também recebeu informações a respeito. A instituição tem feito várias operações no Estado para alcançar redes de exploração infantil.(Da Redação)



























