O presidente Lula falou neste sábado, 14, com os presidentes da Autoridade Palestina e do Egito para tratar da saída de brasileiros da Faixa de Gaza. Um grupo conseguiu chegar perto da fronteira com o Egito. Os brasileiros podem atravessar para o Egito ainda neste domingo, 15, ou na segunda-feira, 16. (Saiba mais abaixo).
Era o começo da manhã na Faixa de Gaza – e já estava tudo pronto pra viagem muito esperada.
A escola católica em que o grupo estava – oito adultos e onze crianças – fica no norte, na área da Faixa de Gaza que Israel avisou para a população civil deixar.
A primeira previsão era de partida ao meio-dia, horário local. Pouco antes das 6h da manhã, horário local, meia-noite aqui no Brasil, a representação diplomática brasileira na Cisjordânia mandou um alerta: “Aguardem e não saiam até termos autorização. Para a segurança de todos”.
Perto de meio dia, outra mensagem do embaixador Alessandro Candeas:
“Israel fechou a janela que estava aberta hoje à tarde e recomendou que ninguém saísse por hora. Por enquanto, não podemos partir. Sei da frustração, que é nossa também”.
O chamado que todos queriam receber, veio às 13h14: “Entrem no ônibus agora. Vocês vão para Khan Younes”.
A Shared, que mostramos na sexta-feira, 13, com muito medo da situação na escola, gravou um vídeo pouco antes da saída: “Já estamos no ônibus. A gente vai para uma cidade que se chama Khan Younes, no sul da Faixa de Gaza”, afirmou.
Outros passageiros registraram a viagem.

O Itamaraty disse que a decisão de retirar o grupo da escola naquele momento foi tomada porque havia a informação de que um prédio vizinho à escola seria bombardeado em breve. E que passou às Forças de Defesa de Israel o número da placa, o trajeto e a lista de passageiros – pra evitar que ônibus fosse bombardeado.
A viagem, de 25 quilômetros para Khan Younes durou cerca de 40 minutos. Inicialmente, por causa das condições da estrada e de bombardeios, o tempo previsto era de duas horas.
Outros 12 brasileiros já estavam na cidade desde os últimos dias. O grupo da escola foi para o prédio onde uma dessas famílias brasileiras mora. Rafah, único acesso ao Egito, fica a 16 quilômetros dali.
Mas, horas depois, o Itamaraty informou que alugou uma casa na cidade de Rafah, a uma distância a pé da passagem em direção ao Egito. E transferiu novamente os brasileiros que estavam na escola. O outro grupo continuou em Khan Younes.
Rafah já está lotada de cidadãos de outras nacionalidades, principalmente americanos.
Segundo o embaixador do Brasil na Cisjordânia, havia o plano de formar um comboio internacional para cruzar a fronteira, do qual o õnibus brasileiro faria parte. E esse plano foi cancelado por Israel. Alessandro Candeas disse que ainda não está claro se a travessia será neste domingo, 15, ou na segunda-feira, 16.
Israel afirma que qualquer movimentação tem que ser coordenada.
O professor Guilherme Casarões, cientista político, especialista em relações internacionais explica que o Egito, uma nação árabe, quer evitar que integrantes do Hamas aproveitem a abertura da fronteira para entrar no país.
“Eles têm muito cuidado ao abrir essa fronteira, não deixar pessoas indesejadas, membros do Hamas infiltrados, por exemplo, entrarem no território egípcio e isso gerou embaraço grande pra diplomacia brasileira, que vem tentando com todos os esforços possíveis, repatriar esses brasileiros e o primeiro passo seria justamente tirá-los da Faixa de Gaza nesse momento”, afirma.
Casarões completa: “o corredor humanitário seria a melhor resposta coletiva à saída de nacionais, geralmente de dupla nacionalidade, palestinos e de outros países pela Faixa de Gaza”.
Quando autorizados a sair de Gaza, os brasileiros deverão ser levados para o aeroporto de Al Arish, cidade egípcia que fica a 53 quilômetros da Faixa de Gaza. É lá que o avião da Presidência da República irá buscá-los para trazê-los ao Brasil. O avião está em Roma, aguardando autorização para o deslocamento. A duração do voo de Roma a Al Arish é de três horas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue acompanhando a situação no Oriente Médio. Ele, que se recupera de cirurgias, falou neste sábado, 14, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbase do Egito, Abdul Fatah Al-Sisi. Lula busca apoio pra saída dos brasileiros da Faixa de Gaza.
Em nota sobre a conversa com a Autoridade Palestina, o governo afirmou que Lula lembrou o reconhecimento brasileiro do Estado Palestino, expressou preocupação com os civis na região, e o bloqueio de ajuda humanitária. Condenou os ataques terroristas contra civis em Israel. Reforçou a importância de um corredor humanitário e a libertação imediata de todos os reféns.
Lula também disse que os inocentes em Gaza não podem pagar o preço da insanidade daqueles que querem a guerra. De acordo com o Planalto, Lula e Abbas reafirmaram a importância da busca por uma solução política e pela paz para a região. E o presidente brasileiro ressaltou a disposição do Brasil em ajudar na busca da paz.
Em relação à conversa com o Egito, o Planalto afirmou que os dois presidentes concordaram com a urgência de permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Que o Brasil deve enviar, entre outros itens, kits de medicamentos. E no exercício da presidência do Conselho de Segurança da ONU, manterá atuação incansável pra evitar um desastre humanitário ainda maior e o alastramento do conflito. (Da Redação com g1 Mundo)























