Weber Andrade
“O amor próprio ainda é o mais importante! Não aceite menos do que vc merece, vista-se, coloque o melhor perfume, vc quer chegar pra impressionar geral! Não se esconda pq vc quer mesmo é ser notada. Sorria alto e fale besteiras, não se limite para agradar o outro. Saia da concha e vá viver! Não se diminua, quem está com vc, tem que estar no mesmo nível, nem inferior nem superior, tá junto mesmo! Não se encaixe no modelo do outro, seja original! Lute por vc, pelo que vale a pena, pelo que te faz feliz, pelo que te dá prazer de viver!”
A mensagem da servidora municipal aposentada Regiane Saar, que luta contra o câncer de mama desde 2011, é um exemplo claro de que o mundo não acaba para quem tem problemas de saúde como este. Regiane descobriu a doença em estágio que a levou a fazer tratamentos quimioterápicos desgastantes, mas, desde o início, contou com o apoio de um grupo de amigas.
Em reportagem feita por este jornalista há cerca de seis anos, Regiane Saar, que ainda era servidora lotada na Secretaria Municipal da Fazenda, contou como descobriu que estava com câncer de mama, em 2011. Vaidosa, ela que sempre gostou de andar bem vestida e maquiada, levou um choque enorme, mas, ao contar o problema para as amigas, arranjou a força que precisava para vencer a doença.
“Na época a gente nem pensava no Outubro Rosa, minhas amigas não me deixavam por um momento sozinha e veio a ideia de fazer um ensaio fotográfico para alertar as mulheres sobre o problema”, descreve ela.
“Hoje a gente recebe enorme apoio da sociedade em geral, muitas pessoas ligam ou deixam mensagens de encorajamento e agradecimento”, conta Regiane, que tem total apoio do marido e dos filhos. Ela também fala com carinho de outra amiga, Sandra Almeida, que contraiu a doença e se curou graças ao apoio dos amigos e familiares. “Ela teve câncer de mama e depois no intestino, mas hoje, quem fala que ela teve estes problemas?”, diz Regiane.
Uma das amigas que está na campanha Outubro Rosa desde o início com Regiane é a servidora da Câmara de Vereadores, Giselia Oliveira.
“Eu comecei a participar por causa dela (Regiane), porque foi um choque muito grande quando descobrimos. Ela é mais que minha amiga, é quase irmã e decidimos que não a deixaríamos sozinha nem um minuto”, relata.
Para Giselia, foi um período difícil, uma vez que o tratamento da doença é muito agressivo. “Às vezes, amigos e familiares sofrem mais do que a pessoa que está doente, por ver a dor, a angústia que a pessoa está passando”, admite.
Giselia disse que já teve dois casos de câncer de mama na família mas nem isso está habituada a conviver com a doença, mas disse contar com o apoio do namorado e faz um alerta: “Não são apenas as mulheres que precisam se cuidar. Os homens também podem ter câncer de mama e deveriam ficar atentos porque a prevenção é muito mais suave do que o tratamento”, aconselha.
Regiane, por sua vez, finaliza dizendo que adora fazer a campanha. “A vida não é cor de rosa, tivemos, temos e teremos razões para desistir de tudo muitas vezes, mas tem um Deus que nos mostra que sempre há uma saída, que tudo no seu tempo se ajeita, que o choro passa, que a vida continua, as lições são tantas, enfim, fé e vamos que vamos! Que nossa amizade que seja eterna, além do outubro e quero agradecer de coração ao nosso fotógrafo gatinho Daniel Henrique”.
Importância da prevenção
O médico e referência da área técnica de Saúde da Mulher, da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Ary Célio de Oliveira, ressalta a importância dos cuidados com o corpo para a prevenção do diagnóstico precoce da doença.
“É importante que a mulher realize regularmente atividades físicas, mantenha uma dieta equilibrada, evite o consumo excessivo de cigarros e bebidas alcoólicas. Essas ações podem prevenir várias doenças, entre elas o câncer”, recomendou Oliveira.
O câncer de mama, quando identificado em estágios iniciais (lesões menores que 2 centímetros de diâmetro), apresenta prognóstico mais favorável e a cura pode chegar a 95%. O profissional destaca que quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de obter êxito positivo no tratamento.
“As ações de detecção precoce do tumor têm como objetivo identificar as lesões pré-malignas. Dessa forma, as chances de ter sucesso no tratamento são maiores”, acrescentou o médico.
Larissa Dell’Antonio, enfermeira e referência técnica da Vigilância Epidemiológica da Sesa, disse que ao se tratar do câncer de mama, a mulher que tem o hábito de se observar, pode descobrir possíveis nódulos nas mamas próximos às axilas de forma antecipada, facilitando o diagnóstico precoce da doença.
“Quanto mais cedo se descobre a possibilidade de tratamento, menos avançado estará o câncer e, com isso, os profissionais têm melhor prognóstico para aplicar a melhor forma de intervenção. Isso implica no tipo de tratamento a ser adotado e a mulher tem mais chance de sobrevida”, explicou Larissa Dell’Antonio.
Sinais e sintomas
– Qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos;
– Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual;
– Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade;
– Saída espontânea de secreção unilateral (um dos mamilos);
– Lesão de pele na mama que não responde aos tratamentos tópicos;
– Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral;
– Presença de linfadenopatia axilar;
– Aumento progressivo do tamanho da mama, com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja;
– Retração na pele da mama;
– Mudança no formato do mamilo;
– Toda mulher, em qualquer faixa etária, deve conhecer seu corpo e estar atenta a qualquer alteração. Caso detecte algo, deve buscar orientação e ajuda em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Como e onde buscar tratamento
Uma das medidas instituídas dentro da política pública para a detecção precoce do câncer de mama está no rastreamento por mamografia. O exame deve ser feito por mulheres, na faixa etária dos 50 aos 69 anos, a cada 2 anos, mesmo que não apresentem sinais ou sintomas da doença.
A porta de entrada dessa paciente é a Unidade Básica de Saúde, onde o médico da família faz a solicitação do exame. A partir do resultado, a paciente é encaminhada para uma unidade de referência para tratamento.
A “cura” da paciente pode ser avaliada após cinco anos de tratamento e acompanhamento das mulheres devido à complexidade da doença. Podem ser sugeridos vários tratamentos alternativos, como quimioterapia, radioterapia, hormônio terapia, de acordo com o tratamento adotado pelo fármaco e da conduta terapêutica adotada pelo oncologista.
O Espírito Santo contém hospitais habilitados para o tratamento de câncer de mama. Entre eles estão:
Clínica de Mamografia BSF
Em Barra de São Francisco, desde o ano passado, a Clínica de Mamografia da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), atende a todas as mulheres e homens encaminhados para o local com suspeita de câncer de mama.
A clínica funciona na rua Antônio Valle, 115, na Rua Mineira (Irmãos Fernandes).
(Da Redação)
































