Em.2018, quando A Gazeta descobriu vivendo nas ruas o músico Elias Belmiro, que havia sido um brilhando violonista da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, uma rede de solidariedade se firmou em torno dele para ajudá-lo em sua luta contra o vício.
Mas neste sábado (27), a capital capixaba amanheceu mais triste: Elias Belmiro perdeu a guerra. O músico, conhecido por sua habilidade e paixão pela música, morreu aos 56 anos em decorrência de um infarto. O corpo do músico foi encontrado por volta das 7h da manhã na Rua 7, no Centro de Vitória.

Elias Belmiro, que tinha um histórico de luta contra o vício em álcool, estava vivendo nas ruas no momento de sua morte. Sua batalha contra o vício foi amplamente conhecida, e ele emocionou muitos capixabas. Ajudado, foi acolhido numa casa de recuperação, mas, após três meses de tratamento, ele retornou às ruas.
Familiares confirmaram que Elias esteve em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Vitória por mais de um mês. Posteriormente, ele também passou por uma clínica particular, tentando se recuperar de seu vício. No entanto, apesar dos esforços, o músico voltou a enfrentar dificuldades e retornou às ruas.
O solista começou a tocar violão ainda criança, influenciado pelo pai, que era trombonista da Polícia Militar. Ele tocava só com o dedo polegar, foi quando o músico Maurício de Oliveira o conheceu e o mandou estudar com seu filho, Tião Oliveira, que na época era professor da Escola de Música do Espírito Santo (Fames).
Elias teve uma carreira brilhante que o levou a palcos nacionais e internacionais. Referenciado no Dicionário da Música Brasileira, ele se destacou como solista de violão e gravou dois CDs instrumentais, incluindo composições próprias.
Tocou com a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo e no quinteto do renomado violonista Maurício de Oliveira. Seu álbum de estreia, lançado em 1996 e dedicado a Villa-Lobos, teve duas faixas compiladas no CD do grupo Time-Life, ao lado de artistas como John Williams.
A história de Elias foi mostrada pelo Gazeta Online em 2018, quando ele vivia em um banco na praça em frente à Igreja do Carmo, no Centro de Vitória.
“Tocar como solista é como um ginasta olímpico, que vai saltando, saltando, saltando… “
Após a repercussão de sua situação, uma rede de solidariedade se formou para ajudá-lo. No entanto, mesmo após tratamento no CAPS de Vitória e uma breve passagem por uma clínica particular, Elias voltou às ruas.
Num vídeo mostrado na época, Elias se emocionou quando ouviu as execuções que fazia, mas, principalmente, quando ouviu “Ausência”, que compôs em homenagem à mãe, em 1998.
Agora, “Ausência” é o hino em sua homenagem como símbolo de que, apesar de parecermos fortes, precisamos uns dos outros. Sozinhos somos muito frágeis. Tão frágeis que podemos partir sozinhos, numa fria manhã, num canto qualquer de rua. E no mesmo lugar onde se viveu e morreu, a vida vai continuar e tem samba na tarde do sábado de sua morte. Como na Rua 7. (Da Redação)
























