Em gravação da reunião divulgada por Moraes, o ex-presidente afirma que a vaga da Corte seria para o juiz Flávio Itabaiana, indicado pelo ex-governador do Rio
O então presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em reunião em agosto de 2020 com advogadas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o governador do Rio à época, Wilson Witzel, teria proposto resolver o caso das “rachadinhas” (repasses de salário) do gabinete de seu filho 01 em troca de uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
“O ano passado, no meio do ano, encontrei com o [Wilson] Witzel. Não tive notícia [inaudível], bem pequenininho o problema. Ele falou, resolve o caso do Flávio. ‘Me dá uma vaga no Supremo’”, disse Bolsonaro em áudio, divulgado nesta 2ª feira (15.jul.2024), depois de o ministro do STF Alexandre de Moraes derrubar o sigilo do material.
Na gravação, Bolsonaro disse que a vaga do STF seria para o juiz Flávio Itabaiana, indicação do ex-governador do Rio. O magistrado foi responsável por julgar a suspeita de “rachadinha” no gabinete de Flávio.
Witzel foi eleito em 2018 pelo PSC, mas foi afastado do cargo em agosto de 2020 por acusações de corrupção. Em abril de 2021, TEM (Tribunal Especial Misto) afastou em definitivo o político por crime de improbidade administrativa.
Witzel NEGA
Em nota ao jornal O Globo, o ex-governador do Rio declarou que Bolsonaro “deve ter se confundido” e que “não foi a 1ª vez” que o ex-presidente menciona conversa que, segundo Witzel, os 2 “nunca” tiveram.
“Jamais ofereci qualquer tipo de ‘auxílio’ a qualquer um durante meu governo. O presidente Jair Bolsonaro deve ter se confundido e não foi a 1ª vez que mencionou conversas que nunca tivemos, seja por confusão mental, diante de suas inúmeras preocupações, seja por acreditar que eu faria o que hoje se está verificando com a Abin e Policia Federal. No meu governo a Polícia Civil e Militar sempre tiveram total independência”, disse.
REUNIÃO DE RAMAGEM E BOLSONARO
Além do então chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem (PL-RJ), atualmente deputado federal, e Bolsonaro, teriam participado o então ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, e as advogadas de Flávio, Luciana Pires e Juliana Bierrenbach.
No encontro, foi discutido supostas irregularidades cometidas por auditores da Receita Federal na produção do Relatório de Inteligência Fiscal que deu causa à investigação contra o senador.
QUEDA DO SIGILO
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes retirou o sigilo de documentos referentes à 4ª fase da operação Última Milha pela PF (Polícia Federal) na última 5ª feira (11.jul.2024).
A decisão foi tomada nos autos do processo que investiga o caso da “Abin paralela”. Os agentes apuram o uso do sistema de inteligência First Mile, da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), por delegados, agentes e funcionários públicos para vigiar autoridades e jornalistas ilegalmente.
- Eis a íntegra do relatório da PF (PDF – 32,2 MB);
- Eis a íntegra do relatório complementar da PF (PDF – 2,2 MB);
- Eis a íntegra do parecer da PGR (PDF – 4,1 MB);
- Eis a íntegra da decisão de Moraes (PDF – 1,3 MB).
Leia a lista dos monitorados pela “Abin paralela”, segundo a PF:
Judiciário
- Alexandre de Moraes, ministro do STF;
- Dias Toffoli, ministro do STF;
- Luiz Fux, ministro do STF;
- Luis Roberto Barroso, ministro do STF.
Legislativo
- Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados;
- Rodrigo Maia (PSDB-RJ), deputado federal e ex-presidente da Caixa Baixa;
- Kim Kataguiri (União Brasil-SP), deputado federal;
- Joice Hasselmann (Podemos-SP), ex-deputada federal;
- Alessandro Vieira (MDB-SE), senador, participou da CPI da pandemia, que investigou o governo federal;
- Omar Aziz (PSD-AM), senador, participou da CPI da pandemia;
- Renan Calheiros (MDB-AL), senador, participou da CPI da pandemia;
- Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), senador, participou da CPI da pandemia.
Jornalistas e outros
- João Doria, ex-governador de São Paulo;
- Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges, funcionários do Ibama;
- Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto, auditores da Receita Federal;
- Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista, jornalistas.
OPERAÇÃO DA PF
Os agentes da PF cumpriram na 5ª feira (11.jul.2024) 4 mandados de prisão preventiva e 7 de busca e apreensão em Brasília (DF), Curitiba (PR), Juiz de Fora (MG), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Os mandados foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Eis os alvos de busca e apreensão:
- Mateus de Carvalho Sposito;
- José Matheus Sales Gomes;
- Daniel Ribeiro Lemos;
- Richards Dyer Pozzer;
- Rogério Beraldo de Almeida (foragido);
- Marcelo Araújo Bormevet; e
- Giancarlo Gomes Rodrigues.
Também foram decretadas prisões preventivas e o afastamento dos cargos públicos de:
- Mateus de Carvalho Sposito;
- Richards Dyer Pozzer;
- Rogério Beraldo de Almeida (foragido);
- Marcelo Araújo Bormebet; e
- Giancarlo Gomes Rodrigues.
Os investigados foram responsáveis por criar perfis falsos nas redes sociais e divulgar informações falsas sobre jornalistas e integrantes dos Três Poderes. A “Abin paralela” também teria acessado ilegalmente computadores, telefones e infraestrutura de telecomunicações para monitorar pessoas e agentes públicos.




























