Na segunda metade dos anos 80, a cidade de Pancas, na região Noroeste do Espírito Santo, ficou em polvorosa com a descoberta de uma pedra de água marinha de cerca de 23kg.
Essa pedra ganhou o nome de “Xuxa”, em homenagem à rainha dos baixinhos que fazia muito sucesso com menos de 30 anos de idade, na telinha da Globo, encantando a criançada e despertando os mais inconfessáveis desejos nos adultos.
Mas “Xuxa” era menor do que “Marta Rocha”, outra pedra do mesmo mineral, com 26kg, encontrada nos anos 40 no mesmo veio e batizada em homenagem à Miss Brasil que conquistou o mundo. A “Marta Rocha” foi avaliada em 2,5 milhões de dólares à época.
Uma foi achada a 80 metros de distância da outra numa região que sempre atraiu muitos garimpeiros. Onde foram parar as duas pedras ninguém sabe. A “Xuxa” estava num garimpo de propriedade de um gerente de banco.
Na época, o hoje diretor da TNL, José Caldas da Costa, foi o primeiro jornalista a noticiar o caso em A Gazeta, cuja sucursal chefiava em Colatina. Ele conta que viu e tocou a pedra. “A casa onde ela estava era cercada de homens armados para evitar o assalto. Depois, o destino da pedra foi um mistério, mas o gerente deixou o banco”, conta.
Mas agora imagine uma pedra de 400kg de esmeralda, que vale muito mais?! Exatamente isso que aconteceu na Bahia e provocou uma revolução na mineração do Brasil, conforme registra o site clickpetroleoegas.com.br.
ESMERALDA GIGANTE
A busca por riquezas conduz homens às profundezas da terra. Em sua jornada por pedras preciosas, garimpeiros brasileiros podem ter descoberto a maior esmeralda do planeta. A história da gema é repleta de intrigas e mistérios.
Encontrada em 2001 em uma reserva de esmeralda no interior da Bahia, a pedra é motivo de intensas disputas sobre quem de fato a encontrou e reivindica sua posse, avaliada em R$ 1,9 bilhão.
Com quase 400 kg, a pedra era tão colossal que os garimpeiros não conseguiram estimar seu valor exato. Mas tinham uma certeza: estavam diante de uma verdadeira fortuna. Batizada de Esmeralda Bahia, ela rapidamente despertou a cobiça de muitos.
Não é tão incomum assim encontrar esses minerais na Bahia.
Em 2017, uma esmeralda gigante, que pesa 360 kg e tem 1,3 metros de altura, foi encontrada na Mina da Carnaíba, no município de Pindobaçu, norte do estado. A região é conhecida pela exploração do mineral. Esta é a segunda pedra de grande porte encontrada na região. A primeira, achada em 2001, tinha 20 kg a mais e foi avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.
A pedra foi localizada a 200 metros de profundidade pela Cooperativa Mineral da Bahia, que tem autorização para explorar a área, e vendida a um minerador da região. Por motivos de segurança, o dono da pedra bruta não quis dar entrevista e nem informou quanto pagou pela esmeralda. Na época, o advogado dele, Márcio Jandir, disse que o cliente providenciou documentação para legalizar a propriedade da pedra adquirida por ele.

PEDRA DA DISCÓRDIA
O americano Tony Thomas afirma ter comprado a maior esmeralda do mundo, alegando que pagou pela pedra, mas nunca a recebeu. Por isso, ele recorreu à Justiça dos Estados Unidos. Os empresários brasileiros responsáveis pela esmeralda afirmam que nunca negociaram a pedra com Thomas. Continue lendo para descobrir como essa pedra foi parar nos EUA, essa história que parece saída de um filme de Hollywood.
Uma esmeralda de cerca de 400 quilos, extraída da mineração Serra da Carnaíba, na Bahia, permaneceu por anos guardada em um cofre em Los Angeles, na Califórnia. Com o tamanho de um frigobar, a grande questão era que ninguém sabia quem era seu verdadeiro dono.
A história cinematográfica da Esmeralda Bahia é marcada por mentiras, traições e até um furacão. Descoberta em 2001 no povoado de Marota, na Bahia, a pedra foi avaliada em aproximadamente US$ 400 milhões, cerca de R$ 1,9 bilhão.
Desde 2011, o governo brasileiro entrou na disputa pela posse da pedra, alegando que a esmeralda foi extraída ilegalmente do Brasil e contrabandeada para os Estados Unidos. Em 2014, a Advocacia Geral da União (AGU) tentou interromper o julgamento sobre a pedra, enfrentando a empresa americana FM Holdings.
A AGU contratou um advogado americano para intervir na corte responsável pelo processo, com o objetivo de defender os interesses do Brasil e “repatriar” a pedra. Mas como ela foi parar nos Estados Unidos?
De acordo com a AGU, a história da pedra envolve o comércio ilegal de bens minerais entre países. Marconi Costa Melo, diretor substituto do Departamento Internacional da AGU, afirmou que “essas vendas ocorrem sem nenhuma titularidade e os valores envolvidos são irrisórios”. Assim, a disputa pela esmeralda também tinha como objetivo servir de exemplo e coibir práticas ilegais.
VERSÕES SOBRE A VENDA
Há pelo menos três versões sobre a venda da pedra.
Há pelo menos três versões sobre a venda da pedra. A primeira é relatada por Darcy Carvalho, comerciante de pedras preciosas em Campo Formoso, Bahia, que alega ter comprado a Esmeralda Bahia por 10 mil reais e vendido por 45 mil.
A segunda versão, investigada pela justiça americana, envolve os comerciantes brasileiros Elson Ribeiro e Ruy Saraiva Filho. Ribeiro alega que a pedra pertencia à sua família e foi levada da Bahia para São Paulo, onde foi vendida ao americano Anthony Thomas por cerca de 190 mil reais. No entanto, a pedra nunca foi entregue na Califórnia, conforme combinado.
A intermediação desta venda foi feita por outro americano, Keneth Conetto. Thomas afirma que Keneth disse que a pedra foi roubada durante o transporte do aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas.
Após seu desaparecimento, a pedra teria sido levada para Nova Orleans, onde se perdeu em 2005 devido ao furacão Katrina. Trancada em um cofre que foi inundado, a pedra ficou presa no subsolo.
Posteriormente, foi resgatada por mergulhadores e roubada por mafiosos, que a levaram para Las Vegas.
Em 2008, a pedra foi descoberta em Vegas por dois detetives americanos, Mark Gayman e Scott Miller. Segundo eles, por ter sido reivindicada por várias pessoas e empresas, foi deslocada para Los Angeles. Anthony Thomas, o suposto comprador, viu a notícia da apreensão da pedra e suspeitou que poderia ser sua Esmeralda Bahia. Ele começou a acusar seu ex-amigo Keneth Conetto de ter sumido com a pedra e queimado sua casa, destruindo um documento que comprovaria sua propriedade.
Havia ainda uma terceira versão investigada pela justiça americana, relatada pelos sócios da FM Holdings, que alegaram ter comprado a Esmeralda Bahia em 2009, em Las Vegas.
De quem é a esmeralda de quase 400 kg que causou uma revolução na mineração do Brasil?
Em 2015, a disputa pela pedra foi resolvida e, infelizmente, o Brasil não saiu vencedor. A justiça americana decidiu a favor da FM Holdings, encerrando assim a odisseia da Esmeralda Bahia.
Independentemente do resultado deste julgamento e do fato de que o Brasil não conseguiu recuperar um tesouro nacional, uma coisa é certa: sua história é tão maluca que daria um bom filme. (Da Redação com G1/BA e clickpetroleoegas.com.br)























