
Radicais da extrema direita, ainda inconformados com o resultado das eleições deste ano, promoveram baderna e vandalismo em Brasilia na noite desta segunda-feira, 12, após a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da silva e seu vice, Geraldo Alckmin e a prisão de um indígena apoiador de Bolsonaro. Carros e ônibus foram danificados e incendiados. A Polícia Militar entrou em confronto com os vândalos, todos apoiadores do atual mandatário da República.
O Corpo de Bombeiros afirma que sete carros e quatro ônibus foram totalmente queimados durante os atos de vandalismo. Ainda segundo a corporação, um veículo e um ônibus foram parcialmente incendiados. Além disso, uma pessoa de 67 anos precisou de atendimento médico após inalar gás lacrimogêneo.
Os atos de vandalismo começaram na frente da Polícia Federal, na Asa Norte, por volta de 19h30, após o cumprimento de um mandado de prisão temporária contra o indígena José Acácio Tserere Xavante, apoiador de Bolsonaro.
A prisão do indígena aconteceu por determinação do STF e atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República.
A PGR e o STF afirmam que o Tserere é investigado por participar de atos antidemocráticos e reunir pessoas para cometer crimes; a PF diz que o preso está acompanhado de advogados e que as formalidades relativas à prisão “estão sendo adotadas nos termos da lei”.
Após a prisão de Tserere, um grupo de radicais tentou invadir um prédio da PF e incendiou carros.
Parte do grupo seguiu pela Asa Norte, onde realizou novos atos de vandalismo. Pelo menos um ônibus foi incendiado e botijões de gás foram espalhados em ruas da cidade.
A Polícia Militar foi chamada e reagiu com bombas de gás e balas de borracha. Houve confronto com os radicais.
A Secretaria de Segurança Pública do DF afirmou que precisou restringir o trânsito na Esplanada dos Ministérios, na Praça dos Três Poderes e em outras vias da região central.
O secretário de Segurança, Júlio Danilo Souza Ferreira, afirmou que os participantes dos atos de vandalismo serão responsabilizados: “A partir de agora , temos imagens, filmagens, temos como identificar”. Ele não soube dizer se houver prisões.
A região do hotel onde o presidente eleito, Lula, está hospedado teve a vigilância reforçada por equipes da PM.
O governador Ibaneis Rocha (MDB) disse: “Por enquanto estamos agindo com as forças policiais. Todas as nossas forças policiais (…) estão nas ruas”.
Ao blog da Andréia Sadi, o senador Flávio Dino (PSB-MA), futuro ministro da Justiça, afirmou que o “governo federal segue omisso diante dessa situação grave absurda”.
Às 23h08, mais de duas horas depois do início dos atos, o ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Anderson Torres, escreveu em uma rede social que o Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal, “manteve estreito contato” com a Secretaria de Segurança do DF e com o governo do DF “a fim de conter a violência e restabelecer a ordem”. Ele disse que “tudo será apurado e esclarecido” e que a situação está se normalizando”.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), classificou de “absurdos” os atos de vandalismo, “feitos por uma minoria raivosa”. Veja a repercussão política.
Os bolsonaristas declaram não aceitar o resultado das urnas – que registraram o desejo da maioria dos brasileiros e não tiveram caso de fraude detectada, inclusive pelas Forças Armadas. Os manifestantes defendem abertamente um golpe – por meio de intervenção militar no governo, uma afronta à Constituição do Brasil e à democracia.
Nenhum representante do governo Bolsonaro falou até a última atualização desta reportagem. (Da Redação com g1 Política)





















