“Não espere até sentir na pele”. É com este alerta que a Sociedade Brasileira de Dermatologia lançou a campanha anual do Dezembro Laranja sobre a prevenção ao câncer de pele.
Ao longo de todo mês, estão previstas várias atividades. Entre elas, mutirões gratuitos para identificar casos novos da doença. Os atendimentos serão realizados no próximo sábado, 3, das 9h às 15h. Ao todo, serão aproximadamente 100 postos cadastrados e espalhados pelo Brasil.
No Espírito Santo, os atendimentos estão previstos para a Igreja Presbiteriana do Ibes e o Posto de Serviço de Dermatologia do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória.
O câncer de pele não melanoma, embora não tenha uma mortalidade alta, é o que costuma registrar o maior número de casos no Espírito Santo, devido à peculiaridades como população albina, imigração europeia e alta exposição ao sol na região litorânea.
No ano de 2020 estima-se que tenham ocorrido cerca de 1.5 mil casos entre os homens e outros 2,.2 mil entre as mulheres, totalizando 3.7 mil novos casos. Isso corresponde a 33% do total de casos da doença estimados para aquele ano, que superou os 11 mil registros.
Ao total são somados ainda os novos casos de câncer de pele melanoma, que devem atingir 30 homens e 40 mulheres, totalizando 3.760 registros no Estado das duas modalidades da doença que atingem a pele.
População rural
A cirurgiã plástica Patrícia Frasson apresentou, no início deste ano, na Assembleia Legislativa (Ales) o Programa de Assistência Dermatológica (PAD) do curso de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ela é a coordenadora-geral do programa de extensão que auxilia a população rural no diagnóstico e no tratamento do câncer de pele e orienta o público-alvo sobre como se proteger da doença.
O programa, que existe desde 1986, atende cerca de 3 mil pessoas por ano em 11 municípios: Afonso Cláudio, Baixo Guandu, Domingos Martins, Itaguaçu, Itarana, Laranja da Terra, São Gabriel da Palha, Pancas, Santa Maria de Jetibá, Vila Pavão e Vila Valério.
O PAD realiza mutirões de atendimento nas cidades do interior, onde são realizadas consultas, procedimentos e pequenas cirurgias. Os casos mais graves são encaminhados para o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória.
O foco do atendimento é evitar que o câncer de pele chegue a desenvolver grandes lesões, reforçando a importância da prevenção. “É uma população submetida à intensa radiação solar em virtude de seu trabalho essencialmente agrícola, com início muitas vezes na infância. Depois dos 40 anos o preço começa a ser cobrado com aparecimento das lesões de câncer de pele”, apontou a médica.
Embora não tenha uma mortalidade alta, é o tipo de câncer mais frequente no Espírito Santo, segundo o Loureno Cezana, oncologista clínico do Hospital Santa Rita. “É o resultado da imigração europeia, como forte trabalho ligado a agricultura. Além de termos um Estado litorâneo, fatores que favorecem a exposição solar e a manifestação de tumores na pele”, destaca.
Segundo informações do Inca, é o tipo de tumor que apresenta altos percentuais de cura, se for detectado e tratado precocemente.
Mais informações sobre os locais de atendimento presencial da campanha Dezembro Laranja podem ser encontradas neste link.
Além dos mutirões, durante todo o mês, a campanha reforça a necessidade de a população buscar atendimento regular de um dermatologista que possa checar de tempos em tempos se a pele apresenta alguma lesão suspeita.
Renato Marchiori Bakos, coordenador do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia, relata que, mesmo com diâmetros assimétricos, que vão mudando de tamanho, além de terem cores variando entre claras e escuras, essas lesões, muitas vezes, não são perceptíveis por estarem na sua fase inicial.
O especialista destaca que essas lesões, que caracterizam o câncer de pele, são fruto do acúmulo de exposição aos raios solares ao longo da vida, especialmente na forma que causa a vermelhidão ou queimaduras solares.
“Está provado que, quanto mais intensidade de sol em fases iniciais da vida, maior o risco no futuro de ter a doença. Não é o sol do verão passado que causa do câncer de pele. É o acumulo de exposições intensas e queimaduras, aquela vermelhidão, descascar a pele, porque essa reação acaba danificando lentamente o DNA das células cutâneas e leva a alguma mutação que adiante vai virar um câncer.”
Para evitar a doença, o especialista dá dicas como uso do protetor solar.
“Evitar as cargas excessivas de radiação ultravioleta escolhendo horários mais adequados para atividades ao ar livre. Evitar, especialmente, o horário das 9h às 15h. Se estiver ao sol no período de intensidade, procure lugares com sombra, uso de camisetas e chapéus. Em áreas descobertas, é importante usar o protetor ou filtro solar, reaplicado a cada 2 horas, com fator de proteção 30 ou mais.” (Da Redação com Agência Brasil e Webales)























