Durante coletiva de imprensa para detalhar o andamento das investigações sobre o ataque as escolas de Aracruz, no Espírito Santo na última sexta-feira, 25, a Polícia Civil informou que o assassino de 16 anos guardou as armas, almoçou e seguiu para a casa de praia com os pais depois de invadir as duas escolas.
A polícia apura se há envolvimento do pai, policial militar, já que as armas usadas no ataque são dele. “A PM está sim no processo de investigação, mas é a Polícia Civil que vai dizer se de fato teve cumplicidade”, disse o governador.
De acordo com oficiais da PMES o pai foi afastado das funções ‘operacionais’ e continua cumprindo funções administrativas. Ele será ouvido ainda e também está sendo investigado por possível apologia ao nazismo e suspeita de ensinado o filho a atirar.
Os policiais disseram ainda apreenderam o telefone e o computador do assassino para apurar se ele tinha relação com grupos extremistas.
“Nós temos acesso ao seu telefone, aos seus computadores, aos interrogatórios, então é um processo de investigação pra ver se ele tinha algum envolvimento com algum grupo de fora neonazista”.
De acordo com a Polícia Civil, o assassino que atacou as duas escolas, por ter 16 anos, vai responder por ato infracional análogo a três homicídios e a 10 tentativas de homicídio qualificadas. O número é menor que o de vítimas no ataque porque algumas não foram baleadas, mas se feriram na correria dos alunos em fuga.
Ao todo, quatro pessoas morreram e mais de 10 ficaram feridas. O ataque teve início por volta de 9h30 e o adolescente foi apreendido por volta de 14h10.
O superintendente de Polícia Regional Norte, delegado João Francisco Filho, disse que após o crime o adolescente foi até um local ermo, tirou o material que cobria as placas, voltou para a casa de praia em Mar Azul, em Coqueiral de Aracruz, pegou todos os objetos e guardou para que os pais não desconfiassem.
“[Ele] coloca tudo onde estava e fica no interior da casa como se nada tivesse acontecido. Os pais chegam e ele reage naturalmente. Os pais já sabiam do atentado, comentam com ele e ele se faz de desentendido. Eles tinham o hábito de ir na casa. Foi enquanto eles estavam que a força-tarefa conseguiu descobrir quem seria o autor e onde ele estava”, contou o delegado.
O delegado João Francisco também disse que quando os policiais chegaram à casa de praia onde o adolescente estava com os pais, ele primeiro negou o crime, mas depois confessou. De volta à casa da família, ele levou os agentes ao local do crime e apontou onde havia deixado as armas e roupas usadas na ação.
Em depoimento à polícia, o atirador disse ter agido sozinho no crime, mas a polícia investiga o envolvimento de outras pessoas. A informação foi dada pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), neste domingo, 27.
Entre os pontos investigados estão o acesso e habilidade com armas, saber dirigir e ter acesso ao carro. Além do envolvimento com grupos extremistas. No dia do crime, ele usava vestimentas com um símbolo nazista.
“A investigação que vai dizer como ele com 16 anos tinha tanta habilidade com armas e como ele conseguiu carregar e recarregar”, disse o governador. (Da Redação com g1 Espírito Santo)
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