José Caldas da Costa*
Na polarizada e disputadíssima eleição em segundo turno no Espírito Santo, a larga vantagem de votos dados ao governador Renato Casagrande (PSB) nos 28 municípios ao Norte do rio Doce foram fundamentais para garantir a recondução do chefe do Executivo para mais um mandato no Palácio Anchieta. A diferença total a favor de Renato Casagrande no Estado foi de 165.267 votos válidos. Ou seja, se Manato tivesse tido mais 82.634 votos teria vencido a eleição.
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Levantamento feito pelo portal Tribuna Norte Leste consolida a importância da diferença de 64.720 votos que o Norte do Estado deu a Renato Casagrande, apesar de Manato ter vencido nos dois maiores colégios eleitorais da região – Colatina e Linhares. A avaliação de especialistas ouvidos pelo portal, entretanto, é de que essa vitória de Manato nos dois municípios foi muito menos expressiva do que o candidato do PL imaginava.
A vantagem de Manato sobre Casagrande nos dois municípios, somados, foi de apenas 12.162 votos, demonstrando que o apoio do ex-prefeito Guerino Zanon, de Linhares, não teve tanto peso assim, depois de ter ficado em terceiro lugar no primeiro turno. Outro município onde Manato ganhou foi Rio Bananal, sob forte influência de Linhares, mas com vantagem ínfima de 45 votos (0,8%).
COLATINA E LINHARES
Em Colatina, a diferença entre Manato e Casagrande foi de apenas 4.205 votos, enquanto em Linhares, apesar de um pouco maior, nem chegou a ser tão expressiva: 7.957 votos
No primeiro turno, em Linhares, Guerino Zanon foi o primeiro com 35.231 votos, seguido de Casagrande com 22.840 e Manato com 21.130 votos. Audifax (Rede) veio em quarto com apenas 1.120 votos. Para o segundo turno, Casagrande cresceu 15.131 votos, alcançando 37.971, enquanto Manato cresceu 24.798 votos, chegando a 45.928.
Em Colatina, Casagrande cresceu no segundo turno, nominalmente, quase a mesma coisa que Manato. Enquanto no primeiro turno Manato teve 26.899 votos e Casagrande 23.898, seguidos de Guerino Zanon com 11.218, quando foram para o segundo turno os dois candidatos praticamente dividiram a distribuição de votos. Manato foi para 36.217 votos e Casagrande para 32.012, um crescimento de 9.318 votos para Manato e de 8.113 votos para Casagrande na “Princesinha do Norte”.

Quanto mais distantes do rio Doce, maior a vantagem de Renato Casagrande sobre Manato no Norte do Estado, seguindo a tendência das votações para Presidente da República para o eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Mas em alguns municípios onde Bolsonaro ganhou, Casagrande também ganhou – Marilândia, Baixo Guandu, Pancas, Mantenópolis, Barra de São Francisco, Nova Venécia e São Gabriel da Palha.
Nos municípios bolsonaristas, a maior vantagem de Renato Casagrande foi em Pancas com 58,65% de vantagem sobre Manato, seguido de Barra de São Francisco com 35,16%.
SUB-REGIÕES
Numa redistribuição dos 28 municípios do Norte do Estado em três sub-regiões, o Noroeste, com sete município em torno de Barra de São Francisco (Água Doce do Norte, Alto Rio Novo, Ecoporanga, Mantenópolis, Vila Pavão e Águia Branca), foi quem deu a maior vantagem proporcional de Casagrande sobre Manato em todo o Estado, com 65,73% de votos a mais para o governador.

A pedido do governador Renato Casagrande, a coordenação da campanha na região Norte, em especial no Noroeste, foi do ex-deputado Enivaldo dos Anjos, atual prefeito de Barra de São Francisco.
Na sub-região Norte Central, a vantagem de Casagrande foi de 28,51%, enquanto na Norte Litoral foi de apenas 16,42%. O município que deu a maior vantagem a Casagrande sobre Manato está na região Norte, subregionalizado no bloco Norte-Centra: 247% a mais de voto para Casagrande em Ponto Belo.
REGIÃO SUL
Na região ao Sul da Grande Vitória, Renato Casagrande teve grande desvantagem para Manato, perdendo em municípios-chave como Guarapari e Cachoeiro, este o maior colégio eleitoral do interior do Estado e governado por um prefeito do PSB, partido do governador. Na subdivisão em quatro blocos de municípios, quem deu a vitória a Casagrande foi a região do Caparaó, onde ele teve vantagem de 20,28% sobre Manato.

Na sub-região Sul Central, liderada por Cachoeiro de Itapemirim, Manato ganhou por 8,85% a mais de votos.
Na região das montanhas capixabas, expandida para outras áreas de forte colonização alemã e italiana, Manato venceu por 5,65%.
A sub-região onde foi mais expressiva a vitória de Carlos Manato sobre Casagrande foi a classificada como litoral Sul, com seis municípios. Cada candidato ganhou em três municípios, mas Manato venceu nas maiores, saindo com vantagem de 17,87%. Chama a atenção a vitória de Manato nos municípios de Itapemirim e Marataízes, com 40% da população se declarando evangélica.
GRANDE VITÓRIA
A Grande Vitória, aqui entendida como Vitória, Cariacica, Viana, Vila Velha e Serra foi letal para Manato, apesar de Casagrande ter vencido com 25,97% dos votos. Esse percentual, entretanto, representa o maior valor nominal de votos de vantagem para o governador, pois esses municípios representam, somandos, 50% do eleitorado capixaba. A vantagem do governador foi de 111.709 votos, vencendo em todas as cidades.
A vitória mais expressiva, com 42,69% a mais de votos do que Manato, foi a capital Vitória, justamente governada pelo único prefeito que é seu adversário na Região Metropolitana: Lorenzo Pazoline (Republicanos).
Por fim, a TNL separou a região conhecida como Polinorte, no vale do rio Piraque-Açu: Aracruz, João Neiva, Fundão, Ibiraçu, Santa Teresa e São Roque do Canaã. Nessa sub-região, a vantagem do governador foi de 15,17%. A menor em Aracruz (maior colégio eleitoral) com 5,35%, seguida de Santa Teresa com 5,86%, e a maior em São Roque do Canaã com 65,52%, seguido de Fundão com 63,8%.
*O jornalista e escritor José Caldas da Costa é diretor geral do Tribuna Norte Leste





















